os quatro elementos da natureza os quatro pilares da sabedoria os quatro atributos do corpo os quatro cavaleiros do apocalipse

30.12.06

Dilema moral


Ser contra a pena de morte e mesmo assim achar que foi feita justiça.

29.12.06

A mais sexy do ano

































A tenista russa Maria Sharapova foi eleita a atleta mais sexy de 2006 pela revista norte-americana Sports Ilustrated... Esta dá "aulas" de ténis à sua colega Kournikova!

23.12.06

A mulher do ano.



Pode até parecer a algumas almas mais sensíveis que há um certo exagero no epíteto atribuído à personagem, mas a realidade é que “Carolina” como agora lhe chamam os portugueses teve um impacto na vida mediática lusitana só comparável ao de um elefante numa loja de porcelana. Façamos, como se impõe, uma curta retrospectiva para melhor contextualizarmos a situação: andava a dita cuja algo perdida entre as danças nos colos e nos varões quando Pinto da Costa, inebriado pelos calores nocturnos e provavelmente sob os efeitos secundários do comprimidinho azul (o melhor amigo do homem a seguir ao cão), se convenceu que aquela gata borralheira trabalhadora e boazinha era a mulher da vida dele, digna inclusivamente de ser apresentada a sua excelentíssima e soleníssima santidade il Papa.
Como sempre acontece nos contos de fadas, tudo correu na santa paz do senhor até que os efeitos do encantamento terminaram e a realidade, nada incomodada com a crueldade que às vezes a caracteriza, interrompeu o idílio amoroso dos improváveis pombinhos. Com direito a capa nas revistas cor-de-rosa e a entrevistas televisivas, veio Carolina com olhinhos de sabujo alemão gritar aqui d’el rei que tinha sido maltratada e mostrar, com estudada pose de mulher indefesa, as nódoas que provavam a negra e vil agressão. Estão as coisas mais ou menos neste pé quando sai do prelo o famoso “Eu, Carolina”, abrindo literalmente a caixa de Pandora. Por entre relatos das liberdades gasosas a que o seu Giorgio se prestava, ficamos também a saber acerca do café e dos chocolatinhos para os árbitros e do rocambolesco episódio do ataque ao vereador Bexiga. Findemos então a retrospectiva, aliás por demais conhecida e assim sendo quiçá desnecessária, e passemos a analisar os dados em questão.

Diz a apostólica e católica Igreja Romana que para um indivíduo alcançar o famigerado estatuto de Santo é forçoso que as competentes entidades especializadas na difícil tarefa da certificação de milagres declarem que tal indivíduo realizou pelo menos 3 destes mais pios dos actos e, dictum e factum, teremos Santo na costa.Pois bem, eu, vil ateu ignorante nos caminhos e desígnios do Senhor e dos seus autorizados representantes, alvitro destemido, deixando à consideração da vossa superior análise que a dita Carolina já fez méritos mais que suficientes para cumprir tão apertado critério. Senão vejamos:
- é ou não um portentoso milagre mudar do estatuto de alternadeira, a gata borralheira, a namorada, a companheira, a noiva, passando novamente a reles rameira e finalmente a dilecta discípula de S. Jorge, matador de dragões?
- é ou não um portentoso milagre transformar em leitores compulsivos milhares de pessoas que anteriormente só exerciam essa capacidade nas legendas de filmes ou rodapé de telejornais?
- é ou não um portentoso milagre devolver, tão de acordo com o espírito da natalícia quadra, a alegria e a esperança a 6 milhões de portugueses?
- é ou não um portentoso milagre conseguir, no meio dos nebulosos meandros da justiça à portuguesa, ressuscitar de uma penada um processo que parecia moribundo?
- e finalmente, é ou não um assombro milagroso digno de divino registo fazer com que o indivíduo que reconheceu ter mandado agredir a apontasse como exemplo da atitude cívica?

Conclua-se à já longa epístola dizendo que Pinto da Costa ignorou sugestivos exemplos como os de Eva, Medeia, Dalila ou Lucrécia Bórgia, avaliou muito mal o perigo do errado manuseamento da dita Carolina e corre agora o sério risco de pagar por esse tão primário dos pecados, curiosamente às mãos de outra mulher.
Esperemos pois, com paciência de Jó, pelas cenas dos próximos capítulos.

21.12.06

Importa-se de repetir?

Paulo Bento a assumir "divórcio" com Carlos Martins:

"Os que querem vir à "guerra", montam-se nas minhas costas... Os que não quiserem, ficam de fora!"

12.12.06

O Pai Natal

Não bastava o pobre do homem morar na Lapónia, que como toda a gente sabe faz fronteira com o cú de judas. Não bastava o frio que por lá se deve rapar. Não bastava a porra da barba sempre suja de molho de rabanadas e com pedaços de filhoses. Não bastava ter como única companhia uma mulher obesa e vestida de encarnado como prenda todos os dias do ano. Não bastava ter 8 renas alcóolicas como animais de estimação e ter como único meio de locomoção um treno velho como a putaça sem cobertura ou aquecimento. Não bastava ter que descer pelas chámines como um ladrão e ter que enfiar a merda das prendas em meias a cheirar a mofo do ano anterior. Não. Tudo isto não bastava.O espírito natalício dos tugas descobriu uma nova e dolorosa forma de castigar o pobre do velho. A moda agora é deixá-lo pendurado nas fachadas dos prédios, preso às varandas e a trepar uma escadinha, sujeito ao frio, à chuva e à neve todo o mês de Dezembro e quiçá até aos Reis.
Olha Pai Natal, aceita o meu conselho e manda-os todos à merda...Não há patrocínio da Coca-Cola que valha tanto sofrimento.

P.S.- isto foi escrito em 16.12.2005, mas como a moda se manteve...

5.12.06

Camarate.

Diga-se que já lá vão 26 anos, 7 ou 8 comissões de inquérito, mais de 10 Governos e 3 Presidentes da República. Diga-se que quer o Ministério Público quer os diferentes tribunais que se pronunciaram sobre o caso concluiram que as provas existentes nem sequer justificavam a realização de um julgamento e que o alegado acto entretanto já prescreveu.
Pouco interessa. Alguns dos nossos políticos, sempre prontos a encher a boca de generalidades como o respeito pela separação de poderes e pela autonomia dos tribunais quando a coisa não lhes toca a eles, não concordam e como acham que se tratou de um crime preparam-se para engendrar uma qualquer solução ad hoc que permita que este caso chegue a julgamento.
Que a genial dupla Marques Mendes - Marques Guedes se saia com esta ideia não é de espantar. Que aquele pavão arrogante chamado Marcelo Rebelo de Sousa não perceba (ou finja não perceber) o perigo desta linha de acção já é mais surpreendente.
Que o PS se prepare para alinhar no jogo torna o assunto um caso bem sério porque dá pernas para andar a esta noção idiota do Parlamento como o verdadeiro Supremo Tribunal.
Assim sendo só resta esperar que Cavaco Silva esteja atento e não deixe passar em claro esta irresponsabilidade. Não será preciso muito esforço, afinal basta uma palavrinha rápida num qualquer discurso.

4.12.06

Sugestões


Um grande livro, daqueles que se tornam difíceis de pousar.
Obrigado J. pelo empréstimo e pela sugestão.




Um bom filme, à lá Scorsese e com um Jack Nicholson fabuloso (a piscar o olho a um novo Óscar?)

30.11.06

Ron Mueck


Pregnant Woman - 1997 - 2.52 alt. - "Beleza da Maternidade"


Big Man - 1998 - 1.83 alt. - "Solidão Humana"

Escultor Australiano hiper-realista - 1958 - que trabalha sobretudo com fibra de vidro. Excelente ao nível da escolha temática, do detalhe - não fosse ele um "hiper"- , e do controlo de escala.

26.11.06

Rejeição.

Fechou a porta com estrondo e encostou-se a ela como quem procura um abraço ou um ombro amigo. Dentro do peito o coração batia forte e rápido, como se pretendesse escapar daquela prisão, daquela dor, rompendo violento por costelas, esterno, derme e epiderme. Depois de ter cumprido um longo trajecto desde o canto do olho chegou-lhe à boca uma lágrima, solitária e triste, nem doce nem amarga mas sim com um leve travo a salgado. Inevitavelmente lembrou-se do gosto dos lábios dela, uma improvável mistura de limão, canela e maçã. Por mais que pensasse não encontrava resposta para as perguntas que sem descanso lhe martelavam a cabeça: porquê? o que correu mal? onde falhei? porra, será que falhei?
Que não era culpa dele, tinha-lhe dito ela. Que lá bem no fundinho não era culpa de ninguém, que era óbvio que a relação não tinha rumo, não tinha futuro, vivia apenas do passado e estava imóvel, parada no tempo do presente como um velho sentado à beira da estrada a pensar no que já foi, mero espectador da vida dos outros. Que tinha por ele muito carinho, disserá ela sem se aperceber da mais que absoluta crueldade da expressão. Não conseguiu evitar um sorriso, no fundo um esgar de cinismo. Ele que durante anos sempre se fechara em copas, evitando ir a jogo, evitando o terreno minado das relações, tinha atirado o cuidado às urtigas e dado finalmente tudo de si, arrastado num torpor dormente, metade dor metade prazer, enfeitiçado por aqueles enormes olhos de preto azeitona, ao mesmo tempo límpidos e enigmáticos. Incoerências, contrasensos, irracionalidades várias. Os sinais estavam lá, pensava agora enquanto olhava para trás. Como era possível ter sido vaidoso ao ponto de presumir que poderia conter numa redoma toda aquela alegria, aquele sentido de humor e sorriso imparáveis, cheios de promessas, cheios de calor? Tinha-se resumido tudo a uma luta inglória com um final tão previsível que nem sequer se podia dizer surpreendido. Quantas vezes tinha assistido a situações destas, confortavelmente instalado no seu habitual posto de atento observador, seguríssimo no seu papel de ombro amigo para as horas más, fiel porto de abrigo. Onde estava agora toda a confiança, a calma que demonstrava quando arrogantemente aconselhava os outros? Idiota.
As frases feitas, os muitos peixes do mar, o tempo que tudo cura, de que lhe serviam agora, no meio da baba e do ranho? Idiota.
Como um autómato serviu-se de um copo generoso de whisky que tragou com um gole. Bebeu outro e ainda mais outro, numa patética tentativa de conquistar um estado de ausência, um não estado onde tudo aquilo não existisse pelo menos durante um par de horas. Onde ela não existisse. Nem os olhos, nem o sorriso, nem as mamas, nem aquela boca e aquela língua. Deu consigo a masturbar-se, de raiva e de despeito. Só quando se veio, mecanicamente, cansado e banhado em lágrimas, é que constatou que o lhe doía não era estar novamente sozinho. O que lhe doía ao ponto de o queimar por dentro era a profunda certeza de que iria sempre gostar dela.

24.11.06

Notas soltas

1- Uma vantagem competitiva da pátria.
2- Uma estratégia hard-core.
3- Um ataque a um nicho de mercado tradicionalmente reservado às coelhinhas da Playboy.

15.11.06

No meio das pedras e dos chicotes...

De tempos a tempos, contrariando uma visão da mulher que parece comum a grande parte do mundo islâmico (como um mero instrumento de posse, sem direito a escolher com quem casar, o que vestir, onde ou como trabalhar, etc...), lá aparecem umas notícias que, enfim, lançam uma pequena esperança de que o estado actual das coisas não é uma fatalidade inalterável. Será uma mera luz ao fundo do túnel, eventualmente até uma vitoria de Pirro se tivermos em conta as reacções dos partidos religiosos, mas mesmo assim esta iniciativa merece ser saudada.

8.11.06

Perdedores.


O dia de ontem foi marcado pelas eleições americanas, cuja influência é tal que há quem sugira meio a sério meio a brincar que o assunto é importante demais para ser decidido só por eles.
Desta vez não houve milagres de última hora para contrariar as sondagens e os republicanos perderam mesmo a Câmara dos Representantes e provavelmente o Senado.
Não lhes valeu a roda viva em que Bush passou os últimos dias, nem a gafe de John Kerry ou a sentença de Saddam. Não lhes valeu usar o medo como arma eleitoral, nem o recurso a truques pouco edificantes como os negative adds ou até insinuar o suposto anti-patriotismo de alguns democratas (por se atreverem a discordar do rumo seguido no Iraque ou do uso de tortura nos interrogatórios de suspeitos). Não houve voto evangélico salvador.
Visto de fora, nem sequer se pode dizer que o mérito é inteiramente dos democratas mas sim da conjugação entre o crescente número de baixas americanas no Iraque (agravado pela percepção cada vez mais clara de que não há uma estratégia para resolver o futuro do país, quanto mais torná-lo num exemplo de democracia...) e o acumular de escândalos comprometedores envolvendo alguns dos principais elementos do Partido Republicano.

Dá-me vontade de rir as teorias que começam a circular por aí (nos blogues do costume) de que quem está contente com este resultado só pode ser o povo de esquerda que festeja as vitórias de Lula e simpatiza com Castro, Morales ou Chavéz. É tão fácil meter tudo no mesmo saco e brandir a estafada acusação de anti-americanismo primário. Eu, que estou contente porque Bush e a sua doutrina perderam, não aceito esse rótulo.
Pode ser um excesso de optimismo ou até ingenuidade, mas acredito que a partir de 2008 o próximo Presidente (seja ele o republicano McCain ou a democrata Hillary) não cometerá os mesmos erros de Bush, mesmo que a política externa dos EUA se mantenha mais ou menos igual.

7.11.06

Músicas da minha vida (III)

Massive Attack - Teardrop



O videoclip é bom. A música é assombrosa.

2.11.06

À conversa com uma mulher de 70 anos...

A simpática madame, mulher de armas, resistente de muitas batalhas, com uma vida de trabalho de sol a sol no campo e 24 sobre 24 em casa, com uma tolerância à dor de fazer inveja a muito pseudo-macho que por aí anda, afectada por um severo caso de pelosidade malina quer facial quer nos apêndices locomotores, dissertava, daquela forma que só as pessoas verdadeiramente genuínas sabem fazer, sobre a sua relação com o marido.

Contava ela que, mesmo com mais de 50 anos de casamento, ainda se dão muito bem ou melhor sempre se deram bem. Riem-se, ela vai-se metendo com ele porque ele é mais do estilo calado e nunca, mas mesmo nunca discutiram. Nem uma vezinha que fosse. E isto derivado da forma de ser dos dois e da forma como ela foi educada, sendo que teve uma avó que muito lhe ensinou. E deu como exemplo esta pérola que passo a partilhar:
"A minha avó dizia para olhar sempre com atenção para a cara do marido quando ele entrasse em casa. Se vinha chateado, aconselhava-nos a fazer duas coisas: primeiro devíamos encher a boca de água, isto para não correr o risco de dizer algo que o irritasse, e depois devíamos esconder da vista ou pelo menos arrumar para um canto qualquer banquito que houvesse na cozinha, isto para não correr o risco de levar com ele nas costas."

Antes de se ir embora, ainda se ria bem disposta quando disse "ah eu digo estas coisas mas a verdade é que com esta barba tão forte eu podia bem ser homem".

29.10.06

Mais valia terem estado quietinhos...

Gosto do Gato Fedorento. Sketches como o da claque de futebol, o do tipo “o que tu queres sei eu”, o do cunami ou mesmo o rap dos matarruanos são momentos de puro génio e ficarão para a história do humor em Portugal.
Assim sendo, foi com grande expectativa que me preparei para assistir ao 1º episódio da nova série “Diz que é uma espécie de Magazine”.
Bom, num esforço para ser meigo na apreciação diria que foi assim uma espécie de acto falhado ou se preferirem uma espécie de valente trampa, só se salvando os poucos sketches (especialmente o calceteiro lisboeta e o Salazar).
O modelo dos 4 sempre em palco encadeando uma série de piadas mal alinhavadas tipo papagaios ensaiados é um bocejo só e o que dizer então do público ao vivo? Se era para isto mais valia terem ido para o Levanta-te e Ri. Já a participação de figuras convidadas (neste caso os Da Weasel) para servir de introdução a mais sequências de piadas forçadas e obrigatórios risos enlatados da audiência, é uma ideia que remete quase para o programa do Herman, o que como se compreende não é positivo.
Volta Lopes da Silva…?

27.10.06

Seinfeld

"People don't turn down money.
It's what separates us from the animals."

23.10.06

Músicas da minha vida (II)

10 000 Maniacs - these are days




Porque por mais que viva esta música estará sempre associada à minha melhor amiga e a um momento muito feliz.
Como diz o outro, não se ama alguém que não ouve a mesma canção.

20.10.06

Músicas da minha vida (I)

Podia ter selecciondo outras músicas fabulosas, como L.A. Woman, Love Street, Break on Trough, etc... Podia até ter posto a tocar o mítico Roadhouse Blues, mas a verdade é que mesmo no início dos anos 90, quando ouvir Doors era para mim um vício diário quase compulsivo, fiquei algo saturado porque não havia discoteca ou rádio que não a passasse sempre, como que ignorando todas as outras.

19.10.06

Aborto. Ou IVG. Ou desmancho.

Preâmbulo
Hoje, 19 de Outubro do ano da graça de 2006, voltou a discutir-se o aborto na Assembleia da República. Aprovada a proposta do PS, rezam as crónicas que o referendo será lá para finais de Janeiro ou inícios de Fevereiro.

Raramente vi nos últimos anos um qualquer tema ser discutido duma forma tão apaixonada e, talvez por isso, tão repleta de imbecilidades várias como este tem sido.
Desde as mulheres que solenes, altivas e autoritárias entendem mostrar o ventre com um “aqui mando eu” escrito, aos manifestantes ditos pró-vida que as classificam como assassinas e usam para dar maior dramatismo à acusação fotos de fetos com muitos meses como se tivessem algumas semanas. Sem esquecer aqueles que acham que tudo está bem assim, leia-se as ricas vão fazer o “serviço” travestido de viagem de compras a Londres e as pobres e remediadas ficam-se pelos vãos de escada mais próximos.
Movimentos ditos pró-aborto, movimentos ditos pró-vida, no fundo tudo faces do mesmo maniqueísmo primário, cada qual invocando supostos direitos e supostas superioridades ético-morais, numa amálgama mal alinhavada de conceitos científicos, religiosos e sociais.

Desde que o mundo é mundo sempre existiu o aborto. Através do recurso a rezas, responsos, ervas, chás, comprimidos ou actos cirúrgicos, as técnicas de desmanchos foram-se modernizando, a par e passo com os progressos da ciência e os ditames das diferentes sociedades. A verdade é que independentemente da vontade de legislar e de regular a interrupção voluntária da gravidez, esta será sempre um acto profundamente individual (com ou sem apoio do parceiro) mas mesmo assim individual e até solitário. Sendo pragmático, diga-se que não se pode obrigar nenhuma mulher a levar uma gravidez não desejada ao seu termo tal como não se pode obrigar a uma interrupção da mesma.
Dizem alguns que a questão está na (irrespondível) premissa do “onde começa a vida”. No óvulo? No espermatozóide? Às 10 semanas? Às 16? Ou talvez só quando o feto adquire capacidade para ser viável no mundo exterior? Cientificamente falando acho lógica a conclusão de que a vida, tal como a conhecemos e aceitamos, começa com a formação do Sistema Nervoso Central, com uma mesmo que leve noção da existência duma consciência, da percepção do Eu ou até da capacidade de sentir dor. Como dizia outro dia o Albino Aroso, isto é razoável porque é exactamente o raciocínio que aplicamos para decretar a morte em casos duvidosos: há vida enquanto há algum tipo de actividade cerebral.
De qualquer forma não me parece que a questão seja esta, ou muito menos se as mulheres são ou não levadas a julgamento. Chamem-lhe crime, pecado ou direito, um aborto é algo profundamente indesejável tanto para uma só mulher como para a sociedade enquanto um todo. Julgo que a ninguém no seu perfeito juízo pode ocorrer usar a IVG de forma leviana ou como sistema de controlo de natalidade. Dito isto, chegamos aquele que é para mim o cerne da questão. Nem pílulas nem preservativos nem DIU’s nem coitos interrompidos ou métodos de medição de temperaturas garantem 100% de eficácia. Assim sendo, as pílulas do dia seguinte ou mesmo os abortos serão sempre uma realidade independentemente da lei, da religião, da moralidade, consciência social vigente ou até do país em que se viva. Como a decisão será sempre individual, então o drama é que um aborto possa ocorrer de forma clandestina, suja e perigosa, tanto do ponto de vista da saúde física como da saúde psicológica da mulher. Encaremos assim a questão de frente, para que quando uma mulher estiver na dúvida sobre o que fazer possa ter um acompanhamento médico, psicológico e social para apoiar qualquer decisão que ela vier a tomar (IVG, dar o bebé para adopção ou tentar criá-lo). É preferível, ou melhor, é necessário que tudo isto se passe à luz do dia, com profissionalismo, compaixão, informação e segurança.
Se sou a favor da vida? Claro (quem não é?).
Se punha algum dia em hipótese, dependendo do contexto, sugerir à minha parceira um aborto? Posso facilmente escrever um rotundo não, mas é mais real dizer que não sei.
Se acho que um aborto só deve ser encarado como uma solução de último recurso? Sim.

Se vou votar a favor da despenalização do aborto (e contra a clandestinidade e alguma hipocrisia)? Sim.

12.10.06

11.10.06

Lei das Finanças Locais




Qualquer medida que suscite a oposição destes 2 indivíduos merece o meu total acordo. Com direito a ser aplaudida de pé.

9.10.06

Em Lisboa, no dia 7 do 7 de 2007

...serão anunciadas as Novas 7 Maravilhas do Mundo.
A New7Wonders Foundation, criada pelo suíço Bernard Weber em 2001, dedica-se à divulgação e preservação de monumentos mundiais e 2 200 anos depois da eleição das 7 maravilhas do Mundo Antigo, propôs-se organizar uma nova escolha desse género.
A votação é aberta a todos os cidadãos do mundo, podendo ser feita por telefone ou pela net.

Há 21 monumentos seleccionados (desconheço quem os escolheu e os critérios seguidos), incluindo alguns cuja presença é muito discutível, mas a verdade é que não é nada fácil escolher apenas sete.
Fica o desafio e já agora a escolha que fiz (a ordem é aleatória...):
-Grande Muralha da China
-Pirâmides de Gizé
-Coliseu Roma
-Torre Eiffel
-Petra
-Pirâmide Chichén Itza
-Acrópole Atenas

8.10.06

De tanto ouvir acabei por acreditar...

Não sei se tem sido todos os dias assim, mas na passada 6ª feira quando me deslocava bem cedo para terras transmontanas tive que ouvir a TSF anunciar, vezes sem conta, uma contratação de "peso" para as manhãs de 2ª feira às 8h30 para uma rúbrica chamada "Linha da frente"... O que vos digo é que ainda bem que a essa hora nesse dia já estou a trabalhar... Não terei de gramar o chorrilho de "escovas de pêlo macio & graxas" a que esse senhor nos habituou.

Visto de outro ângulo, como ele já perdeu tudo o que havia para perder, agora pode tentar adoptar um estilo mais "escovas de pregos & limas" tipo V.P.V.

Acreditem que estive mesmo para ligar à TSF a perguntar se era eu que andava assim tão desorientado e já estavamos no 1º de Abril...

2.10.06

ADSE.

-Li há algumas semanas na coluna de opinião que Vital Moreira mantém no Público um artigo (sem link) em que este se insurgia contra o enorme buraco nas contas da ADSE, propondo como solução mais justa o fim deste sistema de assistência (ou em alternativa um aumento nas contribuições dos seus beneficiários directos que permitisse tornar a ADSE auto-suficiente).

-O Governo veio há dias anunciar esses mesmos aumentos (de 1 para 1,5% para os funcionários no activo) e a novidade dos trabalhadores já reformados também contribuirem. Parece pouco e provavelmente não evitará que as contas da ADSE continuem no vermelho, mas é um passo justo na mais que lógica harmonização do sector público e privado.

-Depois de anos a levar com a retórica da direita (supostamente mais liberal) acerca do excessivo peso do Estado, acerca da sua autofagia só para se manter a funcionar, confesso que é com alguma incredulidade que ouvi Marques Mendes criticar esta medida. Como se isto não fosse suficiente, ainda tive hoje o duvidoso privilégio de ler Luís Delgado a qualificar esta medida governamental como uma "taxa injusta e inédita em termos de justificação."

Ora meus amigos, se um governo PS e um colunista ex-PCP são o expoente liberal da sociedade e o PSD e um colunista pró-direita, pró-Santana, pró-Bush, etc... ficam do mesmo lado da barricada que Carvalho da Silva ou Bettencour Picanço, então há que dizer que o mundo está mesmo ao contrário.

28.9.06

Quando o tédio ataca...

Hoje ouvi na rádio que a cada segundo que passa nasce um blog novo no mundo.
Pensei que a cada segundo que passa haverá também nascimentos, mortes, casamentos, divórcios, baptizados, bar mitzvahs, agressões, assaltos, beijos e orgasmos.
Talvez um dez enfim cem mosquitos que morrem espalmados num qualquer pára-brisas automóvel.
A cada segundo que passa nasce então um blog novo no mundo, ou num fraseamento talvez mais correcto, um mundo novo num blog. Teremos assim tanto para dizer? Tantas opiniões diferentes sobre as mesmas coisas? Será que, no meio deste infinito mar de gente que acha que tem algo para dizer, haverá ainda alguém verdadeiramente disponível para ouvir?
Será só um entretém, um passatempo, vá lá um hobbie como agora se diz. Servirá como válvula de escape. Talvez enquanto andamos neste corropio de posts, links e comentários, neste círculo vicioso, nestas voltas de 360 graus, não nos sobre tempo para parar e para pensar por exemplo na porra de dia que tivemos, ou na vontade que temos de (nem que seja por breves instantes) ser outra coisa qualquer, desde que diferente, desde que não esta mesma coisa de sempre.
Ser gaja em vez de gajo, velho em vez de novo ou de meia idade, bêbado em vez de sóbrio, sei lá bem, trolha como o ambrósio da areosa.

Ignorem o teor pseudo melancólico-revoltado das linhas anteriores. A realidade, nua e crua como aliás deve ser sempre, é que há dias que não deviam nascer. Dias que têm mais horas que os outros, dias em que os segundos demoram minutos a passar.

A cada segundo que passa nasce um blog novo no mundo.
Bem-vindo.

06.10.02 21.15


Quem me acompanha?


Não se desculpem com: filhos embirrentos, mulheres possessivas, namoradas ciumentas, passeios do cão, trabalhos inadiáveis, problemas gástricos, luas de mel prolongadas, indisposições de última hora, idas ou vindas do dentista, viagens longas, preços dos bilhetes, furos nos pneus, pressões da arbitragem, condições climatéricas, estado do relvado, ah e tal,...

27.9.06

Actualidades.

- A intenção do governo de instituir taxas moderadoras por acto cirúrgico ou dia de internamento é um erro (contrariamente às taxas de acesso às urgências), pois implica pagamentos por actos que não decorrem por inteiro da vontade do paciente mas sim de decisões médicas. Para aqueles de vós que aceitam o princípio do utilizador/pagador como justificação para esta medida, diria que a este ritmo, e sendo fiel à lógica da coisa, tudo o que é tendencialmente gratuito será pago, o que quanto mais não seja me deixa a pensar porque raio pagamos impostos.
- Não votei em Cavaco Silva, mas reconheço sem dificuldade (e já agora sem surpresa) que a sua acção nestes primeiros 6 meses tem sido globalmente positiva. Ontem, na sua primeira visita de estado, e contrariando a prática política instituída de debitar generalidades e fugir a temas polémicos, CS discursou no senado espanhol e protestou contra o evidente proteccionismo económico que grassa daquele lado da fronteira. É duvidoso que sirva de alguma coisa, mas teve o mérito de mostrar que o homem pelo menos tem cojones.

22.9.06

granítico!

a força dos novos Templos pagãos - em construção

21.9.06

Crenças.

Não acredito no destino. Não acredito que a cronologia e sequência dos acontecimentos em que participamos já esteja previamente escrita num qualquer sítio, seja este o paraíso bem lá acima das mais altas das nuvens ou as profundezas malinas dos quintos dos infernos.
Como explicar então tantos acasos e coincidências, tantos encontros e desencontros às vezes tão improváveis que lá surge o destino, inevitável como ele só, como única explicação satisfatória?
Acho que somos exactamente como moléculas num espaço fechado,
orbitamos,
circulamos,
cirandamos,
e de repente zás trás pás
lá batemos uns nos outros.
Demasiado prosaico? Talvez sim.
Talvez já estivesse determinado que eu iria um dia escrever este post.
Talvez seja mesmo verdade que "quem tem de morrer de um tiro não morre de uma facada".

Pois é!


20.9.06

Burka, séc.XXI

Ou uma nova tentativa de aproximar Ocidente e Oriente.

nova Fé ou...

três pequenas reflexões e uma distracção horizontal

Impedimentos.

Intróito.
Outro dia tive o duvidoso privilégio de ver aquele senhor que guarda o seu dinheiro na conta de um sobrinho taxista na Suiça a reagir a uma notícia do novo semanário Sol, que dava conta dos seus continuados problemas com a justiça. Disse o energúmeno que o referido jornal é um pasquim dirigido por amigos do Dr. Marques Mendes, que têm por objectivo transformar este último em Primeiro-Ministro.
Fim do intróito.

Uma das coisas que melhor diferencia uma democracia de um regime anárquico é a existência de regras, de limites que visam impedir/regular determinados comportamentos.
Uma dessas regras estipula que um cidadão só se pode candidatar à Presidência da República depois de atingir os 35 anos de idade. Ora, pensando em Marques Mendes, ocorre-me num cínico acesso de descriminação avulsa que um tipo para ser Primeiro-Ministro devia obrigatoriamente ter mais que 1,70. Na mesma linha de raciocínio, e por uma questão de boa representação do país, devia estar consagrada na lei a obrigação das nossas atletas andarem sempre bem depiladas (tudo para evitar que mais crianças se vejam traumatizadas para todo o sempre com imagens como os sovacos peludíssimos da Rosa Mota ou o viçoso buço alourado da Fernanda Ribeiro).
Continuando, e assim ao correr da pena, sugiro que:
, tipos como o Castelo Branco deviam ser impedidos de sair do país ou de regressar caso já estivessem lá fora
, o Luís Represas seja terminantemente proibido de gravar mais músicas e de cantar novamente "A próxima vez"
, cidadãos com o nome de Armando Vara, Santana Lopes ou Joaquim Pina Moura se vejam impedidos de exercer na função pública
, toda a discografia infantil da Ana Malhoa seja apreendida e queimada, de preferência em conjunto com as suas tangas à leopardo
, indivíduos com bigode não possam comer sopa em público
, seja proibido aos homens a possibilidade de usarem t-shirts caviadas.

19.9.06

La Haine - Mathieu Kassovitz


"C´est une histoire de une societé qui tombe."

É a história de um homem que se atira do 10 º andar.
Durante a descida vai passando pelos diversos andares, e vai dizendo -"até aqui tudo bem, até aqui tudo bem."

O importante não é a queda é a aterragem.

18.9.06

O valor das palavras.

Hoje ouvi um tipo na rádio (um daqueles em que o título académico já quase faz parte do nome próprio) contar uma história em que entre outras coisas se ficou a saber que a sua nora o trata por tio. Assim mesmo, sem tirar nem pôr. O tio isto, o tio aquilo. Confesso que não compreendo. Aliás da mesma forma que não compreendo que por exemplo alguém possa chamar pai e mãe aos sogros ou até filho/filha a um genro ou nora, por mais que se goste dessa pessoa.
Talvez porque sinto, lá bem no fundinho daquelas células onde se sentem os sentimentos mais profundos, que há palavras que têm muita força, palavras que representam algo ou alguém único e insubstituível. Diz a cantilena que mãe é a maior palavra pequena que o mundo tem. Diz a sabedoria popular que mãe há só uma e que tem uma mãe tem tudo. O mesmo se aplica à utilização da palavra pai ou mesmo da palavra filho/a. Para mim são termos que representam não só ligações biológicas e laços familiares mas fundamentalmente afectos, carinhos, paixões mesmo. Não tem nada de banal ou de corriqueiro e não deviam portanto estar ao sabor dos usos e formalismos do jet-set ou das convenções e contextos sociais. Nem na foz do Porto nem na linha de Cascais.

P.S.- Acabei de reler o que escrevi. Não pretendo armar-me em polícia da linguagem ou fiscal das relações dos outros, mas a verdade é que isto me eriça um bocado os pêlos, a mim, tripeiro criado no hábito do tu (e não do você) e ensinado a chamar os bois pelos nomes.

17.9.06

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De há uns anos para cá os grandes estúdios de Hollywood re-descobriram o filão das adaptações de comics.
Superman voltou agora mas na realidade já tem umas décadas, tal como Batman. Mais recentemente surgiram os X-Men, o Homem-Aranha, o Quarteto Fantástico e até o menos conhecido Spawn. De todas estes projectos aquele que foi para mim mais surpreendente quer pela qualidade do filme quer pela dificuldade da adaptação foi Sin City, a genial obra de Frank Miller (tal como disse aqui e para quem ainda não conhece, aconselho o filme e especialmente os livros).
Ontem tive oportunidade de ver este V for Vendetta, baseado numa série de banda desenhada (que infelizmente nunca li) criada por um tipo chamado Alan Moore.
A acção tem lugar numa Inglaterra futurista governada por um tirano autoritário, que usa a tecnologia para controlar a população e o medo para a manter submissa. Tudo assumidamente inspirado portanto no 1984 de George Orwell.
É impossível ver a forma como as liberdades individuais estão aqui limitadas em nome da segurança contra o terrorismo e não relacionar com o contexto actual (e futuro...) da nossa própria realidade. Acrescente-se a tudo isto actores como Natalie Portman e Stephen Rea, e uma produção a cargo dos irmãos Wachowski (o nome não me era estranho mas tive que ir pesquisar para confirmar que são mesmo os da trilogia Matrix) e temos um filme a não perder
(cujo único ponto negativo é a ausência de quaisquer extras na versão de aluguer).
Fica a sugestão.

11.9.06

U.S.Open - versão "dáma"



"Faço um sentido apelo para que alguém poste uma foto de gajas." "Testosterona, inteligência e humor" e depois pões o Federer... ...óh balha-nos deus!

Senhoras e Senhores... Maria Sharapova
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