os quatro elementos da natureza os quatro pilares da sabedoria os quatro atributos do corpo os quatro cavaleiros do apocalipse

31.8.06

o (Out)dependente


Não tendo conseguido encontrar um novo investidor, oIndependente sai amanhã pela última vez. O jornal que chegou a ser referência de uma geração, foi lançado pela primeira vez em 1988, sob a direcção de Miguel Esteves Cardoso, e chegou a vender perto de 100 mil exemplares, no início da década de 90.

Embora, este seja o desencadear lógico das leis de mercado, assentes em permissas em que a qualidade é quase sempre relegada para um plano inferior; não posso deixar de fazer notar que O Independente já há muito se encontrava moribundo, quase que a pedir a eutanásia.

Who Killed The Newspaper?

Outro artigo que recomendo do The Economist. É interessante verificar que as dificuldades por que passam alguns títulos nacionais (por exemplo o Público) tem raízes semelhantes às de muitas outras publicações internacionais.

29.8.06



...porque às vezes os líquidos não obedecem às leis da natureza e não se limitam a descer no sentido do plano inclinado. Às vezes, mas só às vezes, outras forças mandam mais.

Por exemplo, a electricidade estática à superfície da epiderme, ou a orientação dos folículos que são o casulo onde moram os pêlos. Pode até, o causador da irregularidade, ser um músculo que se contrai num dado momento mais ou menos inesperado ou até um simples arrepio, mesmo que leve, mesmo que muito breve.

Às vezes, poucas ou nenhumas vezes, os líquidos fartam-se da previsibilidade do seu comportamento, não por causas que a física, a dinâmica ou outras ciências humanas possam explicar mas apenas e só porque sim. Porque até uma gota de água tem direito a ter um simples momento de espontaneidade, mera satisfação de um capricho ou vontade.

28.8.06

m.a.s.L.*


*movimento de apoio à subida do Leixões.

por causa dos ataques elitistas, respostas acéfalas, certezas prepotentes e incontinências verbais entre dois dos clubes envolvidos, parece-me que é o Grande Leixões que, por decreto de lei aprovado em conselho de ministros, deveria jogar entre os maiores. A humildade e a educação dos "senhores dos mares", mostra de facto, quem sabe estar no futebol.

Filosofia de Verão, na praia.

Não há nada mais ridículo que um homem a jogar futebol de tanga.

27.8.06

Rentré...


... após um Verão escaldante e farto!

20.8.06

simplesmente V.B.


É só,... o jogador no activo com mais títulos ganhos, entre os quais se contam a liga dos Campeões, Taça das Taças, Taça UEFA e Taça Intercontinental ( e desde ontem, mais uma super-taça portuguesa). Icôn de uma geração. Jogando sempre ao mais alto nível, nunca se deixou deslumbrar com os títulos, fama ou dinheiro, tendo inclusivamente criado uma fundação com preocupações filantrópicas.

Aos mais diversos ataques que foi sofrendo ao longo da sua Longa carreira, orquestrados, quer por teóricos complexados e invejosos, quer por colegas (e selecionador) eticamente desonestos; respondeu sempre com educação, desportivismo e sobretudo elegância. Atitude que só está ao alcance de um verdadeiro Campeão, dentro e fora dos relvados.

Agora, comparar o Grande VÍTOR BAÍA com um outro guarda-redes português que tem o cognome de "labregas"; parece-me que é estar a confundir a obra prima do mestre com a prima do mestre de obras.

15.8.06

Wolve Domus Projectum



uns, tentam fugir da Agonia de Nossa Senhora, em terras da filigrana, rendas e bolas (de berlim) do Natário, preparando-se para rumar ao sul e encalhar durante 7 marés vazas numa poética casa de um Capitão;

outros, partem para norte em busca dos inacreditáveis tons da aurora bureal, entre fiordes e cardumes de bacalhaus;

há ainda os que ficam por cá a lamentarem-se de continuar por cá. Mas esses, que também hão de partir para outras latitudes, desejam-vos umas GRANDES FÉRIAS.

- Wolve, esta foto-montagem é só para ficarem com uma ideia. Foi feita ao som da "banda Eva" ?!?! . ABRAÇO.




14.8.06

Nem de propósito...

Lembrando-me de uma frase do post anterior...
Detesto ter razão nestes assuntos... Revolta-me este desperdiçar de valores!...

10.8.06

Sobre o Sucessor...

Continuando no tema Futebol Clube do Porto, hoje já vi nomes como Carlos Queiroz, Pekerman e Camacho serem sugeridos.

Há dois anos atrás eu era já da opinião que sou agora e nada do que se passou me fez mudar a ideia de que, como já é tarde para experiências, o sucessor deve ser português ou então alguém que venha seguindo o nosso campeonato bem de perto e conheça bem os jogadores que integram o plantel azul e branco! Não há tempo para testes. Um treinador estrangeiro conceituado mas que não conheça bem os nossos jogadores vai cometer muitos erros antes de acertar como fez este senhor holandês que acaba de nos deixar. E é um crime fazer o que este senhor fez com o Diego e o Hugo Almeida para não citar outros exemplos. O património do clube foi lesado e não foi pouco!

Posso estar enganado, mas penso que há um treinador que um dia passará pelo FCP e sobre o qual tenho boas expectativas: Carlos Brito.

9.8.06

Só podia!

Afinal a coisa tinha mesmo esturrado!

COMUNICADO

O Senhor Jacobus Adriaanse, principal treinador da equipa sénior, apresentou, nesta quarta–feira de manhã, a sua demissão à F.C. Porto – Futebol, SAD, tendo já se despedido, pessoalmente, de cada um dos jogadores e, em consequência, não ministrou – nem o próprio nem qualquer um dos seus adjuntos – o treino desta manhã, decidindo, igualmente, não acompanhar a equipa na sua deslocação a Inglaterra, onde o F.C. Porto tem agendados diversos treinos e jogos.

Porto, 09 de Agosto de 2006.

A Administração F.C. Porto – Futebol, SAD

Espero não estar a ver o mesmo filme que vi há duas épocas atrás...

Is the world flat?

"...
The big disruption
The argument goes like this: More and more parts of the world are getting the infrastructure that allows them to become part of the always-on world.
China, for example, already has more mobile phones than there are people in the United States and in four years, says Mr Gates, the country will have more broadband connections than there are US households. Combine this connectivity with good transport links and productivity soars in places like India, Brazil and Russia. More importantly, though, one billion people suddenly join the global workforce. BT boss Ben Verwaayen explains the impact: "Something profound has happened over the past three years, as disruptive as the invention of the steam engine." "For the first time", he says, "you don't need physical proximity for a joined up company." Or as Bill Gates puts it: It doesn't matter whether you sit in Boston, Beijing or Bangalore, if you are smart you can now compete directly with the rest of the world "on a level playing field" - in a world that is flat. It obviously works for Microsoft. The Beijing research lab is one of the company's most productive, says Mr Gates. When he recently met his firm's ten best-performing employees, he says half-jokingly, nine of them "had names I couldn't pronounce".

Losing four million jobs
In this flat world, it doesn't matter whether your accountant sits in Marlborough or Mumbai, and whether your customer care centre is based near Sausalito or Soweto. Your factory's supply chain is fully integrated, and stretches from Shenzhen and Chennai to Central Europe.
It makes for lean, efficient companies. It drives down cost, improves profits and keeps inflation low. But it also means that many workers are losing their jobs. "In Europe we could run out of jobs, and those that still have jobs will have to take care of an ageing population, says Stefan Delacher, a director with Thiel Logistics, which specialises in organising global supply chains. David Arkless of Manpower predicts that four million people will see their jobs transferred over the next five years.

Search for solutions
"On a macro level," says BT's Ben Verwaayen, "it is easy to see the win-win." But if your job goes overseas it is difficult to be positive, he warns.
The fate of the victims of globalisation worried many Davos participants.
"How can workers in the West hang on to their jobs?" was a much debated question. Be flexible and don't specialise too much, said Jagdish Bhagwati of Columbia University. Health and pensions systems should not be set up so that workers find it difficult to change employers, he added.
Others said lifelong learning could be the answer. Make your job, your work, your knowledge ever more valuable. But obviously Chinese and Indian workers are doing just the same. It's wrong to tell people that going to university will guarantee them a job, says Adair Turner, the chairman of the UK's low pay and pensions commissions, because the technology sector simply won't offer that many jobs. "Everything that can be automated will be automated," he predicts. "Already we only create jobs that are face-to-face... in hospitality, retail, tourism, healthcare," says Mr Turner. Chris Dedicoat of technology giant Cisco echoes the argument and says: "The stigma of vocational training has to be removed if the economies of Europe want to have jobs for all".

Don't panic
So should we all become nurses, plumbers and hair dressers?
Not really. Some of India's and China's cost advantages are disappearing already. It is now more expensive to employ an engineer in Shanghai than in Slovakia. In Indian call centres, says Jean-Herve Jenn of outsourcing specialist Convergys, wages are rising by 15-20% a year. This is not the time to panic, says Mr Gates. "Change will not be cataclysmic... it will not happen that fast." Remember the 1980s, he says, when everybody was worried about Japan. But it was the United States that made the running in the 1990s.

Two billion new customers
We have to realise that globalisation is both a challenge and an opportunity, says Jean-Herve Jenn. There may be an extra one billion workers, but they come with a new market of 2.3 billion consumers in Brazil, Russia, India and China alone. The biggest surprise, says Mr Gates, is what globalisation has done for poverty reduction in China. Already China's and India's middle classes form a larger market than the population of the United States, argues Mr Jenn.
And the wealth is spreading. In India, says the New York Times' Tom Friedman, there are tech islands in a sea of poverty. "In a two hour drive out of Bangalore, one travels back 12 centuries," he says. But only a few years back, he says, "it took just 15 minutes." The non-flat parts of the world are getting smaller."

Extracted from "Why Bill Gates believes the world is flat" in BBC News

7.8.06

A tradição já não é o que era...

Onde pára o clube onde só havia um discurso???

O treinador vaidoso diz isto... E o patrão diz isto...

O Pintinho de outros tempos não admitia este tipo de coisas... Cheira-me a esturro...

Uma ideia perigosa.

Agosto. Dá ideia que toda a gente ou está de férias ou está em regime de serviços mínimos ansiosamente à espera das ditas. Nesta morrinha leve, no meio do estupor causado pelo calor, rodeado por incêndios e entretido com os dias passados à beira-mar, o país lá vai andando meio anestesiado.
Na blogosfera o cenário repete-se. Escreve-se menos, comenta-se menos, já não há grande pachorra para polémicas ou debates. Mesmo assim, e enquanto não vou de férias, não posso deixar de comentar a recente notícia de que há uma empresa (irlandesa?) que nos seus anúncios de recrutamento avisa explicitamente que os fumadores escusam de responder. Segundo o seu gerente (dono?), fumar constitui um acto idiota revelador da estupidez do praticante, e como ele obviamente não quer empregar pessoas estúpidas, nada mais lógico que excluir à partida os fumadores.
Perante este flagrante caso de discriminação, a sempre atenta e por demais importante comissão europeia, liderada pelo sempre atento e por demais importante José Manuel Barroso, foi chamada a pronunciar-se e declarou que não há na legislação comunitária nada que impeça esta tomada de posição. Se a questão fosse excluir com base em raça, idade, religião, sexo e outras que tais, aí sim, aqui d'el rei que a dita empresa iria sentir a pesada mão da comissão, mas em relação ao acto de fumar a omissão na lei representa na prática uma autorização.
Ora eu, que não fumo e que até concordo com as restrições relativas ao tabaco nos locais de trabalho e nos espaços fechados como medida de promoção da saúde pública, acho que é necessário tomar uma posição forte contra este modus operandi, que até pode ser legal mas que representa uma escandalosa intromissão na esfera pessoal de cada um. O exagero do politicamente correcto, a busca do homem perfeito, liberto de vícios e pecados, não nos pode conduzir a uma sociedade saudável, muito pelo contrário. As tentativas de formatação, de homogeneização dos indíviduos, de selecção de características julgadas ideais por alguns iluminados, tiveram sempre resultados trágicos. Se deixamos passar hoje a questão do tabaco nestes moldes, o que virá a seguir?
Cada vez mais, big brother is watching you...

3.8.06

perspectivas esquinadas


"... uma lei imutável do trabalho: quando há muitas pessoas que querem e são capazes de fazer um trabalho, esse trabalho, geralmente, não é bem pago. Este é um entre quatro factores significativos que determinam o salário. Os outros são as capacidades específicas (as competências) que um trabalho requer, as características desagradáveis do trabalho e a procura a que o trabalho responde.
O equilíbrio delicado entre estes factores ajuda a explicar por que é que, por exemplo, uma prostituta ganha, geralmente, mais que um arquitecto. Pode pensar-se que não devia ser assim. O arquitecto pode ser considerado mais qualificado (tal como a palavra é normalmente definida) e com um grau mais elevado de educação (mais uma vez, como normalmente se define esse atributo). Mas as miúdas pequenas não têm, em geral, o sonho de vir a ser prostitutas; por isso, a oferta de prostitutas potenciais é relativamente baixa. As suas competências, embora não se possa necessariamente dizer que são "especializadas", são postas em prática num contexto muito especializado. O trabalho é desagradável e pouco atractivo, pelo menos sob dois aspectos significativos: a probabilidade de serem vítimas de violência e a oportunidade perdida de ter uma vida familiar estável. E o que é que acontece quanto à procura? Basta dizer que é mais provável um arquitecto contratar uma prostituta do que o contrário."

in Freakonomics - Steven D. Lewis; Stephen J. Dubner

29.7.06

Boas e más notícias...

Boa notícia: o ministro das finanças entregou no parlamento documentos que parecem provar que no 1º semestre deste ano houve uma redução de 4 345 funcionários públicos (e não um aumento de 10 166, como se aventou há dias). Como estou farto de olhar para o copo e vê-lo sempre meio vazio, sinto-me tentado a acreditar.

Má notícia: todo o incrível processo da (do?) Gisberta. Foi espancada, torturada, violada e atirada para um poço do qual nunca veio a sair. Para a nossa justiça o essencial em toda a situação parece ser não traumatizar mais os pobres adolescentes que, coitados, já tiveram que responder em tribunal por isso e que, quais heróis, até colaboraram com o MP e responderam educadamente às perguntas do Juíz. Em Deus querendo hão-de vir a ser cidadãos exemplares...Assim vamos andando, uns inimputáveis, outros irresponsáveis, outros mortos por afogamento.

Boa notícia: a publicação da lista de devedores ao fisco, à qual se seguirá outra relativa à S. Social. A utilidade é algo duvidosa, mas ao menos serve para mudar a inútil conversa generalista "dos que fogem", sem que nunca se conheçam os bois pelos nomes.

Má notícia: a situação no mundo vai de mal a pior. Não bastavam os atoleiros Iraque e Afeganistão, não bastava o Ruanda e a Somália, isto sem mencionar os mísseis da Coreia do Norte e o programa nuclear do Irão. A guerra Israel-Hezbollah-Hamas-Síria-Irão está a resultar não só na destruição do Líbano e na morte de civis, mas também a conduzir o Médio Oriente para um buraco sem saída. O fanatismo extremista (criminoso!) de uns e a estupidez de processos (criminosa!) de outros torna difícil atribuir culpas, mas apesar de toda a revolta que massacres sem sentido como o de Qana fazem sentir, nós ocidentais só podemos torcer para que Israel acabe por conseguir levar a melhor sobre o Hezbollah. Qualquer outro cenário resultaria num pesadelo ainda maior que o actual.

26.7.06

J.

Este post é sobre o meu filho.
Confesso que sinto alguma relutância em falar dele aqui, como se fosse um passo abusivo juntar o mundo real com este país das maravilhas, esta realidade ficcionada que é a blogosfera. Mas ter um blog, alimentá-lo com as nossas ideias e às vezes com a nossa intimidade é sem sombra de dúvida uma forma de exposição. Controlada sim, mas ainda assim uma exposição. E por mais dúvidas que tenha, por maior que seja o desconforto que sinto em expôr também o J., que já tem personalidade própria mas que não pode ter voto na matéria, a verdade é que não poderia deixar de falar sobre o 1º aniversário do meu filho.
Falo de futebol, de política, de religião, falo de mim, falo um pouco de tudo e de nada. Hoje tenho o enorme prazer e chego até a sentir-me quase que obrigado a falar sobre alguém realmente importante, um VIP na verdadeira acepção do termo. Não vou gastar muito latim a babar sobre o J. e prometi a mim próprio que ia fazer um esforço consciente para evitar usar o sufixo inho (riquinho, fofinho, amorzinho,etc...) praga que parece atingir todos os pais e mães que conheço.
Sempre gostei do cheiro dele, do tacto e do contacto. De o ver primeiro a sorrir e depois, mais tarde, a dobrar o riso. Das tentativas de verbalizar, de comunicar. De o ver gatinhar como um GI Joe e agora começar a tentar andar. Olho para ele agora, quando dança ao lado da nossa cama aos domingos de manhã ao som dos amigos do gaspar, sempre ansioso por aprender coisas novas, por abarcar todo este imenso mundo novo que vai aos poucos descobrindo, e digo-vos que o amo desde que ele nasceu, mas que quanto mais o conheço mais gosto dele.



Estive para não pôr a foto, mas não resisti. Utilizando uma expressão que foi dita a brincar mas que não deixa de ser verdadeira: é tão bonito que nem parece filho do pai dele.

24.7.06

...

Fiel a mim próprio (o que diga-se de passagem e agora que penso nisso é uma frase um bocado ridícula, ou não fosse utilizada com frequência por jogadores da bola) eis que chega novamente a altura de voltar a abordar um dos meus ódios de estimação. Como não vou falar de Scolari (sob pena de ser logo classificado de anti-patriota), torna-se fácil concluir para os que me conhecem que o visado será Rui Rio (em consonância com um recente desafio de um ilustre comentador deste blog):

- Quando lhe caiu no colo a Câmara do Porto, devido ao furacão anti-Guterres que assolou o país e porque Fernando Gomes a perdeu (sim, porque nós os portuenses somos orgulhosos e não admitimos que nos tomem por garantidos), Rui Rio não tinha nem equipa nem programa para a cidade.

- A equipa que acabou por escolher à pressa revelou-se desastrosa e de todo o seu 1º mandato ficaram apenas e só 3 notas de maior registo, as únicas que qualquer pessoa mesmo que atenta à cidade pode ainda hoje identificar : 1- a não construção na orla do parque da cidade (ainda falta ver a que custo); 2- a polémica do plano de pormenor das Antas (que só serviu para arrancar 5 milhões de euros ao Grupo Amorim e dá-los à D.Laura) e a “guerra” com o FCP/futebol (que merecerá análise mais detalhada lá para a frente); 3- o grande prémio de automobilismo na Boavista (ideia absolutamente peregrina, típica de um “beto” saudosista de se passear nos paddocks, mas que pelos vistos até dá lucro…).
De resto, não houve nem há uma ideia condutora, um grande projecto que motive a cidade e a faça crescer. Confesso que para meu grande espanto isto foi suficiente para lhe valer a reeleição com maioria absoluta.

- Em tudo o resto, leia-se política cultural, requalificação urbana, afirmação do Porto como pólo aglutinador do Noroeste Peninsular (como os políticos tanto gostam de dizer), combate ao desemprego, promoção de uma cidade com melhor qualidade de vida, etc… Rui Rio falhou. Não há agente cultural da cidade que lhe reconheça algum mérito e, por exemplo, a forma como lidou com a Casa da Música (usada apenas e só para ajustar contas com Burmester) foi vergonhosa. O Rivoli foi primeiro abandonado para agora ser mais facilmente privatizado (o que pode até significar o fim do FANTAS na cidade) e quanto à tão propalada recuperação da Baixa, depois de 5 anos de RR temos como único resultado a ameaça velada que paira no ar de que a UNESCO poderá decidir retirar a classificação de Património da Humanidade, por evidente degradação do estado do parque habitacional. Já estava mal, ficou ainda pior.
Investimentos como o Corte Inglês, que poderiam devolver alguma vitalidade a uma zona tão abandonada, foram quase que empurrados para o outro lado do rio.

- Falando da pessoa em si, ou melhor do comportamento pessoal de RR enquanto Presidente da CMP, o que salta à vista é uma visão paranóica do mundo que o rodeia. Ele vê-se como o único detentor da verdade e junta na cabala para o atingir empresas como o JN, o DN e o Público. Até a Polícia Judiciária já mereceu idêntica apreciação. As recentes notícias vindas a lume acerca da utilização e do site da CMP (que anda a ser usado como veículo de propaganda a RR e de ataque aos seus críticos) são só a última demonstração duma evidente falta de espírito democrático e da flagrante incapacidade de lidar com opiniões divergentes da sua. Querem apoios camarários? Não se atrevam a criticar. Querem falar com os vereadores? Só por escrito e com prévia autorização do manda-chuva. Querem enquanto munícipes assistir às reuniões e colocar os vossos problemas? Mandem postais.
Isto já para não falar do raciocínio, à lá caudilho, que RR faz ligando o ter sido eleito com um qualquer direito de saltar por cima das leis existentes (veja-se o inacreditável caso do túnel de Ceuta e as declarações do Presidente da CMP a seu respeito).

Como justificar então o sucesso eleitoral de RR? Em grande parte porque, e contrariamente à ideia que circula na opinião pública, RR usa e abusa do futebol e conseguiu através deste conflito assegurar uma imagem de seriedade e de luta contra lobbys (ainda para mais sendo o Pinto da Costa uma figura tão amada no País…). Diga-se no entanto que a sua já longa associação política com Valentim Loureiro é estranhamente ignorada pela comunicação social dominante.
Esta sua guerra contra o futebol assegura-lhe outra coisa: garante que os verdadeiros problemas da cidade e da sua (não) gestão não serão discutidos. Fica este exemplo: um dia, num casamento de uma amiga da A., envolvi-me numa conversa sobre RR com um tipo com o qual aliás nunca me entendi muito bem. Falei de tudo, não só do que já leram acima, mas de outras situações que me abstenho de citar para não alargar mais este já extenso lençol. No final, ele virou-se para mim, encolheu os ombros e disse apenas: Oh pá, só dizes isso porque és portista.

A vox populi diz que Rui Rio é sério, o que sendo positivo não deixa de ser o mínimo exigível. O que faz falta é ser-se competente no que se faz e a sensação que tenho ao ver a forma como RR se relaciona com a cidade e os seus agentes (e não, já disse que não estou a falar de futebol) é a de algum incómodo, como se encarasse o cargo na CMP como uma etapa necessária mas algo chata na sua carreira política.
É uma apreciação naturalmente subjectiva, mas atrevo-me a dizer que Rio não morre de amores pelo Porto, ou fraseando a coisa de outra forma, gosta muito pouco de ser o seu presidente.

21.7.06

Porque...


... continuo a achar que o estado natural dos seres humanos é a errância...
... porque se pudesse viajava cada vez mais...
... porque o G. (quem me mostrou o video que se segue) parte na 2ª para Bali ...
... porque os livros de viagens continuam a ser aqueles, que mais prazer me dão a ler, com principal destaque para os do brilhante Bruce Chatwin...
... porque o video que vos mostro, incluindo personagem, música, dança, e locais escolhidos, é realmente muito bom...
... porque simplesmente me apeteceu, sem ter que vos dar grandes satisfações.

Aqui vai http://www.youtube.com/watch?v=bNF_P281Uu4

20.7.06

Sem outros temas e sem inspiração, volto a um dos meus assuntos favoritos: eu!

Ao longo da minha vida fui acusado várias vezes de ser um gajo exagerado. Fui também repetidamente acusado de ser um gajo que lida mal com a mudança, uma criatura de hábitos, e pior ainda, um gajo com tendência para a acomodação. Com o sentido de auto-crítica que tenho, que diga-se foi nascendo pela calada com o passar dos anos, venho por este meio afirmar que era tudo verdade e disponho-me até a corroborar esta afirmação com alguns exemplos.
Exagerava sempre que dizia, ao comer mais uma francesinha acompanhada pelo indispensável fininho, que no mundo e arredores não havia nada melhor e que era capaz de comer aquilo todos os dias, durante toda a vida.
Quando o Público mudou de grafismo, na fase em que o lia diariamente sem falta, amuei e chamei-lhe nomes como um reles amante traído, até ter conseguido pouco a pouco superar o trauma.
Quando entrava no café onde fiz o curso, pelo menos nos 4 primeiros anos até aquilo virar churrasqueira, dava-me um gozo supremo, uma fútil sensação de superioridade sobre os clientes de ocasião, virar-me para o Sr. António (um porreiraço como poucos conheci na vida) e dizer "o costume" do alto das minhas tamanquinhas. Ainda hoje aliás, tenho uma pouco saudável dificuldade em estar num café e não pedir "uma torrada e uma meia de leite directa".
No dia em que comuniquei aos meus melhores amigos que ia dar o nó passados 2 ou 3 meses , saiu-me um "em princípio vou-me casar", lapsus linguae que me irá ser merecidamente atirado à cara para o resto da vida.

"Todo o mundo é composto de mudança" e eu, não fugindo à regra, também mudei. Analisando todas as cambiantes, acho que nos últimos 15 anos mudei mais que os ideais do Partido Comunista Português e menos que o Michael Jackson. Continuo a ver futebol com uma paixão irracional, mas diminuí francamente o número de asneiras que digo. Continuo a ter orgulho em ser tripeiro, mas já não moro no Porto, já não sou bairrista e acho que já não troco os b's pelos v's (ou seriam os v's pelos b's?). Continuo a detestar acordar de manhã e ter que num estado de meia vigília passar uma lâmina afiada junto às carótidas, mas já não me dou ao luxo burguês de andar com aspecto de arrumador. Continuo a não gostar de farinha de pau, mas devoro com um prazer quase pecaminoso bróculos, cebola e grelos (tudo coisas que antes me suscitavam apenas um ar levemente enjoado).
Continuo, como se pode comprovar, a gostar de me ouvir e de me ler, continuo com a convicção que tenho coisas válidas a dizer, a acrescentar ao ruído geral. E continuo a ter uma estranha tendência para me desviar dum objectivo inicial, que no caso deste post era tão somente dar-vos conta que me rendi totalmente aos encantos da cozinha japonesa (empurrado pela A, pelo cM e pela S.).
Para um gajo que há 4 anos, e após a 1ª experiência com sushi, acabou a noite a cear 3 bifes em casa da mãe, isto é uma grande mudança.
Fica a sugestão, fica o nome do restaurante (Terra, na Foz) que a S. e o cM descobriram e fica também um conselho de amigo: provem de tudo, porque é tudo óptimo. Bom, tudo menos aquela mistela verde com propriedades explosivas e o gengibre que, com um pedido de perdão ao requintado paladar do cM, sabe a pétalas de rosa.
Ah, e continuo ainda e sempre a falar de mais.

18.7.06

My name is Baby, Sónia Baby.


Atenção aos incautos: segue-se um post de conteúdo pornográfico e de gosto discutível…

Já vai com uns dias de atraso devido a alguma falta de tempo, mas não podia deixar passar sem uma referência este invulgar acontecimento.
A menina da foto, uma espanhola com o sugestivo nome de guerra de Sónia Baby, foi uma das estrelas da recente 2ª edição do Salão Internacional Erótico de Lisboa. Ora isto por si só não é grande feito e não lhe garantiria o duvidoso privilégio de figurar como tema de post neste blog de machos lusitanos, que como se sabe são por tendência exigentes quanto à qualidade da comida que a esposa prepara, impiedosos quanto às exibições da sua equipa de futebol e dedicados servidores das suas amantes, que normalmente preferem alouradas, burras e com peitos volumosos.
Mas voltando então à Baby, que me cativou a atenção numa pequena notícia de telejornal, ela é nem mais nem menos que a mais recente coqueluche do cinema porno espanhol (diga-se de passagem que o castelhano é talvez a língua no mundo que melhor se presta à pornografia…), e destaca-se das demais companheiras por ser uma auto-intitulada acrobata vaginal. Numa altura em que a globalização e os gurus do neo-liberalismo insistem na importância da especialização como uma mais-valia, é de convir que ser doutorada num campo tão difícil e tão pouco explorado como o das acrobacias vaginais é claramente um ponto positivo para se ter num curriculum vitae. Sem mais delongas, diga-se que Sónia Baby tentou (no dia 14 do corrente mês) colocar uma corrente metálica com 20 metros dentro da sua vagina (o que caso tenha sido bem sucedido veio suplantar o seu anterior máximo de 15 metros). Se isto ainda vos parece coisa de somenos importância, saibam que iria também escrever com a vagina, retirar bandeiras e bolas de pingue-pongue. Para finalizar, e honestamente não posso garantir totalmente se de facto ouvi isto ou se já sou eu a delirar, ia jurar que Baby ia incluir no seu show (termo que raramente terá sido tão bem empregue) o arremesso ao ar de bananas. Segundo palavras da própria, num momento de rara inspiração, ”vai ser um pouco de tudo”.
Saibam ainda os mais curiosos que quando inquirida acerca da sua posição sexual favorita a actriz terá respondido, rápida e entusiasticamente, “Em cima dele, dominando. Pum! Pum! Pum!”. Abstenho-me de tentativas infantis de fazer graçolas fáceis, confesso que desconheço o desenlace do show e deixo o meu protesto por o espectáculo só decorrer em Lisboa, privando o resto do país da oportunidade de ver ao vivo esta atleta, versão moderna da mulher barbuda e do homem elefante e património da masculinidade.

P.S.- é algo envergonhado que me vejo literalmente obrigado, pela A., a deixar como adenda o seguinte esclarecimento: a parte em que se fala dos machos lusitanos é pura ficção e não tem nenhuma semelhança com a realidade deste que por ora vos fala. Ouvi tudo aqui num café perto de casa, numa cavaqueira entre 2 gajos gordos, carecas, de bigodes farfalhudos e com notória falta de dentes (essas sim, características típicas dos verdadeiros machos lusitanos…) juntamente com um aguçado sentido de auto-preservação e obediência à mulher.

14.7.06

Uma lição

Em todos os rankings internacionais relativos aos fenómenos da corrupção e morosidade/qualidade da justiça o nosso país está mal colocado (isto num contexto europeu).
A Itália, país da moda, das pizzas e das pastas, de Roma e Florença, do Vaticano, da comorra, de Leonardo e Michelangelo, de Cicciolina e Berlusconi, etc e tal..., também neste campo se tem destacado pelos piores motivos.
No entanto, e enquanto por cá vivemos o folhetim apito dourado há mais de 2 anos, sem um final lógico à vista e com um enredo ao nível das telenovelas mexicanas, e agora nos entretemos com a verdadeira palhaçada que é o caso Mateus, essa mesma Itália acaba de dar ao mundo uma demonstração (sem paralelo?) de rapidez e eficiência na aplicação da justiça. Ainda mais impressionante se tomarmos em conta que os envolvidos são apenas e só os mais poderosos e prestigiados clubes de futebol.
Dá vontade de rir pensar no que sucederia cá pelo luso burgo se, por exemplo, o Porto e o Benfica fossem condenados a descer de divisão ou a começar campeonatos com menos 10 ou 20 pontos que os restantes rivais. Atrevo-me a dizer que bem mais que todas as medidas de combate ao défice, bem mais que os ataques aos direitos adquiridos (supostamente para toda a eternidade, na mente de alguns...), uma situação dessas daria origem a um levantamento popular, ao estilo de um novo 25 de Abril.

10.7.06

Contra a corrente

Deixo desde já a ressalva de que não sou daqueles portistas que torceu contra Portugal! Sofri a bom sofrer sem, no entanto, igualar o que sinto quando é o meu FCP... Acho que o homem ao leme justifica...

Continuo na minha... Este senhor scolari ainda tem muita coisa a provar-me. Nem os resultados nem ninguém me conseguiu até hoje mudar a ideia de que este homem tem tido muita sorte em Portugal. Pode ser um motivador nato, mas é preciso ser mais que isso e é preciso saber escolher e saber decidir na altura certa. Portugal não tinha quase banco nenhum graças à sua teimosia em apostar em eternas promessas...

No Euro2004 foi o trabalho de um outro treinador (esse sim um sabedor), que o salvou depois de jogos de preparação humilhantes e uma estreia deprimente. No Mundial2006, um grupo "de caras", depois uma eliminatória de sorte contra a Holanda que criou oportunidades suficientes para ganhar e uma eliminação da Inglaterra (reduzida a 10 jogadores desde bem cedo) por penaltis...

Idolatram-no, choram se ele for embora... Oh meus amigos... Parece que estou mesmo no país errado!...

Tudo bem, 4ºlugar num Mundial é muito bom, não desminto, mas não consigo olhar para este 4º lugar e dizer que o merecemos inteiramente ou que até merecíamos ser campeões...

Scolari, vai com a Santa que tantas vezes te protegeu...

9.7.06

O Mundial.


Acabou. Parabéns à Itália, à bela Itália, pelo mais
que merecido tetracampeonato. Porque tem Cannavaro
e Pirlo (a quem alguns portugueses, idiotas iletrados com o pomposo título de especialistas da bola, insistem em chamar Pilro!!!).
Porque nos proporcionou o melhor momento do mundial
(o prolongamento contra a Alemanha). E porque a França não merecia ganhar, depois daquela demonstração de cinismo e catennacio na 2ª parte contra Portugal.


Acabou. De forma pouco coerente com a brilhante carreira que teve, o melhor jogador do mundo da última década despediu-se com uma cabeçada (aliás bem dada e também ela merecida), à moda do Cais de Sodré.





Quanto ao nosso mundial, cá ficam ao correr da pena algumas notas:
-Scolari mostrou que é de facto um motivador por excelência e um bom treinador de selecções. A boa performance merece ainda mais relevo porque foi conseguida com erros tão óbvios como a titularidade absoluta de Pauleta (quase sempre um jogador a menos tal como no Euro 04), a insistência jumenta em Postiga (um desastre) e em Costinha (a anos luz do que já foi capaz) em detrimento de Nuno Gomes e Petit, a opção de recurso em usar Ronaldo no meio literalmente apagando-o do jogo, a convocatória de Boa Morte (que terá sido seleccionado por saber boas
anedotas, tocar viola e cantar de cor as músicas do Roberto Leal, isto tendo em conta o tempo de jogo que teve e a falta de jeito que tem). Acho que Scolari deve continuar porque os resultados assim o exigem e porque seria difícil neste momento alguém que não ele pegar com sucesso na selecção. Continuar seria uma prova de alguma coragem tendo em conta a inevitável renovação de valores que está aí ao virar da esquina.
-Ricardo, que no dia do Portugal-Inglaterra me pareceu o melhor jogador do mundo apesar da voz de miúdo a quem os huevos ainda não desceram e da mania de falar de si próprio na 3ª pessoa, Figo, que mesmo sem pernas para 90 minutos lutou o que pôde, Costinha, Pauleta e outros, que sugeriram várias vezes que criticar a selecção era igual a não quer que Portugal ganhásse, deviam lembrar-se que são apenas jogadores de futebol numa competição desportiva.
Tal como todos os demais numa sociedade democrática (incluindo até o Presidente da República) também eles não têm um especial direito divino a pairar acima da crítica num
qualquer limbo de unanimismo bacoco. Eu por mim dispenso bem pseudo-lições de patriotismo, que diga-se de passagem não se mede pelo número de bandeiras que se põem nas janelas ou pelo número de camisolas da selecção nacional de futebol que se compram no continente.

5.7.06

Como é bela a esquizofrenia...


Esta 2ª feira, na Casa das Artes de Famalicão, vivi um dos melhores concertos da minha vida graças a estas 2 mulheres, Sierra e Bianca Casidy, aka Coco Rosie.
Antes do início do espectáculo corria célere pela assistência o boato 3 em 1 de que: "elas são irmãs, elas são lésbicas, elas são um casal".
A 1ª parte é verdade, a 2ª só elas sabem e só a elas interessa, a 3ª será naturalmente falsa.
Quanto ao concerto? peguem em 2 vozes completamente diferentes e ambas capazes de registos aparentemente impossíveis, misturem com sons de bonecos de crianças, pássaros (?), panelas (?) e outras merdas tais e polvilhem tudo com uma batida a meias entre a electrónica e os sons produzidos por um francês vestido à sítio do pica-pau amarelo e com uma performance 1/3 Ben Harper, 1/3 Bob Marley, 1/3 caixa de percussão. Para a noite ser perfeita só faltou aparecer o amigo Antony...
Caso não achem esta minha explicação convincente saibam que os entendidos classificam a música delas como indie-folk-tronic (!!!).
Mas a melhor análise ao concerto foi da autoria da A. que já perto do final e perante a alucinação que tomou conta das 2 maninhas, disse quem me dera tomar o que elas tomaram.

P.S.- a parte onde se lê "corria célere pela assistência" está francamente exagerada. Era mais entre eu, a A. e outro amigo. É que eu às vezes precipito-me.

4.7.06

A 1ª escolha - parte II. Onde o autor discorre, com alguma dose de pedantismo, sobre livros.

Por outro lado e em nítido contraste com os cd's, confesso que não sou capaz de nomear o 1º livro que comprei sozinho, mas não tenho nenhuma dificuldade em lembrar os últimos. Desde que com 7 ou 8 anos descobri a felicidade agarrado como um viciado aos Cinco da Enid Blyton, o livro nunca deixou de ser para mim um objecto de culto. E não falo só dos conteúdos, das histórias mais ou menos interessantes ou mesmo das diferentes formas de escrever de cada autor. Falo de uma atracção física pelo objecto em si, pelas suas formas, pelas suas texturas. Gosto da sensação táctil do virar das páginas, gosto do cheiro que delas emana. Gosto da solidão e daquela paz tranquila que só consigo atingir quando estou a ler. Gosto de dar largas à imaginação, de abandonar nem que seja por breves instantes o local em que estou e o corpo que a minha alma habita para pairar livremente sobre outros locais e sobre outros corpos. Admito que possa soar elitista e a armar ao pingarelho, mas a verdade é que poderíamos perfeitamente generalizar um conhecido dito filosófico e propor algo do estilo diz-me que livros leste e dir-te-ei quem és.
Já fiz há tempos, noutro espaço e com o meu alter-ego real, um top 5 de cd’s e de filmes, mas acabei por nunca conseguir organizar, dessa forma necessariamente simplista e redutora, o meu gosto pelos livros. É que tal como para as pessoas que connosco se cruzam na vida, também para determinados livros há um tempo certo, uma altura ideal para com eles entrar em contacto. Não sei dizer se neste momento teria algum prazer em ler por exemplo Os Capitães da Areia, de Jorge Amado, mas sei que quando tinha 13 ou 14 anos o devorei completamente naquilo que foram 2 longas noites, com lágrimas constantes e algo salgadas a caírem dos olhos para os cantos da boca, e com o meu irmão a dormir tranquilo na cama ao lado e a cidade e os seus poucos habitantes nocturnos de então, as putas, os clientes e os taxistas, do lado de fora. Lembro-me do gozo que me deu descobrir Eça de Queirós e os seus Maias, Carlos e Eduarda, o seu Padre Amaro e aquele seu fabuloso Raposão com a inenarrável relíquia para a titi. Nunca me esquecerei do frenesim quase infantil em que vivi mergulhado durante a leitura do Senhor dos Anéis ou da emoção contente que tirei do Velho que lia Romances de Amor e do seu fantástico episódio do dentista itinerante e do tipo que tirou todos os seus dentes sem anestesia por causa duma aposta com os amigos. Lembro-me também da descoberta de Mário Vargas Llosa na sua Festa do Chibo e do fabuloso Pantaleão com as suas visitadoras, o melhor chulo jamais contado. Não quero também deixar de mencionar, apesar do post já ir longo, quiçá até demasiado, Paul Auster, outro dos meus habituais escritores de mesinha de cabeceira e já agora Umberto Eco com quem aprendi o verdadeiro significado de Dominicanos.
Numa altura em que qualquer roto escreve um livro (não sei se é real mas parece-me que tudo começou quando a Caras Lindas, esse génio da literatura, lançou o Sandálias de Prata...) mas em que paradoxalmente as novas gerações cada vez lêem menos (não, os jornais desportivos e os sms's com língua de trapos não contam) eu, que de anos só conto 30, vejo-me compelido a fazer ainda e sempre esta figura de velho do restelo.

1.7.06

A 1ª escolha, ou pelo menos uma das...

Um dos momentos mais marcantes na minha transição entre miúdo e adolescente, fase tantas vezes penosa e tão repleta de mini-dramas, foi a 1ª vez que tive oportunidade de comprar algo para mim, a possibilidade de escolher aquilo que verdadeiramente queria sem ter os meus pais ou outro adulto qualquer a olhar por cima do ombro (outra coisa que também marcou essa fase, com viscosos tons de amarelo purulento, foi a presença mais ou menos constante daquele fenómeno conhecido pelo terrífico nome de acne juvenil, entidade castradora da auto-estima e do sucesso com o sexo oposto).
Mas voltando ao início, que como se sabe é normalmente o lugar ideal para se começar, dizia eu que me marcou essa 1ª escolha, essa agradável sensação de estar sozinho numa loja repleta de gente, só eu e os 3 ou 4 contos que trazia nos bolsos das calças (que eram obviamente de ganga como está bom de ver depois de anos e anos em que só andava de calças de fato de treino). Era, a tal loja, cujo nome não recordo (Tubitek?) mas que morava na Praça D.Manuel I em pleno coração da baixa portuense, uma discoteca, saudosa recordação daquele longínquo passado em que as lojas só vendiam um tipo de artigo. A minha escolha na altura, na única oportunidade que tive, que qualquer um de nós tem para fazer a primeira escolha, recaiu sobre um fabuloso cd chamado "Morrison Hotel" daquela mítica banda the Doors. Quase 20 anos depois não deixa de ter algum significado que me lembre tão bem desse momento mas que não seja honestamente capaz de dizer qual foi o último cd que comprei, nem já agora quando isso aconteceu.
Entre amigos que sacam (belíssimo eufemismo) músicas da net e cd’s copiados directamente de originais que alguma avis rara tenha comprado, a minha motivação para gastar dinheiro nestes produtos é praticamente residual. É de facto difícil encarar a pirataria de cd’s, e já agora de DVD’s, como um crime a evitar, pela simplicidade do processo e porque toda a gente faz o mesmo (um pouco como acelerar quando o semáforo está amarelo).

continua...

28.6.06

Pork & Cheese...

A avaliar pela imprensa escrita os ingleses de facto não se enxergam e só demoraram 1 ou 2 dias a dar mostras de toda a sua arrogância e mania de superioridade. Começando por classificar a nossa selecção de violenta, teatral e sem interesse em jogar o jogo pelo jogo e passando pelas já costumeiras técnicas de inventar entrevistas a jogadores portugueses atribuindo-lhes afirmações provocatórias, os ingleses dão novamente mostras de uma incapacidade total de aprender com o passado e os erros cometidos:
- não bastou que o Porto de Mourinho (na altura também apelidado de equipa teatral) tivesse eliminado o Manchester,
- não bastou que o Benfica tenha despachado o então campeão europeu Liverpool,
- e finalmente não bastou que a nossa selecção lhes tenha tirado a tosse nos 2 últimos europeus,...
não, tudo isto ainda não bastou. Dói-lhes fundo na alma que os "pork & cheese" (nome pelo qual carinhosamente tratam os nossos emigrantes) se atrevam a bater o pé à toda poderosa Albion, pátria inventora do futebol.
Juntando isto ao facto de que, como sempre, praticamente só os adeptos ingleses estão a criar problemas de segurança e a estragar o clima de convívio e festa neste mundial, é uma obrigação não apenas desportiva mas também de ordem moral que nós, humildes tugas, lhes carimbemos o passaporte de regresso à sua bonita ilha.

27.6.06

Notas soltas sobre este mundial e o Portugal - Holanda

Este "Mundial Alemanha 2006" está a deixar-me muito contente porque finalmente, como já não se via há muitos anos, os melhores e mais favoritos estão a chegar à fase mais adiantada da competição. Eu até costumo torcer pelos mais fracos (com menos curriculum nestas andanças), mas sem dúvida que os jogos que abrem o "apetite" são os que se realizam entre as grandes selecções!

Os jogos até podem sair um verdadeiro fiasco, mas adivinham-se umas grandes meias-finais e final... Pelo menos as verdadeiras "estrelas" estarão lá! O Mundial da Coreia-Japão em 2002 e o Euro-2004 foram pródigos em grandes decepções logo na fase de grupos...

Mudando a "agulha", assistiu-se mais uma vez a um histerismo desmedido neste país e nesta imprensa desportiva após uma vitória sortuda contra os holandeses (mal conduzidos naquele jogo pelo saudoso Van Basten). Do que se safou o Costinha!!!! E o Figo?!!! Tivessem os holandeses dado a volta ao resultado e hoje falar-se-ia de mais um comportamento inqualificável dos nossos representantes, desta vez pupilos do Felipão... Mas... Espera lá! Então o homem não tinha vindo para pôr mão nesse tipo de atitudes???

Voltando ao jogo, tanto o Costinha como o Deco deviam ter sido expulsos antes. O Costinha por uma entrada em tesoura que o árbitro não viu. Se foi incrivelmente infantil o erro que conduziu à sua expulsão, não seria menos vergonhoso tê-lo sido antes, sendo ele um jogador tão experiente.

O Deco merecia cartão vermelho directo naquela entrada às pernas após a "falta de fair-play" dos holandeses. Também digo que foi injutíssimo o 2º amarelo quando foi mostrado. Quem merecia um, era o holandês por ter empurrado o nosso menino de ouro. Sobre esta "falta de fair-play" como tenho lido e ouvido, penso que o Van Basten tem razão. Quem é que devolve uma bola a uma equipa que está a teatralizar um bocado demais??? O modo como o Figo "cava" a 1ª expulsão aos holandeses foi bem um espelho disso, embora não me tenha escandalizado a expulsão... Só quem não joga futebol não percebe o que digo...Interpretações...

O Figo perdeu a cabeça e nem parecia ele ao deixar-se levar pela provocação do holandês. Mais uma expulsão perdoada por um árbitro que não foi assim tão fraco quanto dizem. A FIFA deu indicações para os árbitros serem muito rigorosos com as entradas de carrinho e agora está a colher os frutos que semeou... O jogo foi complicado e por momentos temi comportamentos vergonhosos como os do Euro 2000 ou Mundial 2002...

Claro que o jogo teria sido outro se o tipo que lesionou o Cristiano Ronaldo tem sido expulso como devia... Mas é tão fácil falar sentado no sofá...

O que quero deixar aqui bem vincado é que acho que o árbitro não foi assim tão culpado do mau espectáculo embora tenha feito parte integrante dele também. É uma pena a expulsão do Deco... Desconfio que há dedo do conterrâneo Abramovich nesta decisão do Ivanov...

Pensamento do dia...

Sempre que uso as únicas cuecas brancas que possuo, tenho uma irresistível vontade de cagar.
É um caso de escatologia cromática.

23.6.06

Amanhã ...


... e durante a próxima semana vou respirar ar puro, limpar os olhos do mau gosto urbano e deixar-me levar pela ociosidade de pensamentos preguiçosos.

Mas antes, ainda hoje à noite, e depois de um bom caldo verde e de uma sardinha chamuscada, é tempo de na CdM ouvir Táxi e Jorge Palma, numa mescla de saudosismo e bom gosto.

Bib´ó Som Juom

22.6.06

Para além dos nossos 2 golos e da substituição do Postiga...

os melhores momentos do Portugal-México foram:
-Quando a meio da 1ª parte o Maniche, numa jogada de contra ataque rápido, sofreu uma falta à entrada da grande área adversária e o repórter de campo da SIC, aquele poço de inteligência chamado Nuno Luz, diz que..."olhei olhos nos olhos com o Maniche e..."
-Quando o Tiago atirou por cima da baliza numa recarga a uma defesa do guarda-redes mexicano e Humberto Coelho, ex-seleccionador, actual comentador especializado e eterno jogador de golfe, disse que.."era difícil porque a bola estava desequilibrada".

20.6.06

FCP 2006-2007




Bom, ao menos estarão lá as quinas na manga...

19.6.06

A coisa promete

O canal 2, ou simplesmente a 2: como agora se chama, passou recentemente uma série chamada “A Linha da Beleza”, com a chancela (termo que há muito tinha vontade de usar) de qualidade da BBC. Esta série poderia facilmente ser o tema deste post, mas não o é, pela singela razão de eu não a ter visto. De qualquer forma, diz-me a A. (que também não a viu mas que acabou agora de ler o livro na qual a série se baseou) que para além daquilo que podemos ler na sinopse que a 2: nos proporciona, o enredo trata também de homossexualidade masculina, e de uma forma bastante explícita (creio que as palavras dela foram: o livro é bom mas não sei se terás estômago para o ler; comentário que surge como um assunto derivado da questão de eu ser reconhecidamente um tanto ou quanto homofóbico…). Não sei se a versão televisiva se manteve fiel ao livro, mas vamos por mera conveniência minha assumir que sim e tomar como facto que a 2: nos terá presenteado com uma série sobre homens gays.
Não sei se imbuídos num espírito messiânico de promoção da tolerância, ou de igualdade entre géneros, ou por acharem (e bem) que o sexo vende, ou se finalmente por mera coincidência, mas a verdade é que os directores da mesma 2: nos vão agora dar a ver uma nova série sobre homossexualidade, agora feminina, ou seja sobre lesbianismo (termo que me dá um certo gozo usar, de uma forma infantil e quiçá até um bocado pacóvia, mas não deixa de ser verdade), e que dá pelo algo óbvio nome de: "the L word".
Segundo o Público: “…as mulheres são lindas e sofisticadas…trabalham (pouco), namoram muito e passam a vida embrulhadas em cenas de sexo escaldante…”.
Se alguém se deu ao trabalho de criar uma série assim, eu Wolverine, digno e honrado portador de pénis e Ser carregado de testosterona, sinto-me na obrigação de ver pelo menos o 1º episódio, quanto mais não seja por cortesia.
É hoje, já depois dos meninos e meninas bem comportadas irem para a caminha.

16.6.06

As primeiras 2400 horas.

Esta 6ª feira, de trabalho para uns e ponte para outros, serviu para assinalar o 100º dia da presidência de Cavaco Silva. Como sempre acontece em política, a passagem deste marco temporal é aproveitada para se fazer um primeiro balanço da actividade, o que a mim se me afigura como injusto. 100 dias? É curto, e só se justifica pela sede mediática de criar notícias. Serve essencialmente para os analistas políticos da praça, os mesmos de sempre, se entreterem num fútil exercício de adivinhar intenções futuras, ler pseudo sinais que só eles conseguem descortinar ou analisar a coisa de forma a concluirem, egocêntricos e impantes como balões soprados ou perús de Natal recheados, que se confirmam as ideias que eles próprios já tinham acerca do que se iria passar. De facto, a única altura num passado recente em que 100 dias se revelaram como um espaço temporal demasiado longo foi no Governo de Pedro Santana Lopes, que Deus o guarde com saúdinha e sempre andando por aí, de preferência bem longe de poder interferir de novo nos destinos do luso Reino. Quanto ao dito cujo Professor Aníbal, lá vai andando inevitavelmente com a cabeça entre as orelhas ou não fosse ele apenas mais um de nós nobres Portugueses, paridos das costelas de Viriato e Afonso Henriques, descobridores de novos mundos para o mundo, outrora donos de impérios, colónias e províncias ultra-marinas, inventores da francesinha, do fado e da sempre eterna saudade, pátria da especificidade (a mais portuguesa das palavras do novo século). Mas voltando ao assunto, diga-se que o nosso Presidente se tem mantido basto activo. Já discursou, já vetou, já fez roteiros. Já criticou ministros mas também já os apoiou. Visitou tropas e até vestiu casaco camuflado. Tal como prometido manteve uma atitude positiva e cooperante com o Governo e com o seu alter ego José Sócrates. Evitou ser filmado a comer e reduziu para números bem mais razoáveis a distribuição de comendas, medalhas e grão-ordens disto e daquilo.
Em 100 dias, não está nada mal.

15.6.06

Porque...




...estou farto de só ouvir falar de futebol.

...me apeteceu dedicar um post a um amigo que gosta de dança contemporânea.

13.6.06

Desabafos

O factor que mais contribui para o relativo mau funcionamento do país é a percepção geral e solidamente instalada que as instituições não funcionam, o que acaba por servir como conveniente desculpa ad hoc para os mais diversos comportamentos incorrectos ou até ilegais: há aqueles que se julgam no direito de não pagar os seus impostos simplesmente por terem um vizinho ou conhecido que foge descaradamente e nunca é apanhado, há aqueles que encaram como normal meter ou aceitar cunhas já que toda a gente faz o mesmo, há aqueles que entendem não ser grave conduzir a 180 à hora pelo prosaico motivo de verem ocasionalmente passar outros carros a 200. A mesma linha de raciocínio leva a que comece a ser normal que quando alguém ou algum grupo ou até uma determinada povoação se sente lesada ou ameaçada no que encara como sendo os seus legítimos direitos, acabe por usar como forma ilegítima de pressão o fechar estabelecimentos a cadeado ou bloquear a via pública ou basicamente qualquer outra coisa que garanta que o caso tenha direito a passar no noticiário televisivo do dia. Tudo porque quase ninguém diz ter fé nas vias normais de procedimentos, que ficaram reservadas para os crentes, para os papalvos, para aqueles que contra todas as evidências se recusam a aceitar que não há justificação para a esperteza saloia e para a atitude do salve-se quem puder que grassa por aí a olhos vistos.
A mim, uma das situações que me começa a revoltar é que a facilidade com que estamos prontos a invocar direitos e reivindicar benesses não seja minimamente acompanhada por um grau mínimo de cumprimento de deveres.
Tudo isto, este chorrilho de queixumes mal alinhavados, porque estou verdadeiramente farto de me cruzar com gente assim. Gente a quem a nossa depauperada (estará mesmo?) Segurança Social paga tratamentos médicos privados e que nem se dá ao trabalho de deles usufruir, gente a quem o Ministério da Saúde oferece consultas gratuitas (convencionadas com os privados) para os seus filhos e que é irresponsável ao ponto de não aparecer ou sequer telefonar a marcar consulta, gente que vai literalmente vivendo encostada ao rendimento social de inserção (RSI) e que se limita a fazer com a periodicidade mínima obrigatória um ou outro curso de formação ou requalificação profissional, não com o intuito de arranjar emprego mas sim de assegurar mais uns meses de subsídio estatal.
Há por ai um sem número de pessoas (cada vez mais?) que não só não merece os poucos apoios que o Estado vai dando como acaba por evitar que essas verbas cheguem a gente mais necessitada e infinitamente mais merecedora.
Ao ritmo a que vou ainda acabo daqui a uns meses a falar dos beneficiários do RSI (medida que sempre defendi) como “ciganos”, ou a fugir ao Fisco e à Segurança Social. E não duvido que também eu direi na altura que a culpa não é minha, mas sim do sistema que não funciona…

12.6.06

o selecionador do senhor da barbicha

No artigo de opinião do jornal "A Bola" da passada 3ª feira, Miguel Sousa Tavares escreve o que quanto a mim retrata, de uma forma muito aproximada, o que muitos portugueses - entre os quais eu obviamente me insiro - sentem pelo dito senhor.

"o selecionador nacional é um sujeito mal-educado, arrogante, ignorante e saudoso de regimes sem liberdade de imprensa. Até pode, por absurdo dos deuses, voltar da Alemanha com o título mundial na bagagem: nem por isso, a meu ver, o tornaria qualificado para representar e chefiar a selecção do meu país"

Diferenças

Mundial 2002- António Oliveira achava que encher o balneário de alhos dava uma vantagem extra à selecção.
Mundial 2006- Scolari prefere contar com o contributo de um amigo padre que benze equipamentos e água, pelo telefone!

Até ver, o método Scolari resulta melhor.

9.6.06

Histórias da rádio

Ontem ouvi na rádio uma peça deliciosa, pela fantástica voz daquele excelente contador de histórias chamado Luís Filipe Barros. Cá vai, em discurso indirecto, abusivamente entremeado primeiro e concluído depois com alguns comentários aqui do próprio:
Já depois da separação dos Beatles, Paul Mccartney e exma. esposa Linda foram até Nova York, a caminho de uma digressão no Japão, onde passaram algum tempo com John Lennon e exma. mulher Yoko Ono. Aí chegados, terão referido que durante a futura estadia em Tokyo iriam ficar alojados numa determinada suite de um determinado hotel (cujo nome confesso não ter fixado) que sabiam ser a suite preferida do casal Lennon-Yoko, ou Yoko-Lennon para ser mais cavalheiresco. No entanto, quando chegaram ao Japão foram imediatamente interceptados pela polícia que depois de descobrir 20 cigarros de erva nas malas, deteve Paul durante 10 dias e depois expulsou-o do país, estragando obviamente a tal digressão. Fica no ar a dúvida se terá sido Yoko Ono, preocupada com a eventual alteração do karma da sua suite favorita (já se sabe que o karma é uma coisa tão indefinida como instável), a denunciar o azarado casal à polícia japonesa. A verdade factual e indesmentível é que um dos agentes que foi ao aeroporto travar Linda e Paul era primo dela.

Dito isto, esta suposição pode não ser verdadeira, mas volto ao belo do ditado “porquê deixar a verdade estragar uma boa história?”. Pelo mesmo diapasão, deixo também para vossa análise a minha convicção, já velha de muitos anos e suportada apenas por uma boa dose de cinismo intuitivo, que a mesma Yoko Ono foi a cabra que acabou com os Beatles.

P.S.- para que não fiquem dúvidas esclareço que nunca gostei especialmente dos 4 de Liverpool, talvez porque lá por casa durante os meus anos de petiz sujeito ao gosto musical dos progenitores, outros valores cantavam mais alto: Leonard Cohen, Ellis Regina, Neil Diamond e principalmente Cat Stevens, hoje Yussuf Islam, ainda e sempre um dos meus favoritos.

7.6.06

...

Não tenho tido nem inspiração nem paciência para postar. Falta-me a vontade necessária para escolher os verbos e para decidir os advérbios que permitam encadear as ideias, que aliás também faltam. Não me apetece pensar em substantivos com mais ou menos substância e nos adjectivos com que os colorir. No entanto, olho para o blog e já lhe sinto a carência em crescendo, já lhe adivinho a sensação de abandono como se fosse um cãozinho na aproximação do Verão. Assim sendo, pesando os prós e os contras, os porquês e os portantos, decidi sacudir esta morrinha que se instala ao de leve (moving up slowly inertia creeps…) e falar de temas mais ou menos actuais:

Ponto 1 – 100% de acordo com a nova lei do tabaco. Aliás, confesso que me custa a entender o argumento da suposta “violação de direitos” dos fumadores, porque como não podia deixar de ser ninguém os impede de fumar. É uma escolha individual, mas que deve ser exercida sem prejudicar terceiros. Fumem nas varandas, à porta dos cafés, etc… mas não se achem no direito de impor a sua escolha aos que decidem em sentido contrário. É fundamentalismo? É o politicamente correcto? Até pode ser, mas tem toda a lógica como medida de civismo e acima de tudo como política de promoção da saúde pública.

Ponto 2 – já estarão carecas de saber que não gosto de Scolari nem suporto o Madaíl. Mas digam-me com sinceridade se alguém compreende a forma arrogante e mal-educada como a selecção de futebol, que deve representar o País lá fora e que tanta importância tem para os nossos imigrantes, os tem tratado. Desde o desdém na chegada ao aeroporto, à birra de acabar o treino mais cedo porque alguém no público não devolveu uma bola, até ao cúmulo de reduzir ao mínimo os treinos abertos ao público, multiplicam-se os exemplos de atitudes de prima-donas. Se a selecção só serve para jogar futebol, então serve para muito pouco, e não merece este folclore de bandeiras e cachecóis, que diga-se tresanda a patrioteirismo de pacotilha e encomenda.

Ponto 3- não surpreende, mas mesmo assim é difícil de aceitar a reacção de puro bota-abaixo dos sindicatos perante a proposta do Governo relativamente aos funcionários públicos a colocar no quadro de excedentários. Que um tipo possa estar sem fazer absolutamente nada, a receber 100% do salário original durante 2 meses, 85% (?) durante mais 10 meses, 66% durante 10 anos, etc... e que possa ainda por cima acumular isto com um outro emprego no sector privado é, no mínimo, muito generoso, especialmente se comparado com o que acontece a um trabalhador do sector privado quando perde o emprego. Haja termo de comparação e alguma vergonha.

6.6.06

Estou preocupado!

Não sei se será do merdoso seleccionador que temos - que a partir de agora designarei de "gajo" - ou da quantidade de trabalho que tenho pela frente, mas a verdade é que ando sem "pica" nenhuma para a participação da nossa selecção neste Mundial. Eu escrevi "nossa selecção"? Desculpem-me este erro... A "selecção do gajo" deveria eu ter escrito!

E a falta de "pica" é tal que até mudo de canal de tv/emissora de rádio quando ouço notícias da selecção do gajo... Parece que me tornei daqueles espécimes masculinos raros que não gosta de "bola"... Mas eu gosto e muito!! Conheço os craques estrangeiros como poucos protugueses... Será que apanhei uma overdose?

Não há pachorra nenhuma para as conferências de imprensa tipo cassete, nem para as entrevistas de rua ao "pobinho", nem para os fora... Estou a ficar preocupado... Será melhor marcar uma consulta para os AA (anti-futebólicos anónimos)?

Pode ser que a "pica" volte quando o mundial começar... Sinceramente nem sei o que espero deste Mundial para a selecção do gajo... Não costumo ser pessimista, mas este tipo a quem chamam Felipão, conseguiu deixar-me desorientado... Não estou optimista nem pessimista... Inerte parece ser a palavra mais indicada... A selecção não me entusiasma... Só mesmo o Deco, o Figo, o Tiago, o Ricardo Carvalho e o Cristiano Ronaldo me farão ficar em frente de um televisor... Estou preocupado!

Preciso de ajuda, amigos... Chamem-me para ver o jogo convosco... Ao menos sempre dá para pormos a conversa em dia e é uma boa desculpa para estarmos juntos... Pode ser que a vossa energia me "reanime"... Isto partindo do princípio que não estais como eu, claro... Se estiverdes, vai um King ou um Bismark ou um Blackjack ou um Risco, sempre com um olhar de esguelha e, claro, se a selecção estiver a perder por 2 de diferença... Alto lá!... Já estou a gostar mais!... É melhor terminar por aqui, senão ainda acabo este post a falar bem do gajo... Bem, também não exageremos!!!... Isso seria impossível por muito que me lembre que o gajo até tem umas taças dos libertadores e um campeonato do mundo no c.v. ...

1.6.06

Cada tiro cada melro, cada cavadela cada minhoca...

O desemprego está em níveis nunca vistos, a situação económica vai melhorando mas em ritmo de caracol em passeio, diversos sectores profissionais (agricultores, professores, pescadores,etc...) vão dando largas ao seu descontentamento pela acção do Governo.
Lá por fora agravam-se os sinais duma inevitável crise energética à escala mundial, Timor-Leste corre sérios riscos de entrar em processo de autofagia e o dossier das ambições nucleares do Irão ameaça desequilibrar de vez o já de si caótico cenário do Médio Oriente.
Enquanto isso num país à beira-mar plantado, dias depois de darem o seu contributo para evitar que uma coisa tão comezinha como o trabalho os viesse a impedir de ver jogar a sacrosanta selecção de futebol, os deputados do maior partido da oposição lançam uma proposta subscrita entre outros pelo seu inenarrável líder parlamentar, em que elegem como prioridade a criação de um Dia do Cão, para celebrar anualmente o melhor amigo do homem.
Fico honestamente na dúvida sobre qual destes animais será mais racional.



30.5.06

"Ripa na rapaqueca..."

Escaldados com a recente e merecida vergonha que passaram com o caso da falta de quorum, os deputados portugueses deram hoje mostras de uma capacidade de antecipação e de atempada resolução de problemas de que muitos não os julgavam capazes. E logo por unanimidade, mostrando que quando as causas são mesmo importantes eles conseguem deixar de lado as rivalidades comezinhas do jogo político. O plenário? muda-se para o horário matinal. As comissões parlamentares? começam lá para o fim da tarde. Tudo porreiro que o que a malta quer é ver a bola. Acham que estou a exagerar? E se os dois primeiros jogos não fossem ao fim de semana? E se passarmos aos oitavos de final? E aos quartos? Porque não fechar a Assembleia durante o Mundial ou pelo menos mandar instalar Sporttv no bar ou mesmo no próprio hemiciclo?

O homem moderno?

Depois de ter acabado de ver aquela que é para mim uma das melhores séries televisivas de sempre, eis que me deparo com uma das realidades actuais do meu dia-a-dia: a lavagem da louça. Hoje, ou melhor dizendo ontem, aquilo que é normalmente feito a bufar e a pensar raios me fodam se no próximo natal não peço uma máquina de lavar louça àquele tipo gordo da Lapónia, acabou por se tornar num momento zen. É que quando já me aprestava a dar início à função, tropecei visualmente no leitor de mp3 da A.. O resultado final foi um gajo semi nú mas de avental vestido, a lavar pratos, panelas e talheres, e a ouvir Peter Murphy, Bowie e Massive Attack (para não estragar a história decidi não referir algumas músicas de gosto duvidoso que tive de gramar pelo meio).
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