os quatro elementos da natureza os quatro pilares da sabedoria os quatro atributos do corpo os quatro cavaleiros do apocalipse

26.4.07

Ai, ai, logo agora que o Sócrates estava à rasca...

A saga do PSD em Lisboa continua a dar que falar ao ritmo de cada cavadela cada minhoca. Com Carmona como arguido, esta senhora de nome Marina Ferreira vai com grande probabilidade ser a próxima presidente da câmara de Lisboa.
A partir de agora confesso que nas próximas eleições autárquicas vou prestar muita atenção ao números 2 e 3 e 4 de cada lista.

25.4.07

A reminiscência comunista em Portugal e outra considerações que tais...

"Durante os últimos três anos tenho visitado Portugal com alguma frequência questionando-me, muitas vezes, se este é um país normal. A título de curiosidade, posso afirmar que nasci e passei toda a minha vida em Espanha, sendo que, numa altura em que o país se encontra sob a batuta de Zapatero, estou inclinado a dizer que o meu país também não é normal. Assim sendo, estamos empatados. Começando por Portugal, quero expressar que existem alguns aspectos deste rectângulo acolhedor que me incomodam ligeiramente. O primeiro é a reminiscência comunista. O segundo, a hipocrisia dominante. É um facto insólito na Europa que o principal sindicato de Portugal continue a defender a propriedade pública dos meios de produção e dos serviços, que seja reticente perante o mercado e que se comporte como um activista anti-sistema – ao ponto da CGTP ter convocado uma greve geral contra o Governo de Sócrates, que se por alguma coisa se destaca é pela falta de ambição capitalista. A minha opinião acerca dos sindicatos portugueses, espanhóis e outros em geral é muito clara: são um cancro, um dos tumores que impedem o crescimento da economia, que minam o bem-estar dos cidadãos e do progresso social. Estes vivem, fundamentalmente, da subvenção publica, possuem uma representatividade marginal – porque, pelo menos em Espanha, o número de pessoas sindicalizadas é mínimo, sendo poucos os que pagam as respectivas quotas –, e apenas se preocupam em defender o ‘statu quo’: primeiro o seu emprego, que consiste basicamente em protestar e opor-se a tudo, e depois os de quem os têm e querem conservá-los a todo o custo, numa selva laboral mais hostil que nunca. O resultado é óbvio: graves prejuízos para os jovens, estudantes, imigrantes, ou seja, para todos os grupos que não estão instalados.

Antes também já referi, arriscando a minha reputação e talvez pecando por frivolidade, que este é um país frequentemente hipócrita. Levamos quase um mês a discutir o título académico de Sócrates e as eventuais irregularidades que rodeiam a sua licenciatura, despendendo bastante mais energia do que a necessária. Portugal é um país católico. Os políticos mentem mais do que falam - como se comenta em Espanha. Mas a nossa religião já resolveu este dilema. Primeiro mente-se, depois confessamo-nos fazendo actos de contrição, e o padre absolve-nos dos nossos pecados livrando-nos da penitência; se formos perseverantes comungamos, e depois voltamos a mentir porque a natureza humana não tem remédio, gozando a política de uma insanidade muito maior. Com tudo isto pretendo dizer que em Portugal, à semelhança do que acontece em Espanha, a mentira é um pecado venial e perfeitamente corrigível - uma situação completamente diferente da que se vive no mundo anglo-saxónico.

Concluindo e resumindo, vamos deixar de perder tempo a descobrir se o senhor Sócrates é, ou não, engenheiro. Como sou espanhol consigo perceber perfeitamente o cariz jocoso do assunto. Zapatero, por exemplo, que tem a sua licenciatura em Direito perfeitamente acreditada, passou vinte anos como deputado em Madrid a carregar num botão – SIM ou NÃO. Apesar deste ‘curriculum vitae’ espectacular hoje é, infelizmente para o país, o primeiro-ministro de Espanha. Percebo perfeitamente que esta seja uma situação difícil de aceitar por todas as pessoas honestas, mas bastante melhor preparadas, que desejariam ter um timoneiro bem mais capaz. ‘But it’s life’. Em Portugal, o facto irrefutável é que Sócrates é o primeiro-ministro. Deve ser julgado pelos seus actos, deixando de lado os seus títulos académicos. Portugal tem inúmeros desafios pela frente e vai passar muito tempo, caso se dedique a vencê-los, até que voltem a conjugar-se circunstâncias tão propícias e favoráveis: um Governo de maioria absoluta, um primeiro-ministro extremamente popular, uma oposição muito frágil e um país convencido – se bem que ainda reticente e preocupado –, da necessidade de reformas. Catolicamente falando, seria um pecado capital que Sócrates incorresse na passividade, na indolência, no comodismo e no pragmatismo.

Portugal é um país muito pequeno, com uma grande história, que navega entre duas águas. Uma é a que reflecte o recente relatório de Vítor Constâncio, o Governador do Banco de Portugal, estimulando a ambição reformista, destacando as deficiências da economia e da sociedade portuguesa – no mercado laboral, na educação, na Administração Pública. No outro lado encontra-se o sindicalismo comunista rançoso, a resistência à mudança profunda de Portugal, e quem sabe se do pragmatismo calculista do socialismo de Sócrates, talvez mais dependente de governar durante os próximos quatros anos do que aproveitar os que ainda lhe restam. Seria uma pena."

Miguel Angel Belloso, Ex-director do “Expansión”
in Diario Economico

P.S. 1 - Para contextualizar este artigo note-se que Miguel Angel Belloso é assumidamente de direita (possivelmente, da dita direita "conservadora", "ultra-liberal" e "reaccionária"). O artigo suscitou algumas fortes reacções contrárias por parte de alguns cibernautas que podem ser lidas aqui

19.4.07

Messi: Que homenagem a Maradona!!!

Golo fenomenal a fazer lembrar o de Maradona à Inglaterra no Mundial de 1986 no México.

Vale a pena ver e rever!

25 anos depois...

Já há vários meses que Pinto da Costa, acossado pelo processo do apito, não exerce de facto o cargo de presidente do FCP. Onde antigamente se viam declarações contundentes caso a equipa fosse prejudicada ou manifestações públicas de apoio a treinadores e jogadores aquando das derrotas, agora não se vê nem se ouve nada, apenas e só silêncio. Como é da praxe e das leis da bola, isto é irrelevante desde que se ganhe, mas e se a coisa acabar por correr mal?
Quanto à vida pessoal de PC ela não deve, por definição, ser chamada a este tipo de comentários mas a verdade é que foi ele próprio a misturar as coisas quando entendeu transformar a sua grande paixão Dona Carolina em putativa primeira dama do clube (com os resultados que se conhecem). Assim sendo, e quando vejo noticiado o suposto casamento de PC com uma nova grande paixão (na pele de uma "empresária" brasileira 43 anos mais nova que ele) não posso deixar de me interrogar primeiro sobre possíveis consequências para o clube e segundo sobre o estado de lucidez do homem.
Por estas razões, parece-me que esta ideia até poderia ter alguma lógica.

p.s.- curioso é que PC, à cautela, só a tenha verbalizado no dia anterior à data limite de entrega das listas...

13.4.07

É isto o futuro da imprensa escrita?

Tal como muitos outros passei anos e anos a chamar espesso ao Expresso. Mesmo agora que ganhei o vício semanal da sua compra, a primeira coisa que faço é reciclar directa e mecanicamente metade do conteúdo do famoso saco de plástico. Hoje comprei o Público e para além do caderno principal temos o P2, o ípsilon, o imobiliário, o inimigo público, a economia, um suplemento de teatro, outro do indie lisboa e ainda a revista escolhas. Aproximadamente 900 g de papel o que tomando em linha de conta o preço de capa dá qualquer coisa como 0,139 cêntimos por grama de jornal.

31.13


...

Paul Wolfowitz, Presidente do Banco Mundial pede desculpas por ter promovido a namorada...

A humildade é uma coisa bonita e merece ser recompensada. Quase apetece dizer algo do estilo ok pá deixa lá isso, a gente sabe que o amor nos faz perder a cabeça e afinal de contas errar é humano.
O único problema, digamos pequenino problema, é que este senhor foi o principal arquitecto dentro da Administração Bush da teoria da guerra preventiva, e da teoria de que os iraquianos iriam receber os "libertadores" americanos com rosas, e da teoria do efeito dómino da "democracia" iraquiana sobre o resto dos países árabes. Alguns anos e muitos milhares de mortos depois, o Iraque está em processo de implosão e o Irão aproveitou o caos criado para estar em vias de possuir a bomba atómica. Curiosamente sobre isto não há registo de nenhum pedido de desculpas.

11.4.07

A entrevista.

Não tinha, até hoje, dado à minha opinião (pelo menos aqui no blog) sobre o caso da licenciatura de José Sócrates. Confesso que estava à espera de ouvir o que o homem tinha para dizer, de viva voz e em directo, sem comunicados ou acessores de imprensa pelo meio. A entrevista de hoje na RTP, que alguns irão certamente classificar ou pelo menos insinuar como sendo "arranjada" ou "escolhida" a dedo, foi conduzida por 2 dos meus jornalistas preferidos, insuspeitos de serem pressionáveis. Terminada a mesma, fico com estas sensações:

1-o PM demorou tempo a mais para vir a terreiro defender-se, dando azo a que se instalasse na sociedade uma certa desconfiança. Foi até algo penoso que aquilo que deveria ter sido uma análise de 2 anos de governação se tenha tornado em boa parte num "julgamento" com Sócrates como réu. As explicações dadas pareceram-me satisfatórias.
2-acho que Sócrates aproveitou certas facilidades dadas por algumas Universidades privadas para este, digamos, tipo de alunos (é aliás significativo que muitos deputados só tenham concluído os cursos já depois de chegarem à Assembleia). Talvez um plano de estudos menos exigente, talvez até exames mais fáceis. Não duvido que tenha sido esta a razão fundamental para que ele tenha escolhido a Uni e não vejo nisso nada de especialmente grave, dado que até à data não há uma única prova consistente de ilegalidade ou tratamento diferenciado em relação a outros alunos da mesma instituição.
3-num processo que vive de discrepâncias nos registos e nas declarações dos diferentes intervenientes, acho que é importante não esquecer que a história nasceu na blogosfera em 2005!!! e que o Público (da Sonae) só pegou nela alguns dias depois de o governo ter supostamente contribuído para o chumbo da OPA (da Sonae) sobre a PT. Também significativo é o facto de o mesmo Público (da Sonae) ter lançado uma notícia on-line, supostamente complicada para o PM, uns minutos antes da início da entrevista. (Acham que este parágrafo representa uma insinuação? Sim, sem dúvida, mas nem mais nem menos que a própria investigação sobre o caso. Limitei-me a constatar simples factos, que permitem interpretações mais ou menos crédulas.)
4-é absolutamente nojento que uns minutos após o fim da entrevista, Marques Mendes, em vez de criticar o desempenho do PM em áreas como o emprego, economia ou saúde, venha tentar cavalgar a onda exigindo uma "investigação por uma entidade independente".


p.s.- à laia de declaração de intenções, fica dito para quem ainda não saiba que eu votei em Sócrates e que acho globalmente positivo o saldo destes 2 anos de governo (apesar de ter sérias dúvidas sobre OTA's e TGV's...)

6.4.07

Post mete-nojo.

Hoje à noite, no São Rosas em Estremoz...

Com aquela peculiar noção de tempo e de calma que só o Alentejo transmite, vamos começar bem devagar e da melhor maneira possível, ou seja, pelo princípio, que neste caso são as entradas.
Falo-vos de farinheira assada, de chouriço alentejano e dos enchidos tradicionais de porco preto. Sei que também não resistiremos às amêijoas à Bulhão Pato, aos cogumelos com alho, às duas versões de omelete em textura superlativamente cremosa e às geniais gambas fritas panadas. Por esta altura já os nossos sangues estarão enriquecidos com um generoso vinho, provavelmente da região, naturalmente tinto e forçosamente bem encorpado, essencial para bem abrir o paladar e a alma a este verdadeiro ataque aos sentidos.
Se bem que contrariados , talvez saltemos a açorda de bacalhau ou a sopa de tomate, para deixar espaço suficiente nas entranhas para dignificar condignamente a magnífica secção de carnes. Escrevo já angustiado pela crueldade que será ter de escolher entre umas migas de pão com entrecosto e uma dose de lombinho fritos, isto sem falar das opções borrego ou rosbife. E os acompanhamentos, ouço-vos a salivar entre dentes?
Esparregado, batatinhas fritas às rodelas grossas, cebolinhas estufadas, cenourinhas com ervas, alho e vinagre, saladinha de tomate, etc...
Enfim, se a gula não nos tiver morto, esta será a altura em que faremos uma pausa para um mui raro cigarro, seguido de um café para recuperar forças antes de atacarmos as sobremesas. Há pudim-de-água de Estremoz, tarte tatin e outras coisas tais, mas aqui para nós eu inclino-me com um sorriso antecipado de puro extâse para o pão-de-ló de Alfeizerão. Se aqui chegado tiver bebido o suficiente para não me importar com a conta, provavelmente darei por encerrada a estadia com o precioso auxílio de um digestivo e de mais um café.
Depois, com o à vontade que só o álcool e a sensação da gula satisfeita podem dar, eu e a A. (que honra lhe seja feita fez finca-pé neste salto a Estremoz) saíremos para a praça central da cidade, onde a famosa Torre de Menagem se ergue imponente numa constante tentativa de alcançar o céu estrelado.


3.4.07

Apagão na Luz

Ex-futuros-campeões saíram de cabeça baixa e muito apagados.

29.3.07

...

Com toda a suavidade de movimentos de que era capaz, rodou lentamente o corpo e sentou-se na berma da cama. Debaixo dos cobertores não se tinha dado conta do frio, teria vindo assim tão de repente?, que fazia no quarto. Estremeceu com um arrepio quando se levantou, nú, tentando habituar os olhos à quase penumbra do espaço. Tropeçou nos seus sapatos castanhos e tacteando encontrou logo ao lado o volume onde conviviam amarrotadas as restantes peças de roupa. Sorriu fugazmente, congratulando-se em silêncio por, mesmo no calor do momento, não se ter esquecido de atirar toda a roupa para o mesmo sítio. Um ligeiro estalido das molas da cama seguido por um leve, quase imperceptível movimento fê-lo parar por instantes. Foi assaltado por uma dúvida, será que ela estava mesmo a dormir ou simplesmente se limitava a fingir para não ter que lidar com ele?, que sacudiu no segundo a seguir com um encolher de ombros que denunciava que isso lhe era totalmente indiferente, desde que pudesse evitar o tremendo desconforto destes momentos.
Abominava em especial a conversa de circunstância, a falsidade de falas e sorrisos, o peso ruídoso dos silêncios incómodos. Para quê dizer à mulher eu depois ligo-te ou havemos de ir jantar um destes dias? Se havia algo que tinha aprendido bem na vida, com aquela dose de dor suficiente para que nunca o pudesse esquecer, era que só vale a pena mentir a alguém se para nós for importante que essa pessoa acredite. Deu facilmente com a porta da rua, as mulheres solteiras costumam viver em casas muito pequenas, saiu e chamou o elevador. Já na rua puxou as abas do casaco para cima, meteu as mãos nos bolsos e avançou, estugando o passo, decidido a enganar o frio que já sentia enquanto se esforçava por relembrar onde encontrar uma paragem de táxis. Um som estranho fê-lo virar a cabeça e a seu lado, sozinho no meio da rua deserta e mal iluminada pela fraca luz dos poucos candeeeiros que ainda funcionavam, um saco de plástico agitava-se ao sabor dos caprichos do vento. Sem saber muito bem porquê deixou-se ficar hipnotizado a observar o inesperado bailado. O saco estava em mau estado, furado, molhado e com as letras que tinha impressas num estado que quase impedia a identificação do supermercado de onde teria vindo. Parecia algo cansado.
Apanhou finalmente um táxi e foi entretendo o motorista com acenos monossilábicos, enquanto ele, satisfeito por ter encontrado um par de ouvidos, discorria livremente sobre um qualquer jogo de futebol.
Só ao entrar em casa é que se lembrou que já não comia há um bom par de horas. Disse olá à gata, que se limitou a levantar ligeiramente a cabeça e a olhá-lo de lado quando ele ligou a luz, e abriu o frigorífico. Das prateleiras, apesar do vazio desconsolado que apresentavam, parecia mesmo assim emanar um cheiro algo desagradável, dos restos da carne que a empregada (como era mesmo o seu nome?) tinha cozinhado na semana passada?.
Resignou-se a comer as 2 fatias de pizza que tinham sobrado do jantar de ontem. Sentou-se no sofá, ligou a televisão e comeu tendo como companhia uma apresentadora americana, muito elegante nas suas calças de lycra, entretida a promover um creme para tirar a celulite do rabo. Desligou e apercebeu-se do seu reflexo a encará-lo a partir do ecrã da televisão. Com alguma surpresa, constatou que aquele, seria mesmo ele?, parecia um homem cansado.

E agora, o Benfica-Porto...

Estamos com a moral em baixo (por estar a disputar taco-a-taco um campeonato que estava praticamente resolvido...), fisicamente de rastos, com Anderson meio manco, com Helton à beira de um ataque de nervos, sem Lisandro (suspiro...), com um Lucho quase nulo e quase sem avançados de jeito, provavelmente equipados com aquela imbecilidade laranja que faz as vezes de farda alternativa, enfim, o rosário é longo e penoso.
Por outro lado, eles estão entusiasmados, eles estão em boa forma, eles têm a onda vermelha e um estádio cheio, eles são o "maior clube do mundo".
Óptimo. Da forma como as coisas estão só mesmo este tipo de desafio para despertar o Porto da estranha letargia em que temos (sobre)vivido.

O meu 11 e demais sugestões:

V. Baía, Fucile, Bruno Alves, Pepe, Cech, P.Assunção, R.Meireles, Bosingwa, Lucho, Quaresma, Adriano.

adenda 1- com Anderson pronto a entrar na 2ª parte,
adenda 2- com Bruno Moraes e Alan em casa a tentarem fintar-se um ao outro,
adenda 3- com Jorginho, Vieirinha, Renteria e Postiga (suspiro...) como eventuais opções de ataque,

27.3.07

"Purity Balls"

Começaram em 1998 e são cerimónias tipo casamento, com vestimentas a rigor, limusinas, baile de gala, troca de votos, etc e tal. O pormenor que marca toda a diferença é que não há noivos e noivas, mas sim pais e filhas.
Entre os cristãos conservadores dos EUA, esse simpático grupo de crescente influência que ao fim e ao cabo tantas coisas boas tem trazido à humanidade, (Bush Jr, o Creacionismo,...) continua a aparentemente imparável caminhada para a pureza absoluta e vai daí começa a tornar-se moda esta troca de votos em que o enlevado paizinho promete à adorada filhota que irá ser fiel à mulher, manter uma mente pura e não recorrer ao uso de pornografia e esta por sua vez promete ao progenitor que se manterá virgem até ao casamento. É opcional a colocação de um "purity ring" ou uma "chastity bracelet" no dedito ou bracito da petiz, sendo que no dia da consumação do casamento a santinha as deverá entregar ao marido!

p.s.1- Freud deve estar a rir-se que nem um perdido...

p.s.2- Estima-se que em 2006 tenham ocorrido perto de 1 400 Purity Balls nos EUA e em 2007 a cifra deve duplicar. Isto num país em que o Governo já gasta 206 milhões de dólares/ano na promoção das campanhas de abstinência sexual nas escolas.

p.s.3- Um estudo conduzido por investigadores das Universidades de Columbia e Yale mostra que 88% das miúdas que assumem o compromisso de pureza acabam por ter sexo antes do casamento, muitas vezes de forma não protegida.

26.3.07

Momento bolo-rei

Por iniciativa de Cavaco Silva hoje há um debate no Palácio de Belém para marcar os 50 anos do Tratado de Roma. O nosso PR decidiu convidar "todos os ex-ministros dos Negócios Estrangeiros, todos os ex-secretários de Estado da Integração Europeia, todos os comissários portugueses nas instâncias comunitárias, todos os embaixadores na Representação Permanente em Bruxelas e todos os altos funcionários e directores-gerais que estiveram na Comissão."
Segundo Cavaco a ideia é «homenagear os funcionários executivos que criaram condições para uma boa adesão e o bom desempenho que se seguiu».

Tudo muito correcto e tudo politicamente irrelevante como é costume neste tipo de datas.
Mas excluir Mário Soares, e ainda para mais tentar justificar a coisa com estes critérios "muito claros"? É uma actitude deselegante e imprópria para um PR.

P.S.- E não. O facto de Mário Soares ter tido uma série de intervenções e comportamentos incorrectos para com Cavaco, não só durante a campanha como também já depois de ele ser o PR, não justifica este castigo...

23.3.07

"Oxalá cresçam pitangas"

"A alegria, o ritmo, a graça e a desgraça de viver em Luanda."
Ontem à noite na RTP 2, histórias de vidas duras, repletas de drama, mas ao mesmo tempo de uma esperança e de um optimismo que nos faz sorrir. Sem narrador, só as pessoas e os seus olhos grandes e pretos a falar para a câmara.
As crianças que passam os seus dias a tomar conta dos irmãos mais novos porque o pai ou a mãe vão tentar ganhar o pão do dia vendendo nas feiras e nas ruas da grande cidade.
A adolescente que na escola se esforça por dominar as regras da tabuada e da divisão enquanto dá de mamar ao seu bébe.
As amigas que conversam animadas numa esplanada improvisada na areia de uma praia na baía de Luanda tendo ao fundo um gigantesco navio de cruzeiros deixado ali para morrer.
O tipo que nos fala da forma de ser dos angolanos (da maneira como julgam os outros povos desde os portugueses que são tugas aos sul africanos que são feios) e da sensação de superioridade sobre os restantes africanos e de inferioridade perante os europeus.
O taxista que com um brilho de felicidade nos olhos conta que ao acabar o seu dia de trabalho a primeira coisa que faz é correr para casa para estar com o seu filho e a sua futura mulher, e que sempre quis ter um filho aos 25 anos porque é uma idade em que já se é adulto mas ainda se é suficientemente criança para brincar com ele.
Enfim, um grande documentário.

15.3.07

Casal do ano.



Ou a história do amor impossível entre um cigano de brinco na orelha e um tipo de fato gravata e cabelo risco ao meio.

14.3.07

Sementem ut feceris, ita metes. (ou cada um colhe conforme semeia...)

Apesar de ser ateu, se bem que baptizado, sempre tive um interesse particular pela Igreja e pelas suas posições.
Talvez por ser verdade que a longuíssima herança histórica e os chamados valores cristãos difundidos pela Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) explicam em grande parte aquilo que somos enquanto sociedade, com os defeitos e as virtudes a isso naturalmente inerentes.

Vem isto a propósito do documento Sacramentum Caritatis, onde o Papa Bento XVI se debruçou sobre a eucaristia, deixando recomendações a fiéis e a sacerdotes. Se estes últimos ficam a saber que o celibato continuará a ser obrigatório (tomando como exemplo a "virgindade" (??) de Cristo), os primeiros confirmam sem grande surpresa que os divorciados católicos que voltem a casar continuam a estar proibidos de comungar. São sem dúvida temas interessantes, mas a verdadeira novidade do documento é a sugestão (não será mais instrução?) para que nas eucaristias de maior dimensão se recuperem práticas antigas como o canto gregoriano e as liturgias em latim.
Ora, nas poucas missas a que vou assistindo confesso que uma das coisas que pior impressão me causa é a nítida sensação que muitos dos crentes se limitam a repetir mecanicamente e entredentes o ritual de termos e orações, com evidente prejuízo para a espiritualidade que julgo ser o objectivo pretendido. Sugerir, com o recurso a uma língua morta e enterrada, o regresso a um tempo em que a Igreja cultivava um distanciamento formal entre sacerdote e congregação parece-me claramente um erro. Não duvido que alguns possam ver nisto um misto de coerência, uma tentativa de unificar de alguma forma as celebrações nos diferentes países ou até uma forma de a ICAR não deixar diluir os seus valores, mas se o caminho é esse então qual será o passo seguinte: voltamos a ter o senhor padre de costas para os fiéis?
Pela fé, pelos valores, enfim pelo peso que ainda tem nas mentes e opiniões de muitos, a Igreja continua a ser nos difíceis tempos que correm uma instituição importante. Fechar-se desta forma numa trincheira pode assegurar a sua sobrevivência mas duvido que a longo prazo se revele benéfico tanto para a ICAR como para a sociedade.
De qualquer forma, e para que tenham uma noção daquilo que está em cima da mesa, sai um Pai Nosso para irem decorando:

Pater noster, Qui es in caelis,
sanctificetur nomem tuum. Adveniat regnum tuum.
Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra.
Panen nostrum quotidianum da nobis hodie.

Et dimitte nobis debita nostra, sicut et
nos dimittimus debitoribus nostri.
Et ne nos inducas in tentationem: sed libera nos a malo.

Amen.

13.3.07

Substituíram pontos de interrogação por pontos de exclamação...

Um homem muito rico, estava muito doente e à beira da morte. Pediu papel e caneta, e escreveu o seguinte:

DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ NÃO A MEU SOBRINHO JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO ALFAIATE NADA DOU AOS POBRES

Morreu antes de fazer a pontuação. Para quem deixou ele a fortuna? Eram quatro os concorrentes:

1) O sobrinho fez a seguinte pontuação:
Deixo meus bens à minha irmã ? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada dou aos pobres."

2) A irmã chegou em seguida e pontuou assim o que estava escrito:
"Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada dou aos pobres."

3) O alfaiate pediu uma cópia do original e puxou a brasa à sardinha dele:
"Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada dou aos pobres."

4) Então, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabichão, fez a seguinte interpretação:
"Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Dou aos pobres."

O Sr. Hans Blix em entrevista ao "Independent" sugeriu que o Sr. Tony Blair e o Sr. George W. Bush fizeram um exercício semelhante para justificar a acção sobre o Iraque.

8.3.07

Uma ideia perigosa.


"A petição contra a criação do Museu de Salazar em Santa Comba Dão, que começou a circular no passado sábado, reuniu já 3.500 assinaturas na Internet, segundo a União dos Resistentes Anti-Fascistas Portugueses (URAP)."


Nunca vivi em ditadura. Direi mesmo que as únicas pessoas que exerceram verdadeira autoridade sobre mim em determinada fase da vida foram os meus pais, mas duvido que ser obrigado a comer a sopa até ao fim e ir para a cama depois do vitinho se possa comparar a viver num regime de opressão.
Admito por isso que me falte tarimba, experiência, quem sabe até maturidade e consciência política para opinar correctamente sobre este tema, mas isso é não só completamente irrelevante como constitui mesmo a beleza singular de viver em democracia. Mais do que a revolução do proletariado ou as conquistas dos trabalhadores, parece-me que o direito à opinião livre é a grande vitória de Abril. E esse direito, mesmo não sendo absoluto, não deve estar sujeito à visão das maiorias e muito menos a condicionalismos legais.
Consequentemente, aceito embora sem concordar que Salazar ou Cunhal possam ganhar um qualquer concurso televisivo e aceito embora sem perceber que haja indivíduos que insistem em endeusar os méritos de um regime que assegurava ordem a troco da liberdade individual de cada um. Tudo isto implica que também aceito com naturalidade que uma organização como a URAP sirva, 30 anos depois, para algo mais que jantares comemorativos onde se matam as saudades e se exibem as comendas. Que a URAP esteja contra a ideia de um museu de suposta glorificação de Salazar não é mais que uma atitude coerente. O que já me custa um pouco mais a perceber é que essa luta passe por uma tentativa de proibir por lei que isso possa acontecer. Aceito, mesmo sem compreender, que alguém goste de Salazar ou que preferisse até viver numa sociedade como a de então.
O perigo é que não aceitar agora este museu é estar a abrir a porta para que no futuro alguém se ache no direito de nos impor as opiniões e os gostos pessoais da maioria da altura.
Liberdade implica sempre o direito à subjectividade de apreciação, tanto do presente como do futuro.

Como????

E Guantanamo? E o Patrioct Act? E as famosas técnicas de interrogatório?
Haja paciência...



7.3.07

Em resumo

A Trivela...e pouco mais

O Traidor involuntário

O "e se..." que fica no ar


6.3.07

Verdades inconvenientes. Parte II.

Não duvido que alguns ainda olhem desconfiados para o cenário catastrofista que os ambientalistas pintam, acusando-os de exagero e de extrapolação abusiva de dados cientifícos e atribuindo os avisos de perigo eminente aos interesses de um suposto "lobby". De tempos a tempos vão saindo nos media globais com o devido destaque estratégico notícias dando conta de teorias contrárias à tese da influência humana no aquecimento do planeta, tentando semear a dúvida na opinião pública e justificar nem que seja só por mais uns aninhos novos investimentos em energias fósseis. Não surpreende que determinadas empresas com conhecidas ligações à administração Bush ofereçam muito dinheiro para que algum cientista mais ou menos renomado associe o seu nome a um qualquer relatório que mostre que por exemplo afinal não há mal nenhum em explorar os lençóis de petróleo do Alasca. A "nova corrida ao ouro" decorrente do degelo do Ártico enquadra-se nesta forma de encarar o mundo, nesta falsa segurança de que é seguramente impossível que o planeta mude ao ponto de ameaçar se não a espécie humana pelo menos o modo de vida que atingimos.

Há nesta fase 3 possibilidades, 3 pontos de viragem a que os cientistas mais importantes, ou pelo menos uma grande maioria deles, prestam mais atenção. Não são cenários fantasiosos mas sim acontecimentos possíveis com capacidade para criar um planeta diferente, alterando totalmente o nosso modo de vida enquanto sociedades organizadas.

1- colapso da Corrente do Golfo
2- destruição das florestas tropicais húmidas da Amazónia
3- libertação de metano armazenado no leito dos oceanos (clatratos)

Não vou falar sobre cada um destes cenários, mas diga-se só en passant que o 2 já está a acontecer a ritmo acelerado (é um facto), que o 1 pode ocorrer ainda neste século com o aumento de água doce proveniente do degelo do Ártico e que o cenário nº3 já terá acontecido na história do planeta tendo provavelmente sido responsável pelo maior episódio de extinção de sempre.

Enquanto os políticos que elegemos (e consequentemente merecemos) forem fazendo ouvidos de mercador a tudo isto, resta-nos a acção individual: usar lâmpadas e electrodomésticos de baixo consumo, reciclar, usar os transportes públicos, comprar carros híbridos, instalar painéis solares, chuveiros de qualidade, etc...
Devemos fazer um esforço para fazer pelo menos algumas destas coisas e devemos acima de tudo passar a mensagem a outros.


...informação científica tirada do livro "Os senhores do tempo" de Tim Flannery...

Ennio Morricone

Foi preciso que Hollywood lhe desse um Óscar honorário (como é possível que nunca tivesse ganho um antes??) e que o Expresso falasse sobre ele para que eu me lembrasse de ir pesquisar algumas das suas músicas.
Ficam de fora outros, mas estes 3 exemplos já mostram que o homem é de facto um génio. Grandes músicas para grandes filmes.

"Cinema Paraíso"


"O Bom, o mau e o vilão"


"Aconteceu no Oeste"

2.3.07

Verdades inconvenientes. Parte I.

As alterações climáticas estão na moda. Depois de algumas conferências mundiais cheias de boas intenções e retórica que sem surpresa resultaram numa mão cheia de nada, a comunidade internacional lá se entendeu e surgiu o protocolo de Quioto. Mesmo enjeitado por alguns dos países mais poluentes (EUA e Austrália) e tratado como filho bastardo por outros que publicamente o assinaram e prometeram cumprir (veja-se o nosso triste exemplo), Quioto foi um marco importante e representa uma esperança na possibilidade de entendimentos futuros que, como é quase consensual na comunidade científica, terão forçosamente de ser muito mais ambiciosos.
Lenta mas inexoravelmente começam a diluir-se as mais antigas resistências ao papel decisivo do Homem na alteração do clima do planeta e suas respectivas consequências, a par e passo com uma maior incidência e gravidade das catástrofes naturais (secas extremas num lado, chuvas torrenciais noutro, furacões, cheias, etc...). A consciencialização da opinião pública é cada vez mais um facto, ou melhor uma autêntica bola de neve, colocando as pessoas prontas para apoiar políticas (e políticos) amigas do ambiente. As frases bonitas deixaram de ser do estilo temos de salvar o urso polar para que os nossos filhos possam usufruir e passaram, finalmente, a ser temos de salvar o planeta para podermos sobreviver.
Vem isto a propósito de um artigo no Público (de 28.2, no Caderno P2) sobre o degelo do Oceano Polar Árctico. Ao ver o título confesso que pensei que ia ler mais uma série de alertas sobre os perigos inerentes a este cenário, como o aumento do nível do mar e do efeito de estufa por libertação de metano, o fim da forma de vida dos Inuit (esquimós) e até mesmo a extinção do urso polar. Mas se é verdade que os últimos parágrafos alertavam para estas consequências, não deixou de ser um choque constatar que o tema principal do artigo eram as possibilidades económicas que o degelo do Ártico vem abrir. Países como o Canadá, EUA, Rússia, Dinamarca e Noruega já estão a posicionar-se estrategica e politicamente numa "nova corrida ao ouro" tratando de garantir direitos sobre esta nova via de transporte de mercadorias, a "Passagem do Noroeste", potencialmente navegável já em 2040 e capaz de rivalizar com o Canal do Panamá porque diminui a distância entre a Europa e a Ásia em cerca de 8 000 Km.
Lutam também pela promessa de petróleo (supostamente 1/4 !! das reservas mundiais ainda por explorar) e gás natural, por novas explorações de minerais e diamantes e por valiosas zonas pesqueiras de salmão e bacalhau.
É um cenário quase inacreditável e permite perceber melhor os motivos por detrás desta atitude no mínimo dúplice. Sim, sim, estamos cada vez mais preocupados com as alterações climáticas, comprometemo-nos a investir em energias renováveis, diminuindo o recurso ao petróleo, carvão e outras coisas tais, mas não deixamos de estar a esfregar as mãos de contente pelas oportunidades que o início do fim pode trazer.
continua...

28.2.07

Sugestão


Diga-se logo à partida que não é um grande filme. É interessante pela história que conta (o nascimento da CIA) e por ser realizado pelo Robert De Niro.
Vale pelo ritmo propositadamente pausado e pela inevitabilidade fria e calculista com que o pragmatismo se sobrepõe às emoções.
Vale também pela actualidade do conceito do "inimigo necessário" (na altura a URSS, hoje o Irão, a Coreia, a Al-Qaeda) como elemento indispensável e estruturante da política norte-americana.

27.2.07

Paulo Macedo abandona cargo de director-geral dos impostos

A noticia...
"O director-geral dos Impostos, Paulo Macedo, já acordou com o ministro das Finanças que vai abandonar o cargo que ocupa desde 2005, noticia o Expresso online. A decisão será formalizada provavelmente ainda esta semana por Teixeira dos Santos, que tenciona anunciar na mesma altura o substituto de Paulo Macedo.
Desde que foi conhecido que a lei que impede que qualquer pessoa que ocupe um cargo no funcionalismo público não pode ganhar mais que o primeiro-ministro (um pouco mais de 5.360.85 euros) e que, por isso, Macedo teria de reduzir o seu ordenado de mais de 23 mil euros brutos para aquele valor, as possibilidades do director-geral dos Impostos continuar eram reduzidas.
No entanto, Teixeira dos Santos tentou desde aí encontrar outras formas de remuneração que permitissem a Macedo continuar, mas sem infringir aquela lei. Macedo, contudo, não aceitou e vai regressar ao seu lugar de origem no Millennium bcp, banco de que é quadro, segundo o Expresso online. "
in Jornal de Negócios 27/02/2006

As primeiras reacções (comentários de leitores também no JN)...
Reacção 1: "Sim de facto já. Este senhor não é o supra-sumo da competencia do funcionalismo publico para ganhar uma fortuna num país que está de tanga. Estou certo de que há neste país quem desempenhe funções a altura por muitissimo menos. Arrisco: Eu por exemplo!..."

Reacção 2: "Só num país de broncos é que isto é possível. Em vez de haver um escrutínio, uma exigência e uma sanção sobre os incompetentes e oportunistas (por exemplo, os que antecederam o Macedo) cai-se na situação de incensar um tipo absolutamente normal, como é o Macedo. Além disso, se o Sr Macedo fosse um cidadão em toda a linha, aceitava o salário dos 5000 e tal euros que já não é nada mau (tanto mais que a formação dele foi suportado pelos contribuintes portugueses). É o que eu faria, porque não sou um mercenário e tenho consciência de cidadania (no sentido em que tenho direitos mas também me cabem deveres). Por outro lado, se o Sr. Macedo fosse um gestor de alta (ou até mediana) qualidade, já tinha preparado a máquina do fisco para funcionar melhor (do que antes) sem a sua beata pessoa."

18.2.07

Seinfeld. "the mango". (I)

Elaine à conversa com uma colega de escritório sobre orgasmos,

- ei, Renee, let me ask you something. have you ever, you know, faked it?
- yeah, sometimes.
- really, like when?
- like if we went to a Broadway show...if we had really good seats.
- yeah, well...
- ah, like, you know, if it's enough already and i just wanna get some sleep.

17.2.07

Paulatinamente, com mérito e perseverança, o PSD vai contribuindo como pode para uma nova maioria absoluta do PS...

Para quem lê jornais, vê notícias e/ou ouve rádio, este post não tem nada de novo. Só o escrevi porque é de facto espantoso olhar para a globalidade dos últimos anos da Câmara de Lisboa.

Cronologia de um drama:
-Graças ao falhanço da governação de Guterres, a uma má campanha de João Soares e à boa imprensa de que gozava então, Santana ganha as eleições municipais com Carmona como nº2,
-Depois do "diálogo", dos queijos limianos e da desistência de Guterres, o PSD ganha as legislativas e Carmona suspende mandato de vereador para ir para ministro,
-Pressentindo o naufrágio, Durão abandona o navio, Santana troca a câmara pelo governo e Carmona troca o governo pela câmara,
-Sampaio mostra que afinal serve para alguma coisa de muito útil, corre com Santana e acaba com aquela coisa tipo governo. Santana volta para a câmara. Carmona passa novamente a nº2,
-Mendes tira naturalmente o tapete a Santana e apoia Carmona que reconquista, com a preciosa ajuda de Carrilho e do PS, a câmara para o PSD,
-Num processo típico de uma qualquer associação de estudantes de liceu mal resolvidos e com hormonas a mais, Zézinha, Paula e Carmona zangam-se e desfazem a coligação,
-A chefe de gabinete de Carmona é constituída arguida e obrigada pelo PSD a suspender o mandato,
-O nº2 de Carmona omite durante uns meses o seu estatuto de arguido, escudando a sua atitude em jogos de palavras típicos de miúdos da primária, e recusa suspender funções,
-Carmona apoia politicamente o seu nº2, anunciando também o apoio do próprio PSD, leia-se Mendes.
-Algumas horas depois, o referido PSD, leia-se Mendes, chama novamente Carmona e obriga-o a convencer o nº2 a suspender funções,
-Segundo o jornal de Balsemão, na eventualidade (será probabilidade??) de Carmona ser também ele constituído arguido, Mendes prepara-se para empurrar para presidente a nº3 da lista que foi às eleições,
...

Haja paciência, que Lisboa há-de seguir dentro de instantes.

Depois do silêncio, ouviu-se o tango.


13.2.07

Natália, a deputada poeta e Morgado, o capado.

Em 1982, as sessões da Assembleia da República tinham outro sal...

Resposta de Natália Correia (então deputada do PSD) ao deputado João Morgado (CDS), na sequência de um "eloquente" discurso deste: "A igreja Católica proíbe o aborto porque entende que o acto sexual é para se ver o nascimento de um filho".

"Já que o coito diz Morgado
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menino ou menina
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca truca,
sendo só pai de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou parca ração! uma vez.
E se a função faz o órgão diz o ditado
consumado essa excepção,
ficou capado o Morgado."

12.2.07

Brilhante, como sempre...

Confesso que já tinha algumas saudades dos dislates do genial analista político Luís Delgado, que se tem mostrado notoriamente tristonho e apagado desde que o seu herói preferido caiu com fabuloso estrondo do impensável pedestal que atingiu.
Certamente saudoso dos tempos em que defender Santana contra tudo, contra todos e inclusivamente contra a própria evidência lhe era suficiente para garantir o epíteto de homem de convicções, LD viu surgir nova oportunidade neste day after do referendo e com um contorcionismo de fazer inveja àqueles artistas de circo chineses que parecem invertebrados e uma sagacidade só ao alcance dos génios póstumos, vem defender que o facto do acto não ter sido vinculativo deve vincular o governo e o PM impedindo-os de alterar a lei.
Leitura confusa da realidade? Nem por sombras.
Imparável, LD adivinha com dotes de cigana de bola de cristal uma futura guerra entre partidos e aponta confiantemente o dedo ao Presidente da República e ao Tribunal Constitucional como garantes últimos que irão sem dúvida impedir o ímpeto de "pensamento totalitário e de extraordinária falta de respeito pelos portugueses" que ele vislumbra na intenção do governo em mexer na lei. Pouco importa que a maioria dos eleitores votantes concorde com a despenalização ou que a Assembleia tenha legitimidade jurídica e política para legislar ou que haja um consenso generalizado e histórico acerca do respeito pelos resultados dos referendos. Mesmo assim, Delgado prefere alinhar com os sectores ultra conservadores do CDS e com alguns infelizes protagonistas de movimentos do não. Se fosse importante seria grave, assim é só ridículo.

Sim, sim, sim...

Finalmente já tenho a 1ª temporada do fabuloso Prison Break...

9.2.07

politonias

a aquecer

Parece piada....Mas aconteceu mesmo...

Hoje de manhã, na 4ª sessão de fisoterapia fiz um torcicolo...

Adivinhar o futuro.

Há quem use búzios, ou cartas, ou folhas de chá no fundo duma chávena. Há quem procure ler as estrelas, os alinhamentos cósmicos, ou as palmas das mãos. Também há adivinhos de bolas de cristal, consultores de espíritos, invocadores de oguns, xóguns e outros que tais. Tudo isto para responder a uma das nossas maiores angústias enquanto seres humanos: o futuro.
Saber de antemão os números do totoloto acarreta um aumento significativo da probabilidade de acertar. Conhecer o resultado final de um jogo de futebol pode fazer maravilhas para diminuir o stress e evitar o recurso aos mais coloridos dos vocábulos do dicionário. Divisar logo pela manhã que um dado dia irá incluir sexo permite escolher a melhor cueca, deixando de lado os slips desbotados pelo selo e com o elástico já gasto, e as meias com o buraco no dedão. O mesmo tipo de prevenção que um tipo pode exercer se souber de fonte segura que mais logo pela tardinha vai parar ao hospital.
Por outro lado, e como é comum num mundo cada vez mais falho de crenças e de fé, há também aqueles que por notória falta de imaginação e de criatividade pura e simplesmente não acreditam em nada, muito menos na possibilidade de prever o futuro. Vivem o momento, satisfeitos na tranquilidade que dá aceitar as coisas que não podem controlar. Usam quanto muito uma boa dose de bom senso (o que me parece algo pleonástico mas adiante) e um conhecimento mais ou menos pormenorizado dos acontecimentos passados como forma de adivinhar o porvenir. Tipos desta laia, apesar de se gabarem do seu estatuto de não crédulos, têm uma tal confiança nas suas capacidades dedutivas que frequentemente chegam a conclusões tão inabaláveis que numa demonstração testosterónica de fanfarronice e estupidez natural proclamam alto e bom som ser capazes de apostar um testículo nelas.
Eu por exemplo não preciso de ser a amiga Maya para apostar um dos meus referidos orgãos em que daqui a 7 anos Cavaco continuará a ser PR e o outro para alvitrar que pela mesma altura ainda estaremos a divergir da Europa nas estatísticas do economês.
Finalmente há ainda aqueles que dizem que o futuro a Deus pertence, mas não se eximem de tentar através de rezas e promessas condicionar o supremo arbítrio do divino.

Aqui chegado, assalta-me a recorrente sensação de que como é costume voltei a cometer o pecado da divagação, a misturar alhos com bugalhos, enfim a perder-me um pouco nesta sensação de formigueiro libertador que me dá na ponta dos dedos quando estou entretido a escrevinhar alguma coisa.
Neste caso, o factor desencadeante foi este: duvido que qualquer bruxo, adivinho, crente religioso ou mesmo mero analista especialista de informática e estatística pudesse prever o sucesso que isto ia ter.
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