os quatro elementos da natureza os quatro pilares da sabedoria os quatro atributos do corpo os quatro cavaleiros do apocalipse

22.5.07

Foi você que pediu um Porto, Ferreira?

Just did it
O que eu vos proponho é um exercício retórico de pura especulação. Numa altura em que os profetas do futebol se apressam em minorizar o feito de Jesualdo Ferreira com a mesma tranquilidade que exaltam a equipa e respectivo comando técnico do Paulo Bento, há contudo uma suposição, dentro destas análises idiotas, em que deveriamos pensar.

O que aconteceria se a 1ª e 2ª voltas do FCP fossem trocadas? Isto é, se fosse na 2ª volta que o Porto tivesse conseguido ganhar 13 vezes e só perder e empatar uma?

Será que o Jesualdo teria "ido com a santa" antes do Natal? Será que a desculpa de não ter feito a pré-temporada com a equipa lhe teria valido de alguma coisa? Será que nesta altura era melhor treinador do que é agora? Será que duvidariam da sua continuidade para a próxima temporada?

A tendenciosa combinação de multiplas variáveis torna obviamente falível qualquer uma das respostas. Para mim o que é certo é que ele ganhou um campeonato que se sabia à partida que tinha 30 jornadas, e não 29 jornadas e 45 minutos, como muitos gostariam.

21.5.07

22



22. Bi. 13 em 20.

Depois de 45 minutos com um pouco de samba e muito de drama, na 2ª parte só deu tango. Tocado com muito coração e com uma garra que esteve ausente nas últimas semanas. Dizem que LIsandro é argentino, mas olhando para a forma como corre e como luta eu diria que ele nasceu algures entre a Sé e Ribeira.

Já não sei quem disse que no Porto qualquer treinador se arrisca a ser campeão. Depois de Adriaanse, Jesualdo veio novamente provar que isso é verdade. É óbvio que deve continuar e não deixa de ser sintomático da forma como a comunicação social trata o FCP que essa questão tenha sido ontem tão levantada. Acho que muitas vezes lê mal o jogo, acho que lidou mal com a pausa natalícia e fez (ou deixou fazer...) contratações mais que duvidosas, mas liderou o grupo e o balneário (sim, sim, com a ajuda do Baía mas isso também é mérito do treinador) e resistiu às pressões e às capas de jornais dos últimos meses. E acima de tudo, num ano em que pura e simplesmente não tivemos presidente, foi Jesualdo que carregou com tudo às costas.

Não é nem de perto nem de longe o melhor jogador do campeonato nem sequer da equipa. Não joga bonito e é até meio tosco com os pés mas quando falha levanta-se e volta a tentar uma e outra vez, sempre com um meio sorriso nos lábios. Quiseram mandá-lo embora, com ameaças de que não ia jogar nem mais um minuto, mas o homem é persistente e tem uma aparentemente inabalável fé nas suas capacidades. Assim, quando Postiga desapareceu perdido em inúmeros protestos e foras-de-jogo, quando Bruno Moraes mostrou que não passa de um brinca-na-areia e quando Renteria nos deixou a pensar que Janeiro serve para pagar favores a empresários, foi a Adriano que Jesualdo teve de recorrer e foi ele que foi marcando os golos que nos aguentaram à frente do campeonato.
Pepe e Quaresma foram essenciais, mas contra tudo e todos, o homem do título é Adriano, o patinho feio.

p.s.- Contra o Nacional roubaram-nos um golo e um penalty. Ontem no jogo do tudo ou nada o 1-1 é ilegal, há um penalty sobre o Jorginho e uma agressão não punida sobre o Adriano. Tudo bem. Mas e se fosse ao contrário?

20.5.07

Elisha Cuthbert


Profilaticamente.
...depois de um post sobre futebol. E antes de mais posts sobre futebol.

19.5.07

A 1 jornada do fim. O meu 11 ideal da liga 2006-2007.



no banco: hélton, miguel veloso, katsuranis, nani, lucho, anderson (porque esteve 5 meses de fora...), micolli ou lisandro.

17.5.07

11.5.07

+

Universidade Nova de Lisboa - Edifício da Reitoria
by Aires Mateus

10.5.07

Perplexidades

hoje ao almoço esta com uns colegas de trabalho...

...um dizia que era o Pina Moura era uma vergonha... primeiro por ter ido trabalhar para Iberdrola após ter descaradamente beneficiado essa empresa quando foi ministro... e depois por ter aceite o lugar na Prisa... e que no caso do Balsemão é diferente porque ele foi empresário de Media toda a vida, mesmo antes de ter entrado na política...

... passados uns minutos o mesmo colega dizia que a entrevista ao Sócrates na RTP1 foi uma vergonha... que os jornalistas estavam notoriamente muito mal preparados, deixando o 1º Ministro à vontade durante todo o trabalho... só haveria 2 explicações possíveis para este facto, ou foram incompetentes ou o governo exerceu a sua influência sobre a RTP...

... passado uns minutos expressei a minha estupefacção por todos nos queixarmos da corrupção reinante no nosso país mas não agirmos em conformidade... apontei como exemplo o caso de Isaltino Morais, Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro, que apesar de serem suspeitos de práticas de corrupção durante os seus mandatos (ou no caso de VL no desempenho de outras funções de interesse público), foram reeleitos pelas populações de Oeiras, Felgueiras e Gondomar... responderam-me que no caso do Isaltino Morais, que era o que conheciam melhor, comprendiam o voto da população de Oeiras devido a tudo aquilo que o homem já fez pelo concelho... diziam-me que IM transformou Oeiras no concelho com melhor qualidade de vida em Portugal e que por isso as suas actividades corruptas podem ser relativizadas... que "no fundo receber luvas de empresários não é roubar o erário público", que "eles ganha tão pouco e fez tanto por Oeiras que é comprensivel que queira um pouco para ele", que "ele fez muito por Oeiras e o que ele roubou dá muito pouquinho a cada um de nós", que "ele ganhava muito pouco e é como no caso do Paulo Macedo não há problema que eles ganhem dinheiro quando são tão competentes" [esta mistura de alhos c/ bugalhos deixou-me sem palavras]... perguntei se ele tivesse morto alguém se também podia ser reeleito dado tudo o que fez por Oeiras... senão, considerando tudo o que fez, até quanto é que pode roubar? Como se estabelece o limite?... Perguntei se o Pinto da Costa deveria ser perdoado por todos os portugueses atendendo a tudo o que fez pelo clube, pelo porto, e pelo país?... Acho que acharam que era um extra-terrestre... por mim fiquei a pensar que se pessoas com a elevada educação, posição social e juventude dos meus interlocutores pensam assim, ainda precisamos de aquirir muita maturidade como cidadãos para fazer o nosso país progredir...

9.5.07

...

Era uma vez um miúdo que vivia numa longínqua aldeia lá para os lados da mais alta serra do país. Tão longínqua era a dita aldeia que ficava, digamos assim, longe de todas as outras aldeias e vilas e cidades do referido país. Na casa onde tinha nascido e na qual tinha passado todos mas mesmo todos os dias e noites da sua vida moravam também um gato muito muito velho a quem nunca ninguém se tinha lembrado de dar um nome, um cão um pouco mais novo mas ainda assim pró velhinho e que passava o seu tempo a coçar-se e a tentar lamber os próprios testículos, e um senhor de meia idade que desde há muito dava pelo nome de tio apesar de não ser tio de ninguém e muito menos do miúdo em questão. Na aldeia, cujo nome não sabemos porque já ninguém o pronunciava, não vivia vivalma, isto com a excepção do tio e do miúdo e do cão e do gato. Não havia escola, não havia café, casa do povo, parque infantil, junta de freguesia, enfim não havia nada daquilo que normalmente há numa aldeia e que acaba por ser aquilo que de facto torna uma aldeia em aldeia e não noutra coisa qualquer. Restava apenas um edifício quase podre com uma cruz no topo que denunciava ter sido em tempos uma igreja, ao lado da qual havia um campo salpicado de diversos amontoados de pedras que sugeriam ser este o local do antigo cemitério.
Em relação aos pais do miúdo e já agora em relação aos restantes habitantes da aldeia o único que poderia explicar o ocorrido era o tio mas mesmo o tio já não se lembrava bem à conta de já ter passado muito tempo e diga-se que mesmo que se lembrasse dificilmente poderia contar o estranho sucedido porque à força de não ter ninguém com quem falar também já não se lembrava de muitas das palavras ou sequer de como as organizar em frases.
Temos então em resumo, e para abreviar o intróito que já vai longo, um miúdo que poderia ter 7 ou 8 anos, mas também poderia ter mais ou até inclusivamente ter menos, e um tio.
Podíamos dizer que viviam um para o outro mas isso seria uma mentira e portanto diremos só que viviam cada um a sua vida e que à conta de morarem na mesma aldeia onde não havia mais ninguém, e na mesma casa onde para além deles só havia o cão e o gato, acabavam por se estar sempre a encontrar. Em qualquer outra aldeia daquele ou de qualquer outro país o tio seria considerado um maluquinho daqueles a quem as pessoas de bem dão esmolas em forma de moedas e de carcaças de pão, menos por pena e mais para parecerem pessoas de bem, mas naquela aldeia o tio era o único adulto e portanto reinava absoluto sobre todas as praças vazias. Deste modo, tudo aquilo que aliás era bem pouco mas adiante, que o miúdo sabia em termos das coisas e da linguagem das gentes tinha sido o tio a ensinar. Como o tio tinha esquecido ou decidido esquecer todos os conceitos que não fossem essenciais, o miúdo desconhecia o que era o bem e o mal, o céu e o inferno, a mentira e a verdade. Moral era coisa que aliás nem sequer se aplicava pela simples razão de que não havia ninguém para julgar nem quase ninguém para ser julgado.
Um dia, como não importa qual nem de que mês nem de ano chamemos-lhe então um qualquer dia-feira, um caixeiro-viajante que como o nome indica ganhava o pão saltando de aldeia em aldeia, perdeu-se tão perdido nas suas andanças pela serra que acabou por encontrar a aldeia desta história. Com uma carroça puxada por uma mula com ar de quem já tinha visto toda a terra até ao fim do mundo e arrebaldes, o caixeiro vendia de tudo um pouco, desde óleo de fígado de bacalhau, a pomadas e unguentos para todo o tipo de aflições mais ou menos comichosas das partes mais ou menos pudendas, passando por ervas para botar maus olhados, ervas para tirar maus olhados, óculos, monóculos, binóculos, dentaduras, dados, cartas, e mais uma catrafiada de coisas que na sua maior parte pareciam ter sido tiradas de caixotes do lixo. Lentamente, e diga-se que um tanto a quanto a medo, o estranho desfile de carroça, mula e caixeiro foi fazendo o seu caminho pelas ruas da aldeia, sob o olhar atento das ruínas das casas há muito desabitadas. Chegados à praça central bastou um pequeno grunhido do condutor para que a mula parasse. Surpreendido pela completa ausência de pessoas, o caixeiro reprimiu o instinto de se beliscar para confirmar se estava mesmo acordado e, em vez disso, limitou-se a olhar em volta. De repente, tanto assim que direi mesmo repentinamente, surgiu como que nascido das pedras da calçada o miúdo, logo seguido a curta distância pelo ritmo preguiçoso do cão e pelo ritmo desinteressado do gato. O curioso diálogo que se estabeleceu ali e então entre a incontinência verbal do caixeiro e os longos silêncios do miúdo foi ao mesmo tempo estranho e agradável para cada um deles. O caixeiro contente por poder finalmente falar com alguém sem estar a tentar vender-lhe nada e o miúdo contente por finalmente ouvir alguém falar. Foi de tal ordem a cumplicidade nascida entre os dois que quando o caixeiro decidiu que era tempo de partir e com um pequeno grunhido pôs a mula a andar, o miúdo que sempre tinha vivido naquela a mais longínqua das aldeias lá para os lados da mais alta das serras do país, começou a andar ao lado da carroça primeiro sem pensar muito nisso e depois já decidido a ir para não mais voltar. Ao longe, de uma das janelas de casa o tio observava em silêncio. Vendo que para além do miúdo também o cão e o gato, este aparentemente a contragosto, se preparavam para ir embora, levantou-se, sacudiu como pôde algumas das camadas de poeira que cobriam a sua roupa e lentamente, mas mesmo assim decidido, saiu de casa sem se preocupar sequer em bater a velha porta de madeira.
Ao percorrer pela última vez os únicos caminhos que tinha conhecido em toda a sua vida, os olhos do tio brilhavam e, pela primeira vez desde há muito muito tempo, ele estava finalmente feliz.

7.5.07

"gatos" mouros deprimentes

há quem lhe possa chamar criação artística, mas o que se assistiu ontem no programa " gatos fedorentos", foi uma reles tentativa de pressão aos árbitros portugueses quando faltam 2 jornadas para acabar o campeonato. Não sei se viram, mas na parte do programa que é reservada aos "tesourinhos deprimentes", um dos ditos "miaus" tentou, com base na repetição oral, fazer crer que efectivamente tinha havido golo naquele célebre Porto- benfica em que o Baia largou a bola. Á margem da "evidência" subjectiva do golo e do critério muito duvidoso da piada - se é, que havia algum propósito humorístico-, os ataques contínuos ao FCP, podem começar a denotar uma tendência falaciosa.

O critério, muito lato, da criação artística ou humorística, na escolha dos temas a abordar semanalmente, começa a revelar uma azia e uma indisposição mental reveladoras, mesmo para quem tem 7 vidas. Principalmente, depois de uma semana, em que no lado "iluminado" da segunda circular não faltaram coxos e incontinentes verbais.

Eufemismos.

O departamento médico do Benfica diz que o Nuno Gomes sofre de "sinais de síndrome púbico", mas o país real que debita as verdades nos cafés enquanto bebe finos, come tremoços e palita os dentes, sabe que na realidade o gajo é mas é impotente para marcar golos.
Como já é tradição na instituição, também ele vai ser tratado na Alemanha porque está bom de ver que não há nada melhor para o pos-operatório que comer sauerkrat beber weissbier e ser apaparicado por uma enfermeira mamalhuda chamada Gretel.

6.5.07

Simplesmente...


eu sei que tacticamente tem muito para aprender. sei que o miúdo quase não defende. sei que por causa da lesão ainda lhe falta algum ritmo, sei que dá muitas vezes a ideia de que já não pode com uma gata pelo rabo, sei que desaparece do jogo durante largos períodos. mas também sei que vê-lo em corrida de cabeça levantada, sempre com a bola quase colada ao seu lindo pé esquerdo, tão alegre e despreocupado como se estivesse a jogar na rua com os amigos, enfim, isso é sal e salero, é cereja em cima do bolo, é lindo demais.
p.s.- até ao início do jogo ainda não tinha sido capaz de perceber o porquê da nomeação de um árbitro tão inexperiente para um dos jogos mais decisivos na luta pelo campeonato. mas ao intervalo, ou seja, com um golo e um penalty a menos para nós a juntar a uma série de cartões perdoados para eles , já não restavam dúvidas: mesmo careca e com outro nome, aquele senhor era sem dúvida o Lucíio Baptista.

4.5.07

A China.

Da edição da semana passada do Courrier Internacional...

Há décadas que a política dos EUA, e mais recentemente também da UE, em relação à China se baseia na premissa de que estimular o seu desenvolvimento económico vai resultar em alterações positivas no sistema político. Segundo um discurso de Bush ainda enquanto governador do Texas, "...a liberdade económica cria hábitos de liberdade. E os hábitos de liberdade suscitam expectativas de democracia".
Esta ideia parte da teoria do "mundo plano" de Thomas Friedman, a partir da qual é razoável esperar que se "eles" querem a mesma coisa que "nós" então "eles" vão tornar-se como "nós".
A isto, James Mann (apresentado como um especialista em relações sino-americanas) chama "a ilusão Starbucks", defendendo que não é por os chineses comerem no Mcdonald's ou beberem café da dita marca que o seu sistema político se tenderá a parecer com os nossos. Tudo porque a nova vaga de classe média urbana de chineses, principais beneficiários da situação actual, podem ter interesse em manter o regime como está evitando assim reformas políticas que possam alterar o status quo social e económico.

Quando os governos ocidentais escolhem fechar os olhos ao repressivo regime político chinês, ou aos seus milhares de condenados à morte (sendo que até crimes fiscais podem merecer esta pena...), ou ao recurso a mão-de-obra infantil, ou ao apoio chinês a ditadores como Mugabe, etc..., chamamos a isto pragmatismo político e vamos aceitando porque nos favorece economicamente e em parte porque acreditamos (ou dizemos acreditar...) que esta transigência vale a pena porque mais cedo ou mais tarde irá resultar numa democratização da China.
James Mann deixa no ar a inquietante hipótese de a China não mudar e assim se poder tornar num exemplo a seguir por outras países e ditaduras por esse mundo fora.

28.4.07

Boavista 2 - Porto 1...(#§$&##«*$%"##«§)

Já tenho mais do que idade para ganhar juízo mas a verdade nua e crua é que continuo a não me saber controlar quando vejo um jogo do Porto. Não me chateio com ninguém, não insulto nem provoco as pessoas que estão a meu lado mas irrito-me a um ponto pouco saudável e quase incompreensível. De tal forma que mesmo agora, uma boa hora depois, só uma réstia de bom-senso impede este post de ser um chorrilho de asneiradas à boa maneira tripeira. Escrevo para descomprimir um pouco antes de ir lavar a louça do jantar, para diminuir o risco de partir umas quantas peças, enfim, para libertar esta bílis malina que se acumulou cá dentro na última hora e meia. Por pontos:
-é inacreditável a atitude com que o Porto entrou no jogo. Não falo na escolha mais que duvidosa do 11 titular, mas sim da forma displicente como se encarou um jogo decisivo ainda para mais contra uma equipa que já se sabe que faz sempre das tripas coração para nos tirar pontos.
-é inacreditável que Jesualdo Ferreira veja tranquilamente instalado no banco a equipa oferecer 45 min. de avanço, sem fazer substituições, sem gritar, sem tentar alterar aquele comportamento vegetativo.
-finalmente, e mesmo dando de barato a minha parcialidade, é inacreditável ver jogos do Porto na TVI. Entre outras preciosidades, ficámos a saber que temos ganho os últimos jogos não por mérito mas sim porque as outras equipas nos tem "oferecido as 1ªs partes", ficámos a saber que Ricardo Costa devia ter sido expulso pelo menos 2 ou 3 vezes e que "vai certamente levar um sumaríssimo que vai fazer com que o Porto fique sem centrais para o próximo jogo", ficámos a saber que Bruno Alves também devia ter sido expulso, ficámos a saber numa jogada de entrada em pé em riste igual a tantas outras que " e agora se o árbitro não explusa Quaresma é só porque não quer", ficámos a saber sempre mas mesmo sempre que o locutor falou do golo do Porto que foi "um lance em que o árbitro entendeu que o guarda redes Peter J. derrubou Adriano", enfim, sou forçado a concluir mais uma vez que são tão parciais nas análises como eu, com a grande e significativa diferença de que eu não sou jornalista nem me tento passar por neutro.

26.4.07

Ai, ai, logo agora que o Sócrates estava à rasca...

A saga do PSD em Lisboa continua a dar que falar ao ritmo de cada cavadela cada minhoca. Com Carmona como arguido, esta senhora de nome Marina Ferreira vai com grande probabilidade ser a próxima presidente da câmara de Lisboa.
A partir de agora confesso que nas próximas eleições autárquicas vou prestar muita atenção ao números 2 e 3 e 4 de cada lista.

25.4.07

A reminiscência comunista em Portugal e outra considerações que tais...

"Durante os últimos três anos tenho visitado Portugal com alguma frequência questionando-me, muitas vezes, se este é um país normal. A título de curiosidade, posso afirmar que nasci e passei toda a minha vida em Espanha, sendo que, numa altura em que o país se encontra sob a batuta de Zapatero, estou inclinado a dizer que o meu país também não é normal. Assim sendo, estamos empatados. Começando por Portugal, quero expressar que existem alguns aspectos deste rectângulo acolhedor que me incomodam ligeiramente. O primeiro é a reminiscência comunista. O segundo, a hipocrisia dominante. É um facto insólito na Europa que o principal sindicato de Portugal continue a defender a propriedade pública dos meios de produção e dos serviços, que seja reticente perante o mercado e que se comporte como um activista anti-sistema – ao ponto da CGTP ter convocado uma greve geral contra o Governo de Sócrates, que se por alguma coisa se destaca é pela falta de ambição capitalista. A minha opinião acerca dos sindicatos portugueses, espanhóis e outros em geral é muito clara: são um cancro, um dos tumores que impedem o crescimento da economia, que minam o bem-estar dos cidadãos e do progresso social. Estes vivem, fundamentalmente, da subvenção publica, possuem uma representatividade marginal – porque, pelo menos em Espanha, o número de pessoas sindicalizadas é mínimo, sendo poucos os que pagam as respectivas quotas –, e apenas se preocupam em defender o ‘statu quo’: primeiro o seu emprego, que consiste basicamente em protestar e opor-se a tudo, e depois os de quem os têm e querem conservá-los a todo o custo, numa selva laboral mais hostil que nunca. O resultado é óbvio: graves prejuízos para os jovens, estudantes, imigrantes, ou seja, para todos os grupos que não estão instalados.

Antes também já referi, arriscando a minha reputação e talvez pecando por frivolidade, que este é um país frequentemente hipócrita. Levamos quase um mês a discutir o título académico de Sócrates e as eventuais irregularidades que rodeiam a sua licenciatura, despendendo bastante mais energia do que a necessária. Portugal é um país católico. Os políticos mentem mais do que falam - como se comenta em Espanha. Mas a nossa religião já resolveu este dilema. Primeiro mente-se, depois confessamo-nos fazendo actos de contrição, e o padre absolve-nos dos nossos pecados livrando-nos da penitência; se formos perseverantes comungamos, e depois voltamos a mentir porque a natureza humana não tem remédio, gozando a política de uma insanidade muito maior. Com tudo isto pretendo dizer que em Portugal, à semelhança do que acontece em Espanha, a mentira é um pecado venial e perfeitamente corrigível - uma situação completamente diferente da que se vive no mundo anglo-saxónico.

Concluindo e resumindo, vamos deixar de perder tempo a descobrir se o senhor Sócrates é, ou não, engenheiro. Como sou espanhol consigo perceber perfeitamente o cariz jocoso do assunto. Zapatero, por exemplo, que tem a sua licenciatura em Direito perfeitamente acreditada, passou vinte anos como deputado em Madrid a carregar num botão – SIM ou NÃO. Apesar deste ‘curriculum vitae’ espectacular hoje é, infelizmente para o país, o primeiro-ministro de Espanha. Percebo perfeitamente que esta seja uma situação difícil de aceitar por todas as pessoas honestas, mas bastante melhor preparadas, que desejariam ter um timoneiro bem mais capaz. ‘But it’s life’. Em Portugal, o facto irrefutável é que Sócrates é o primeiro-ministro. Deve ser julgado pelos seus actos, deixando de lado os seus títulos académicos. Portugal tem inúmeros desafios pela frente e vai passar muito tempo, caso se dedique a vencê-los, até que voltem a conjugar-se circunstâncias tão propícias e favoráveis: um Governo de maioria absoluta, um primeiro-ministro extremamente popular, uma oposição muito frágil e um país convencido – se bem que ainda reticente e preocupado –, da necessidade de reformas. Catolicamente falando, seria um pecado capital que Sócrates incorresse na passividade, na indolência, no comodismo e no pragmatismo.

Portugal é um país muito pequeno, com uma grande história, que navega entre duas águas. Uma é a que reflecte o recente relatório de Vítor Constâncio, o Governador do Banco de Portugal, estimulando a ambição reformista, destacando as deficiências da economia e da sociedade portuguesa – no mercado laboral, na educação, na Administração Pública. No outro lado encontra-se o sindicalismo comunista rançoso, a resistência à mudança profunda de Portugal, e quem sabe se do pragmatismo calculista do socialismo de Sócrates, talvez mais dependente de governar durante os próximos quatros anos do que aproveitar os que ainda lhe restam. Seria uma pena."

Miguel Angel Belloso, Ex-director do “Expansión”
in Diario Economico

P.S. 1 - Para contextualizar este artigo note-se que Miguel Angel Belloso é assumidamente de direita (possivelmente, da dita direita "conservadora", "ultra-liberal" e "reaccionária"). O artigo suscitou algumas fortes reacções contrárias por parte de alguns cibernautas que podem ser lidas aqui

19.4.07

Messi: Que homenagem a Maradona!!!

Golo fenomenal a fazer lembrar o de Maradona à Inglaterra no Mundial de 1986 no México.

Vale a pena ver e rever!

25 anos depois...

Já há vários meses que Pinto da Costa, acossado pelo processo do apito, não exerce de facto o cargo de presidente do FCP. Onde antigamente se viam declarações contundentes caso a equipa fosse prejudicada ou manifestações públicas de apoio a treinadores e jogadores aquando das derrotas, agora não se vê nem se ouve nada, apenas e só silêncio. Como é da praxe e das leis da bola, isto é irrelevante desde que se ganhe, mas e se a coisa acabar por correr mal?
Quanto à vida pessoal de PC ela não deve, por definição, ser chamada a este tipo de comentários mas a verdade é que foi ele próprio a misturar as coisas quando entendeu transformar a sua grande paixão Dona Carolina em putativa primeira dama do clube (com os resultados que se conhecem). Assim sendo, e quando vejo noticiado o suposto casamento de PC com uma nova grande paixão (na pele de uma "empresária" brasileira 43 anos mais nova que ele) não posso deixar de me interrogar primeiro sobre possíveis consequências para o clube e segundo sobre o estado de lucidez do homem.
Por estas razões, parece-me que esta ideia até poderia ter alguma lógica.

p.s.- curioso é que PC, à cautela, só a tenha verbalizado no dia anterior à data limite de entrega das listas...

13.4.07

É isto o futuro da imprensa escrita?

Tal como muitos outros passei anos e anos a chamar espesso ao Expresso. Mesmo agora que ganhei o vício semanal da sua compra, a primeira coisa que faço é reciclar directa e mecanicamente metade do conteúdo do famoso saco de plástico. Hoje comprei o Público e para além do caderno principal temos o P2, o ípsilon, o imobiliário, o inimigo público, a economia, um suplemento de teatro, outro do indie lisboa e ainda a revista escolhas. Aproximadamente 900 g de papel o que tomando em linha de conta o preço de capa dá qualquer coisa como 0,139 cêntimos por grama de jornal.

31.13


...

Paul Wolfowitz, Presidente do Banco Mundial pede desculpas por ter promovido a namorada...

A humildade é uma coisa bonita e merece ser recompensada. Quase apetece dizer algo do estilo ok pá deixa lá isso, a gente sabe que o amor nos faz perder a cabeça e afinal de contas errar é humano.
O único problema, digamos pequenino problema, é que este senhor foi o principal arquitecto dentro da Administração Bush da teoria da guerra preventiva, e da teoria de que os iraquianos iriam receber os "libertadores" americanos com rosas, e da teoria do efeito dómino da "democracia" iraquiana sobre o resto dos países árabes. Alguns anos e muitos milhares de mortos depois, o Iraque está em processo de implosão e o Irão aproveitou o caos criado para estar em vias de possuir a bomba atómica. Curiosamente sobre isto não há registo de nenhum pedido de desculpas.

11.4.07

A entrevista.

Não tinha, até hoje, dado à minha opinião (pelo menos aqui no blog) sobre o caso da licenciatura de José Sócrates. Confesso que estava à espera de ouvir o que o homem tinha para dizer, de viva voz e em directo, sem comunicados ou acessores de imprensa pelo meio. A entrevista de hoje na RTP, que alguns irão certamente classificar ou pelo menos insinuar como sendo "arranjada" ou "escolhida" a dedo, foi conduzida por 2 dos meus jornalistas preferidos, insuspeitos de serem pressionáveis. Terminada a mesma, fico com estas sensações:

1-o PM demorou tempo a mais para vir a terreiro defender-se, dando azo a que se instalasse na sociedade uma certa desconfiança. Foi até algo penoso que aquilo que deveria ter sido uma análise de 2 anos de governação se tenha tornado em boa parte num "julgamento" com Sócrates como réu. As explicações dadas pareceram-me satisfatórias.
2-acho que Sócrates aproveitou certas facilidades dadas por algumas Universidades privadas para este, digamos, tipo de alunos (é aliás significativo que muitos deputados só tenham concluído os cursos já depois de chegarem à Assembleia). Talvez um plano de estudos menos exigente, talvez até exames mais fáceis. Não duvido que tenha sido esta a razão fundamental para que ele tenha escolhido a Uni e não vejo nisso nada de especialmente grave, dado que até à data não há uma única prova consistente de ilegalidade ou tratamento diferenciado em relação a outros alunos da mesma instituição.
3-num processo que vive de discrepâncias nos registos e nas declarações dos diferentes intervenientes, acho que é importante não esquecer que a história nasceu na blogosfera em 2005!!! e que o Público (da Sonae) só pegou nela alguns dias depois de o governo ter supostamente contribuído para o chumbo da OPA (da Sonae) sobre a PT. Também significativo é o facto de o mesmo Público (da Sonae) ter lançado uma notícia on-line, supostamente complicada para o PM, uns minutos antes da início da entrevista. (Acham que este parágrafo representa uma insinuação? Sim, sem dúvida, mas nem mais nem menos que a própria investigação sobre o caso. Limitei-me a constatar simples factos, que permitem interpretações mais ou menos crédulas.)
4-é absolutamente nojento que uns minutos após o fim da entrevista, Marques Mendes, em vez de criticar o desempenho do PM em áreas como o emprego, economia ou saúde, venha tentar cavalgar a onda exigindo uma "investigação por uma entidade independente".


p.s.- à laia de declaração de intenções, fica dito para quem ainda não saiba que eu votei em Sócrates e que acho globalmente positivo o saldo destes 2 anos de governo (apesar de ter sérias dúvidas sobre OTA's e TGV's...)

6.4.07

Post mete-nojo.

Hoje à noite, no São Rosas em Estremoz...

Com aquela peculiar noção de tempo e de calma que só o Alentejo transmite, vamos começar bem devagar e da melhor maneira possível, ou seja, pelo princípio, que neste caso são as entradas.
Falo-vos de farinheira assada, de chouriço alentejano e dos enchidos tradicionais de porco preto. Sei que também não resistiremos às amêijoas à Bulhão Pato, aos cogumelos com alho, às duas versões de omelete em textura superlativamente cremosa e às geniais gambas fritas panadas. Por esta altura já os nossos sangues estarão enriquecidos com um generoso vinho, provavelmente da região, naturalmente tinto e forçosamente bem encorpado, essencial para bem abrir o paladar e a alma a este verdadeiro ataque aos sentidos.
Se bem que contrariados , talvez saltemos a açorda de bacalhau ou a sopa de tomate, para deixar espaço suficiente nas entranhas para dignificar condignamente a magnífica secção de carnes. Escrevo já angustiado pela crueldade que será ter de escolher entre umas migas de pão com entrecosto e uma dose de lombinho fritos, isto sem falar das opções borrego ou rosbife. E os acompanhamentos, ouço-vos a salivar entre dentes?
Esparregado, batatinhas fritas às rodelas grossas, cebolinhas estufadas, cenourinhas com ervas, alho e vinagre, saladinha de tomate, etc...
Enfim, se a gula não nos tiver morto, esta será a altura em que faremos uma pausa para um mui raro cigarro, seguido de um café para recuperar forças antes de atacarmos as sobremesas. Há pudim-de-água de Estremoz, tarte tatin e outras coisas tais, mas aqui para nós eu inclino-me com um sorriso antecipado de puro extâse para o pão-de-ló de Alfeizerão. Se aqui chegado tiver bebido o suficiente para não me importar com a conta, provavelmente darei por encerrada a estadia com o precioso auxílio de um digestivo e de mais um café.
Depois, com o à vontade que só o álcool e a sensação da gula satisfeita podem dar, eu e a A. (que honra lhe seja feita fez finca-pé neste salto a Estremoz) saíremos para a praça central da cidade, onde a famosa Torre de Menagem se ergue imponente numa constante tentativa de alcançar o céu estrelado.


3.4.07

Apagão na Luz

Ex-futuros-campeões saíram de cabeça baixa e muito apagados.

29.3.07

...

Com toda a suavidade de movimentos de que era capaz, rodou lentamente o corpo e sentou-se na berma da cama. Debaixo dos cobertores não se tinha dado conta do frio, teria vindo assim tão de repente?, que fazia no quarto. Estremeceu com um arrepio quando se levantou, nú, tentando habituar os olhos à quase penumbra do espaço. Tropeçou nos seus sapatos castanhos e tacteando encontrou logo ao lado o volume onde conviviam amarrotadas as restantes peças de roupa. Sorriu fugazmente, congratulando-se em silêncio por, mesmo no calor do momento, não se ter esquecido de atirar toda a roupa para o mesmo sítio. Um ligeiro estalido das molas da cama seguido por um leve, quase imperceptível movimento fê-lo parar por instantes. Foi assaltado por uma dúvida, será que ela estava mesmo a dormir ou simplesmente se limitava a fingir para não ter que lidar com ele?, que sacudiu no segundo a seguir com um encolher de ombros que denunciava que isso lhe era totalmente indiferente, desde que pudesse evitar o tremendo desconforto destes momentos.
Abominava em especial a conversa de circunstância, a falsidade de falas e sorrisos, o peso ruídoso dos silêncios incómodos. Para quê dizer à mulher eu depois ligo-te ou havemos de ir jantar um destes dias? Se havia algo que tinha aprendido bem na vida, com aquela dose de dor suficiente para que nunca o pudesse esquecer, era que só vale a pena mentir a alguém se para nós for importante que essa pessoa acredite. Deu facilmente com a porta da rua, as mulheres solteiras costumam viver em casas muito pequenas, saiu e chamou o elevador. Já na rua puxou as abas do casaco para cima, meteu as mãos nos bolsos e avançou, estugando o passo, decidido a enganar o frio que já sentia enquanto se esforçava por relembrar onde encontrar uma paragem de táxis. Um som estranho fê-lo virar a cabeça e a seu lado, sozinho no meio da rua deserta e mal iluminada pela fraca luz dos poucos candeeeiros que ainda funcionavam, um saco de plástico agitava-se ao sabor dos caprichos do vento. Sem saber muito bem porquê deixou-se ficar hipnotizado a observar o inesperado bailado. O saco estava em mau estado, furado, molhado e com as letras que tinha impressas num estado que quase impedia a identificação do supermercado de onde teria vindo. Parecia algo cansado.
Apanhou finalmente um táxi e foi entretendo o motorista com acenos monossilábicos, enquanto ele, satisfeito por ter encontrado um par de ouvidos, discorria livremente sobre um qualquer jogo de futebol.
Só ao entrar em casa é que se lembrou que já não comia há um bom par de horas. Disse olá à gata, que se limitou a levantar ligeiramente a cabeça e a olhá-lo de lado quando ele ligou a luz, e abriu o frigorífico. Das prateleiras, apesar do vazio desconsolado que apresentavam, parecia mesmo assim emanar um cheiro algo desagradável, dos restos da carne que a empregada (como era mesmo o seu nome?) tinha cozinhado na semana passada?.
Resignou-se a comer as 2 fatias de pizza que tinham sobrado do jantar de ontem. Sentou-se no sofá, ligou a televisão e comeu tendo como companhia uma apresentadora americana, muito elegante nas suas calças de lycra, entretida a promover um creme para tirar a celulite do rabo. Desligou e apercebeu-se do seu reflexo a encará-lo a partir do ecrã da televisão. Com alguma surpresa, constatou que aquele, seria mesmo ele?, parecia um homem cansado.

E agora, o Benfica-Porto...

Estamos com a moral em baixo (por estar a disputar taco-a-taco um campeonato que estava praticamente resolvido...), fisicamente de rastos, com Anderson meio manco, com Helton à beira de um ataque de nervos, sem Lisandro (suspiro...), com um Lucho quase nulo e quase sem avançados de jeito, provavelmente equipados com aquela imbecilidade laranja que faz as vezes de farda alternativa, enfim, o rosário é longo e penoso.
Por outro lado, eles estão entusiasmados, eles estão em boa forma, eles têm a onda vermelha e um estádio cheio, eles são o "maior clube do mundo".
Óptimo. Da forma como as coisas estão só mesmo este tipo de desafio para despertar o Porto da estranha letargia em que temos (sobre)vivido.

O meu 11 e demais sugestões:

V. Baía, Fucile, Bruno Alves, Pepe, Cech, P.Assunção, R.Meireles, Bosingwa, Lucho, Quaresma, Adriano.

adenda 1- com Anderson pronto a entrar na 2ª parte,
adenda 2- com Bruno Moraes e Alan em casa a tentarem fintar-se um ao outro,
adenda 3- com Jorginho, Vieirinha, Renteria e Postiga (suspiro...) como eventuais opções de ataque,

27.3.07

"Purity Balls"

Começaram em 1998 e são cerimónias tipo casamento, com vestimentas a rigor, limusinas, baile de gala, troca de votos, etc e tal. O pormenor que marca toda a diferença é que não há noivos e noivas, mas sim pais e filhas.
Entre os cristãos conservadores dos EUA, esse simpático grupo de crescente influência que ao fim e ao cabo tantas coisas boas tem trazido à humanidade, (Bush Jr, o Creacionismo,...) continua a aparentemente imparável caminhada para a pureza absoluta e vai daí começa a tornar-se moda esta troca de votos em que o enlevado paizinho promete à adorada filhota que irá ser fiel à mulher, manter uma mente pura e não recorrer ao uso de pornografia e esta por sua vez promete ao progenitor que se manterá virgem até ao casamento. É opcional a colocação de um "purity ring" ou uma "chastity bracelet" no dedito ou bracito da petiz, sendo que no dia da consumação do casamento a santinha as deverá entregar ao marido!

p.s.1- Freud deve estar a rir-se que nem um perdido...

p.s.2- Estima-se que em 2006 tenham ocorrido perto de 1 400 Purity Balls nos EUA e em 2007 a cifra deve duplicar. Isto num país em que o Governo já gasta 206 milhões de dólares/ano na promoção das campanhas de abstinência sexual nas escolas.

p.s.3- Um estudo conduzido por investigadores das Universidades de Columbia e Yale mostra que 88% das miúdas que assumem o compromisso de pureza acabam por ter sexo antes do casamento, muitas vezes de forma não protegida.

26.3.07

Momento bolo-rei

Por iniciativa de Cavaco Silva hoje há um debate no Palácio de Belém para marcar os 50 anos do Tratado de Roma. O nosso PR decidiu convidar "todos os ex-ministros dos Negócios Estrangeiros, todos os ex-secretários de Estado da Integração Europeia, todos os comissários portugueses nas instâncias comunitárias, todos os embaixadores na Representação Permanente em Bruxelas e todos os altos funcionários e directores-gerais que estiveram na Comissão."
Segundo Cavaco a ideia é «homenagear os funcionários executivos que criaram condições para uma boa adesão e o bom desempenho que se seguiu».

Tudo muito correcto e tudo politicamente irrelevante como é costume neste tipo de datas.
Mas excluir Mário Soares, e ainda para mais tentar justificar a coisa com estes critérios "muito claros"? É uma actitude deselegante e imprópria para um PR.

P.S.- E não. O facto de Mário Soares ter tido uma série de intervenções e comportamentos incorrectos para com Cavaco, não só durante a campanha como também já depois de ele ser o PR, não justifica este castigo...

23.3.07

"Oxalá cresçam pitangas"

"A alegria, o ritmo, a graça e a desgraça de viver em Luanda."
Ontem à noite na RTP 2, histórias de vidas duras, repletas de drama, mas ao mesmo tempo de uma esperança e de um optimismo que nos faz sorrir. Sem narrador, só as pessoas e os seus olhos grandes e pretos a falar para a câmara.
As crianças que passam os seus dias a tomar conta dos irmãos mais novos porque o pai ou a mãe vão tentar ganhar o pão do dia vendendo nas feiras e nas ruas da grande cidade.
A adolescente que na escola se esforça por dominar as regras da tabuada e da divisão enquanto dá de mamar ao seu bébe.
As amigas que conversam animadas numa esplanada improvisada na areia de uma praia na baía de Luanda tendo ao fundo um gigantesco navio de cruzeiros deixado ali para morrer.
O tipo que nos fala da forma de ser dos angolanos (da maneira como julgam os outros povos desde os portugueses que são tugas aos sul africanos que são feios) e da sensação de superioridade sobre os restantes africanos e de inferioridade perante os europeus.
O taxista que com um brilho de felicidade nos olhos conta que ao acabar o seu dia de trabalho a primeira coisa que faz é correr para casa para estar com o seu filho e a sua futura mulher, e que sempre quis ter um filho aos 25 anos porque é uma idade em que já se é adulto mas ainda se é suficientemente criança para brincar com ele.
Enfim, um grande documentário.

15.3.07

Casal do ano.



Ou a história do amor impossível entre um cigano de brinco na orelha e um tipo de fato gravata e cabelo risco ao meio.

14.3.07

Sementem ut feceris, ita metes. (ou cada um colhe conforme semeia...)

Apesar de ser ateu, se bem que baptizado, sempre tive um interesse particular pela Igreja e pelas suas posições.
Talvez por ser verdade que a longuíssima herança histórica e os chamados valores cristãos difundidos pela Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) explicam em grande parte aquilo que somos enquanto sociedade, com os defeitos e as virtudes a isso naturalmente inerentes.

Vem isto a propósito do documento Sacramentum Caritatis, onde o Papa Bento XVI se debruçou sobre a eucaristia, deixando recomendações a fiéis e a sacerdotes. Se estes últimos ficam a saber que o celibato continuará a ser obrigatório (tomando como exemplo a "virgindade" (??) de Cristo), os primeiros confirmam sem grande surpresa que os divorciados católicos que voltem a casar continuam a estar proibidos de comungar. São sem dúvida temas interessantes, mas a verdadeira novidade do documento é a sugestão (não será mais instrução?) para que nas eucaristias de maior dimensão se recuperem práticas antigas como o canto gregoriano e as liturgias em latim.
Ora, nas poucas missas a que vou assistindo confesso que uma das coisas que pior impressão me causa é a nítida sensação que muitos dos crentes se limitam a repetir mecanicamente e entredentes o ritual de termos e orações, com evidente prejuízo para a espiritualidade que julgo ser o objectivo pretendido. Sugerir, com o recurso a uma língua morta e enterrada, o regresso a um tempo em que a Igreja cultivava um distanciamento formal entre sacerdote e congregação parece-me claramente um erro. Não duvido que alguns possam ver nisto um misto de coerência, uma tentativa de unificar de alguma forma as celebrações nos diferentes países ou até uma forma de a ICAR não deixar diluir os seus valores, mas se o caminho é esse então qual será o passo seguinte: voltamos a ter o senhor padre de costas para os fiéis?
Pela fé, pelos valores, enfim pelo peso que ainda tem nas mentes e opiniões de muitos, a Igreja continua a ser nos difíceis tempos que correm uma instituição importante. Fechar-se desta forma numa trincheira pode assegurar a sua sobrevivência mas duvido que a longo prazo se revele benéfico tanto para a ICAR como para a sociedade.
De qualquer forma, e para que tenham uma noção daquilo que está em cima da mesa, sai um Pai Nosso para irem decorando:

Pater noster, Qui es in caelis,
sanctificetur nomem tuum. Adveniat regnum tuum.
Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra.
Panen nostrum quotidianum da nobis hodie.

Et dimitte nobis debita nostra, sicut et
nos dimittimus debitoribus nostri.
Et ne nos inducas in tentationem: sed libera nos a malo.

Amen.

13.3.07

Substituíram pontos de interrogação por pontos de exclamação...

Um homem muito rico, estava muito doente e à beira da morte. Pediu papel e caneta, e escreveu o seguinte:

DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ NÃO A MEU SOBRINHO JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO ALFAIATE NADA DOU AOS POBRES

Morreu antes de fazer a pontuação. Para quem deixou ele a fortuna? Eram quatro os concorrentes:

1) O sobrinho fez a seguinte pontuação:
Deixo meus bens à minha irmã ? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada dou aos pobres."

2) A irmã chegou em seguida e pontuou assim o que estava escrito:
"Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada dou aos pobres."

3) O alfaiate pediu uma cópia do original e puxou a brasa à sardinha dele:
"Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada dou aos pobres."

4) Então, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabichão, fez a seguinte interpretação:
"Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Dou aos pobres."

O Sr. Hans Blix em entrevista ao "Independent" sugeriu que o Sr. Tony Blair e o Sr. George W. Bush fizeram um exercício semelhante para justificar a acção sobre o Iraque.

8.3.07

Uma ideia perigosa.


"A petição contra a criação do Museu de Salazar em Santa Comba Dão, que começou a circular no passado sábado, reuniu já 3.500 assinaturas na Internet, segundo a União dos Resistentes Anti-Fascistas Portugueses (URAP)."


Nunca vivi em ditadura. Direi mesmo que as únicas pessoas que exerceram verdadeira autoridade sobre mim em determinada fase da vida foram os meus pais, mas duvido que ser obrigado a comer a sopa até ao fim e ir para a cama depois do vitinho se possa comparar a viver num regime de opressão.
Admito por isso que me falte tarimba, experiência, quem sabe até maturidade e consciência política para opinar correctamente sobre este tema, mas isso é não só completamente irrelevante como constitui mesmo a beleza singular de viver em democracia. Mais do que a revolução do proletariado ou as conquistas dos trabalhadores, parece-me que o direito à opinião livre é a grande vitória de Abril. E esse direito, mesmo não sendo absoluto, não deve estar sujeito à visão das maiorias e muito menos a condicionalismos legais.
Consequentemente, aceito embora sem concordar que Salazar ou Cunhal possam ganhar um qualquer concurso televisivo e aceito embora sem perceber que haja indivíduos que insistem em endeusar os méritos de um regime que assegurava ordem a troco da liberdade individual de cada um. Tudo isto implica que também aceito com naturalidade que uma organização como a URAP sirva, 30 anos depois, para algo mais que jantares comemorativos onde se matam as saudades e se exibem as comendas. Que a URAP esteja contra a ideia de um museu de suposta glorificação de Salazar não é mais que uma atitude coerente. O que já me custa um pouco mais a perceber é que essa luta passe por uma tentativa de proibir por lei que isso possa acontecer. Aceito, mesmo sem compreender, que alguém goste de Salazar ou que preferisse até viver numa sociedade como a de então.
O perigo é que não aceitar agora este museu é estar a abrir a porta para que no futuro alguém se ache no direito de nos impor as opiniões e os gostos pessoais da maioria da altura.
Liberdade implica sempre o direito à subjectividade de apreciação, tanto do presente como do futuro.
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