os quatro elementos da natureza os quatro pilares da sabedoria os quatro atributos do corpo os quatro cavaleiros do apocalipse

18.7.06

My name is Baby, Sónia Baby.


Atenção aos incautos: segue-se um post de conteúdo pornográfico e de gosto discutível…

Já vai com uns dias de atraso devido a alguma falta de tempo, mas não podia deixar passar sem uma referência este invulgar acontecimento.
A menina da foto, uma espanhola com o sugestivo nome de guerra de Sónia Baby, foi uma das estrelas da recente 2ª edição do Salão Internacional Erótico de Lisboa. Ora isto por si só não é grande feito e não lhe garantiria o duvidoso privilégio de figurar como tema de post neste blog de machos lusitanos, que como se sabe são por tendência exigentes quanto à qualidade da comida que a esposa prepara, impiedosos quanto às exibições da sua equipa de futebol e dedicados servidores das suas amantes, que normalmente preferem alouradas, burras e com peitos volumosos.
Mas voltando então à Baby, que me cativou a atenção numa pequena notícia de telejornal, ela é nem mais nem menos que a mais recente coqueluche do cinema porno espanhol (diga-se de passagem que o castelhano é talvez a língua no mundo que melhor se presta à pornografia…), e destaca-se das demais companheiras por ser uma auto-intitulada acrobata vaginal. Numa altura em que a globalização e os gurus do neo-liberalismo insistem na importância da especialização como uma mais-valia, é de convir que ser doutorada num campo tão difícil e tão pouco explorado como o das acrobacias vaginais é claramente um ponto positivo para se ter num curriculum vitae. Sem mais delongas, diga-se que Sónia Baby tentou (no dia 14 do corrente mês) colocar uma corrente metálica com 20 metros dentro da sua vagina (o que caso tenha sido bem sucedido veio suplantar o seu anterior máximo de 15 metros). Se isto ainda vos parece coisa de somenos importância, saibam que iria também escrever com a vagina, retirar bandeiras e bolas de pingue-pongue. Para finalizar, e honestamente não posso garantir totalmente se de facto ouvi isto ou se já sou eu a delirar, ia jurar que Baby ia incluir no seu show (termo que raramente terá sido tão bem empregue) o arremesso ao ar de bananas. Segundo palavras da própria, num momento de rara inspiração, ”vai ser um pouco de tudo”.
Saibam ainda os mais curiosos que quando inquirida acerca da sua posição sexual favorita a actriz terá respondido, rápida e entusiasticamente, “Em cima dele, dominando. Pum! Pum! Pum!”. Abstenho-me de tentativas infantis de fazer graçolas fáceis, confesso que desconheço o desenlace do show e deixo o meu protesto por o espectáculo só decorrer em Lisboa, privando o resto do país da oportunidade de ver ao vivo esta atleta, versão moderna da mulher barbuda e do homem elefante e património da masculinidade.

P.S.- é algo envergonhado que me vejo literalmente obrigado, pela A., a deixar como adenda o seguinte esclarecimento: a parte em que se fala dos machos lusitanos é pura ficção e não tem nenhuma semelhança com a realidade deste que por ora vos fala. Ouvi tudo aqui num café perto de casa, numa cavaqueira entre 2 gajos gordos, carecas, de bigodes farfalhudos e com notória falta de dentes (essas sim, características típicas dos verdadeiros machos lusitanos…) juntamente com um aguçado sentido de auto-preservação e obediência à mulher.

14.7.06

Uma lição

Em todos os rankings internacionais relativos aos fenómenos da corrupção e morosidade/qualidade da justiça o nosso país está mal colocado (isto num contexto europeu).
A Itália, país da moda, das pizzas e das pastas, de Roma e Florença, do Vaticano, da comorra, de Leonardo e Michelangelo, de Cicciolina e Berlusconi, etc e tal..., também neste campo se tem destacado pelos piores motivos.
No entanto, e enquanto por cá vivemos o folhetim apito dourado há mais de 2 anos, sem um final lógico à vista e com um enredo ao nível das telenovelas mexicanas, e agora nos entretemos com a verdadeira palhaçada que é o caso Mateus, essa mesma Itália acaba de dar ao mundo uma demonstração (sem paralelo?) de rapidez e eficiência na aplicação da justiça. Ainda mais impressionante se tomarmos em conta que os envolvidos são apenas e só os mais poderosos e prestigiados clubes de futebol.
Dá vontade de rir pensar no que sucederia cá pelo luso burgo se, por exemplo, o Porto e o Benfica fossem condenados a descer de divisão ou a começar campeonatos com menos 10 ou 20 pontos que os restantes rivais. Atrevo-me a dizer que bem mais que todas as medidas de combate ao défice, bem mais que os ataques aos direitos adquiridos (supostamente para toda a eternidade, na mente de alguns...), uma situação dessas daria origem a um levantamento popular, ao estilo de um novo 25 de Abril.

10.7.06

Contra a corrente

Deixo desde já a ressalva de que não sou daqueles portistas que torceu contra Portugal! Sofri a bom sofrer sem, no entanto, igualar o que sinto quando é o meu FCP... Acho que o homem ao leme justifica...

Continuo na minha... Este senhor scolari ainda tem muita coisa a provar-me. Nem os resultados nem ninguém me conseguiu até hoje mudar a ideia de que este homem tem tido muita sorte em Portugal. Pode ser um motivador nato, mas é preciso ser mais que isso e é preciso saber escolher e saber decidir na altura certa. Portugal não tinha quase banco nenhum graças à sua teimosia em apostar em eternas promessas...

No Euro2004 foi o trabalho de um outro treinador (esse sim um sabedor), que o salvou depois de jogos de preparação humilhantes e uma estreia deprimente. No Mundial2006, um grupo "de caras", depois uma eliminatória de sorte contra a Holanda que criou oportunidades suficientes para ganhar e uma eliminação da Inglaterra (reduzida a 10 jogadores desde bem cedo) por penaltis...

Idolatram-no, choram se ele for embora... Oh meus amigos... Parece que estou mesmo no país errado!...

Tudo bem, 4ºlugar num Mundial é muito bom, não desminto, mas não consigo olhar para este 4º lugar e dizer que o merecemos inteiramente ou que até merecíamos ser campeões...

Scolari, vai com a Santa que tantas vezes te protegeu...

9.7.06

O Mundial.


Acabou. Parabéns à Itália, à bela Itália, pelo mais
que merecido tetracampeonato. Porque tem Cannavaro
e Pirlo (a quem alguns portugueses, idiotas iletrados com o pomposo título de especialistas da bola, insistem em chamar Pilro!!!).
Porque nos proporcionou o melhor momento do mundial
(o prolongamento contra a Alemanha). E porque a França não merecia ganhar, depois daquela demonstração de cinismo e catennacio na 2ª parte contra Portugal.


Acabou. De forma pouco coerente com a brilhante carreira que teve, o melhor jogador do mundo da última década despediu-se com uma cabeçada (aliás bem dada e também ela merecida), à moda do Cais de Sodré.





Quanto ao nosso mundial, cá ficam ao correr da pena algumas notas:
-Scolari mostrou que é de facto um motivador por excelência e um bom treinador de selecções. A boa performance merece ainda mais relevo porque foi conseguida com erros tão óbvios como a titularidade absoluta de Pauleta (quase sempre um jogador a menos tal como no Euro 04), a insistência jumenta em Postiga (um desastre) e em Costinha (a anos luz do que já foi capaz) em detrimento de Nuno Gomes e Petit, a opção de recurso em usar Ronaldo no meio literalmente apagando-o do jogo, a convocatória de Boa Morte (que terá sido seleccionado por saber boas
anedotas, tocar viola e cantar de cor as músicas do Roberto Leal, isto tendo em conta o tempo de jogo que teve e a falta de jeito que tem). Acho que Scolari deve continuar porque os resultados assim o exigem e porque seria difícil neste momento alguém que não ele pegar com sucesso na selecção. Continuar seria uma prova de alguma coragem tendo em conta a inevitável renovação de valores que está aí ao virar da esquina.
-Ricardo, que no dia do Portugal-Inglaterra me pareceu o melhor jogador do mundo apesar da voz de miúdo a quem os huevos ainda não desceram e da mania de falar de si próprio na 3ª pessoa, Figo, que mesmo sem pernas para 90 minutos lutou o que pôde, Costinha, Pauleta e outros, que sugeriram várias vezes que criticar a selecção era igual a não quer que Portugal ganhásse, deviam lembrar-se que são apenas jogadores de futebol numa competição desportiva.
Tal como todos os demais numa sociedade democrática (incluindo até o Presidente da República) também eles não têm um especial direito divino a pairar acima da crítica num
qualquer limbo de unanimismo bacoco. Eu por mim dispenso bem pseudo-lições de patriotismo, que diga-se de passagem não se mede pelo número de bandeiras que se põem nas janelas ou pelo número de camisolas da selecção nacional de futebol que se compram no continente.

5.7.06

Como é bela a esquizofrenia...


Esta 2ª feira, na Casa das Artes de Famalicão, vivi um dos melhores concertos da minha vida graças a estas 2 mulheres, Sierra e Bianca Casidy, aka Coco Rosie.
Antes do início do espectáculo corria célere pela assistência o boato 3 em 1 de que: "elas são irmãs, elas são lésbicas, elas são um casal".
A 1ª parte é verdade, a 2ª só elas sabem e só a elas interessa, a 3ª será naturalmente falsa.
Quanto ao concerto? peguem em 2 vozes completamente diferentes e ambas capazes de registos aparentemente impossíveis, misturem com sons de bonecos de crianças, pássaros (?), panelas (?) e outras merdas tais e polvilhem tudo com uma batida a meias entre a electrónica e os sons produzidos por um francês vestido à sítio do pica-pau amarelo e com uma performance 1/3 Ben Harper, 1/3 Bob Marley, 1/3 caixa de percussão. Para a noite ser perfeita só faltou aparecer o amigo Antony...
Caso não achem esta minha explicação convincente saibam que os entendidos classificam a música delas como indie-folk-tronic (!!!).
Mas a melhor análise ao concerto foi da autoria da A. que já perto do final e perante a alucinação que tomou conta das 2 maninhas, disse quem me dera tomar o que elas tomaram.

P.S.- a parte onde se lê "corria célere pela assistência" está francamente exagerada. Era mais entre eu, a A. e outro amigo. É que eu às vezes precipito-me.

4.7.06

A 1ª escolha - parte II. Onde o autor discorre, com alguma dose de pedantismo, sobre livros.

Por outro lado e em nítido contraste com os cd's, confesso que não sou capaz de nomear o 1º livro que comprei sozinho, mas não tenho nenhuma dificuldade em lembrar os últimos. Desde que com 7 ou 8 anos descobri a felicidade agarrado como um viciado aos Cinco da Enid Blyton, o livro nunca deixou de ser para mim um objecto de culto. E não falo só dos conteúdos, das histórias mais ou menos interessantes ou mesmo das diferentes formas de escrever de cada autor. Falo de uma atracção física pelo objecto em si, pelas suas formas, pelas suas texturas. Gosto da sensação táctil do virar das páginas, gosto do cheiro que delas emana. Gosto da solidão e daquela paz tranquila que só consigo atingir quando estou a ler. Gosto de dar largas à imaginação, de abandonar nem que seja por breves instantes o local em que estou e o corpo que a minha alma habita para pairar livremente sobre outros locais e sobre outros corpos. Admito que possa soar elitista e a armar ao pingarelho, mas a verdade é que poderíamos perfeitamente generalizar um conhecido dito filosófico e propor algo do estilo diz-me que livros leste e dir-te-ei quem és.
Já fiz há tempos, noutro espaço e com o meu alter-ego real, um top 5 de cd’s e de filmes, mas acabei por nunca conseguir organizar, dessa forma necessariamente simplista e redutora, o meu gosto pelos livros. É que tal como para as pessoas que connosco se cruzam na vida, também para determinados livros há um tempo certo, uma altura ideal para com eles entrar em contacto. Não sei dizer se neste momento teria algum prazer em ler por exemplo Os Capitães da Areia, de Jorge Amado, mas sei que quando tinha 13 ou 14 anos o devorei completamente naquilo que foram 2 longas noites, com lágrimas constantes e algo salgadas a caírem dos olhos para os cantos da boca, e com o meu irmão a dormir tranquilo na cama ao lado e a cidade e os seus poucos habitantes nocturnos de então, as putas, os clientes e os taxistas, do lado de fora. Lembro-me do gozo que me deu descobrir Eça de Queirós e os seus Maias, Carlos e Eduarda, o seu Padre Amaro e aquele seu fabuloso Raposão com a inenarrável relíquia para a titi. Nunca me esquecerei do frenesim quase infantil em que vivi mergulhado durante a leitura do Senhor dos Anéis ou da emoção contente que tirei do Velho que lia Romances de Amor e do seu fantástico episódio do dentista itinerante e do tipo que tirou todos os seus dentes sem anestesia por causa duma aposta com os amigos. Lembro-me também da descoberta de Mário Vargas Llosa na sua Festa do Chibo e do fabuloso Pantaleão com as suas visitadoras, o melhor chulo jamais contado. Não quero também deixar de mencionar, apesar do post já ir longo, quiçá até demasiado, Paul Auster, outro dos meus habituais escritores de mesinha de cabeceira e já agora Umberto Eco com quem aprendi o verdadeiro significado de Dominicanos.
Numa altura em que qualquer roto escreve um livro (não sei se é real mas parece-me que tudo começou quando a Caras Lindas, esse génio da literatura, lançou o Sandálias de Prata...) mas em que paradoxalmente as novas gerações cada vez lêem menos (não, os jornais desportivos e os sms's com língua de trapos não contam) eu, que de anos só conto 30, vejo-me compelido a fazer ainda e sempre esta figura de velho do restelo.

1.7.06

A 1ª escolha, ou pelo menos uma das...

Um dos momentos mais marcantes na minha transição entre miúdo e adolescente, fase tantas vezes penosa e tão repleta de mini-dramas, foi a 1ª vez que tive oportunidade de comprar algo para mim, a possibilidade de escolher aquilo que verdadeiramente queria sem ter os meus pais ou outro adulto qualquer a olhar por cima do ombro (outra coisa que também marcou essa fase, com viscosos tons de amarelo purulento, foi a presença mais ou menos constante daquele fenómeno conhecido pelo terrífico nome de acne juvenil, entidade castradora da auto-estima e do sucesso com o sexo oposto).
Mas voltando ao início, que como se sabe é normalmente o lugar ideal para se começar, dizia eu que me marcou essa 1ª escolha, essa agradável sensação de estar sozinho numa loja repleta de gente, só eu e os 3 ou 4 contos que trazia nos bolsos das calças (que eram obviamente de ganga como está bom de ver depois de anos e anos em que só andava de calças de fato de treino). Era, a tal loja, cujo nome não recordo (Tubitek?) mas que morava na Praça D.Manuel I em pleno coração da baixa portuense, uma discoteca, saudosa recordação daquele longínquo passado em que as lojas só vendiam um tipo de artigo. A minha escolha na altura, na única oportunidade que tive, que qualquer um de nós tem para fazer a primeira escolha, recaiu sobre um fabuloso cd chamado "Morrison Hotel" daquela mítica banda the Doors. Quase 20 anos depois não deixa de ter algum significado que me lembre tão bem desse momento mas que não seja honestamente capaz de dizer qual foi o último cd que comprei, nem já agora quando isso aconteceu.
Entre amigos que sacam (belíssimo eufemismo) músicas da net e cd’s copiados directamente de originais que alguma avis rara tenha comprado, a minha motivação para gastar dinheiro nestes produtos é praticamente residual. É de facto difícil encarar a pirataria de cd’s, e já agora de DVD’s, como um crime a evitar, pela simplicidade do processo e porque toda a gente faz o mesmo (um pouco como acelerar quando o semáforo está amarelo).

continua...

28.6.06

Pork & Cheese...

A avaliar pela imprensa escrita os ingleses de facto não se enxergam e só demoraram 1 ou 2 dias a dar mostras de toda a sua arrogância e mania de superioridade. Começando por classificar a nossa selecção de violenta, teatral e sem interesse em jogar o jogo pelo jogo e passando pelas já costumeiras técnicas de inventar entrevistas a jogadores portugueses atribuindo-lhes afirmações provocatórias, os ingleses dão novamente mostras de uma incapacidade total de aprender com o passado e os erros cometidos:
- não bastou que o Porto de Mourinho (na altura também apelidado de equipa teatral) tivesse eliminado o Manchester,
- não bastou que o Benfica tenha despachado o então campeão europeu Liverpool,
- e finalmente não bastou que a nossa selecção lhes tenha tirado a tosse nos 2 últimos europeus,...
não, tudo isto ainda não bastou. Dói-lhes fundo na alma que os "pork & cheese" (nome pelo qual carinhosamente tratam os nossos emigrantes) se atrevam a bater o pé à toda poderosa Albion, pátria inventora do futebol.
Juntando isto ao facto de que, como sempre, praticamente só os adeptos ingleses estão a criar problemas de segurança e a estragar o clima de convívio e festa neste mundial, é uma obrigação não apenas desportiva mas também de ordem moral que nós, humildes tugas, lhes carimbemos o passaporte de regresso à sua bonita ilha.

27.6.06

Notas soltas sobre este mundial e o Portugal - Holanda

Este "Mundial Alemanha 2006" está a deixar-me muito contente porque finalmente, como já não se via há muitos anos, os melhores e mais favoritos estão a chegar à fase mais adiantada da competição. Eu até costumo torcer pelos mais fracos (com menos curriculum nestas andanças), mas sem dúvida que os jogos que abrem o "apetite" são os que se realizam entre as grandes selecções!

Os jogos até podem sair um verdadeiro fiasco, mas adivinham-se umas grandes meias-finais e final... Pelo menos as verdadeiras "estrelas" estarão lá! O Mundial da Coreia-Japão em 2002 e o Euro-2004 foram pródigos em grandes decepções logo na fase de grupos...

Mudando a "agulha", assistiu-se mais uma vez a um histerismo desmedido neste país e nesta imprensa desportiva após uma vitória sortuda contra os holandeses (mal conduzidos naquele jogo pelo saudoso Van Basten). Do que se safou o Costinha!!!! E o Figo?!!! Tivessem os holandeses dado a volta ao resultado e hoje falar-se-ia de mais um comportamento inqualificável dos nossos representantes, desta vez pupilos do Felipão... Mas... Espera lá! Então o homem não tinha vindo para pôr mão nesse tipo de atitudes???

Voltando ao jogo, tanto o Costinha como o Deco deviam ter sido expulsos antes. O Costinha por uma entrada em tesoura que o árbitro não viu. Se foi incrivelmente infantil o erro que conduziu à sua expulsão, não seria menos vergonhoso tê-lo sido antes, sendo ele um jogador tão experiente.

O Deco merecia cartão vermelho directo naquela entrada às pernas após a "falta de fair-play" dos holandeses. Também digo que foi injutíssimo o 2º amarelo quando foi mostrado. Quem merecia um, era o holandês por ter empurrado o nosso menino de ouro. Sobre esta "falta de fair-play" como tenho lido e ouvido, penso que o Van Basten tem razão. Quem é que devolve uma bola a uma equipa que está a teatralizar um bocado demais??? O modo como o Figo "cava" a 1ª expulsão aos holandeses foi bem um espelho disso, embora não me tenha escandalizado a expulsão... Só quem não joga futebol não percebe o que digo...Interpretações...

O Figo perdeu a cabeça e nem parecia ele ao deixar-se levar pela provocação do holandês. Mais uma expulsão perdoada por um árbitro que não foi assim tão fraco quanto dizem. A FIFA deu indicações para os árbitros serem muito rigorosos com as entradas de carrinho e agora está a colher os frutos que semeou... O jogo foi complicado e por momentos temi comportamentos vergonhosos como os do Euro 2000 ou Mundial 2002...

Claro que o jogo teria sido outro se o tipo que lesionou o Cristiano Ronaldo tem sido expulso como devia... Mas é tão fácil falar sentado no sofá...

O que quero deixar aqui bem vincado é que acho que o árbitro não foi assim tão culpado do mau espectáculo embora tenha feito parte integrante dele também. É uma pena a expulsão do Deco... Desconfio que há dedo do conterrâneo Abramovich nesta decisão do Ivanov...

Pensamento do dia...

Sempre que uso as únicas cuecas brancas que possuo, tenho uma irresistível vontade de cagar.
É um caso de escatologia cromática.

23.6.06

Amanhã ...


... e durante a próxima semana vou respirar ar puro, limpar os olhos do mau gosto urbano e deixar-me levar pela ociosidade de pensamentos preguiçosos.

Mas antes, ainda hoje à noite, e depois de um bom caldo verde e de uma sardinha chamuscada, é tempo de na CdM ouvir Táxi e Jorge Palma, numa mescla de saudosismo e bom gosto.

Bib´ó Som Juom

22.6.06

Para além dos nossos 2 golos e da substituição do Postiga...

os melhores momentos do Portugal-México foram:
-Quando a meio da 1ª parte o Maniche, numa jogada de contra ataque rápido, sofreu uma falta à entrada da grande área adversária e o repórter de campo da SIC, aquele poço de inteligência chamado Nuno Luz, diz que..."olhei olhos nos olhos com o Maniche e..."
-Quando o Tiago atirou por cima da baliza numa recarga a uma defesa do guarda-redes mexicano e Humberto Coelho, ex-seleccionador, actual comentador especializado e eterno jogador de golfe, disse que.."era difícil porque a bola estava desequilibrada".

20.6.06

FCP 2006-2007




Bom, ao menos estarão lá as quinas na manga...

19.6.06

A coisa promete

O canal 2, ou simplesmente a 2: como agora se chama, passou recentemente uma série chamada “A Linha da Beleza”, com a chancela (termo que há muito tinha vontade de usar) de qualidade da BBC. Esta série poderia facilmente ser o tema deste post, mas não o é, pela singela razão de eu não a ter visto. De qualquer forma, diz-me a A. (que também não a viu mas que acabou agora de ler o livro na qual a série se baseou) que para além daquilo que podemos ler na sinopse que a 2: nos proporciona, o enredo trata também de homossexualidade masculina, e de uma forma bastante explícita (creio que as palavras dela foram: o livro é bom mas não sei se terás estômago para o ler; comentário que surge como um assunto derivado da questão de eu ser reconhecidamente um tanto ou quanto homofóbico…). Não sei se a versão televisiva se manteve fiel ao livro, mas vamos por mera conveniência minha assumir que sim e tomar como facto que a 2: nos terá presenteado com uma série sobre homens gays.
Não sei se imbuídos num espírito messiânico de promoção da tolerância, ou de igualdade entre géneros, ou por acharem (e bem) que o sexo vende, ou se finalmente por mera coincidência, mas a verdade é que os directores da mesma 2: nos vão agora dar a ver uma nova série sobre homossexualidade, agora feminina, ou seja sobre lesbianismo (termo que me dá um certo gozo usar, de uma forma infantil e quiçá até um bocado pacóvia, mas não deixa de ser verdade), e que dá pelo algo óbvio nome de: "the L word".
Segundo o Público: “…as mulheres são lindas e sofisticadas…trabalham (pouco), namoram muito e passam a vida embrulhadas em cenas de sexo escaldante…”.
Se alguém se deu ao trabalho de criar uma série assim, eu Wolverine, digno e honrado portador de pénis e Ser carregado de testosterona, sinto-me na obrigação de ver pelo menos o 1º episódio, quanto mais não seja por cortesia.
É hoje, já depois dos meninos e meninas bem comportadas irem para a caminha.

16.6.06

As primeiras 2400 horas.

Esta 6ª feira, de trabalho para uns e ponte para outros, serviu para assinalar o 100º dia da presidência de Cavaco Silva. Como sempre acontece em política, a passagem deste marco temporal é aproveitada para se fazer um primeiro balanço da actividade, o que a mim se me afigura como injusto. 100 dias? É curto, e só se justifica pela sede mediática de criar notícias. Serve essencialmente para os analistas políticos da praça, os mesmos de sempre, se entreterem num fútil exercício de adivinhar intenções futuras, ler pseudo sinais que só eles conseguem descortinar ou analisar a coisa de forma a concluirem, egocêntricos e impantes como balões soprados ou perús de Natal recheados, que se confirmam as ideias que eles próprios já tinham acerca do que se iria passar. De facto, a única altura num passado recente em que 100 dias se revelaram como um espaço temporal demasiado longo foi no Governo de Pedro Santana Lopes, que Deus o guarde com saúdinha e sempre andando por aí, de preferência bem longe de poder interferir de novo nos destinos do luso Reino. Quanto ao dito cujo Professor Aníbal, lá vai andando inevitavelmente com a cabeça entre as orelhas ou não fosse ele apenas mais um de nós nobres Portugueses, paridos das costelas de Viriato e Afonso Henriques, descobridores de novos mundos para o mundo, outrora donos de impérios, colónias e províncias ultra-marinas, inventores da francesinha, do fado e da sempre eterna saudade, pátria da especificidade (a mais portuguesa das palavras do novo século). Mas voltando ao assunto, diga-se que o nosso Presidente se tem mantido basto activo. Já discursou, já vetou, já fez roteiros. Já criticou ministros mas também já os apoiou. Visitou tropas e até vestiu casaco camuflado. Tal como prometido manteve uma atitude positiva e cooperante com o Governo e com o seu alter ego José Sócrates. Evitou ser filmado a comer e reduziu para números bem mais razoáveis a distribuição de comendas, medalhas e grão-ordens disto e daquilo.
Em 100 dias, não está nada mal.

15.6.06

Porque...




...estou farto de só ouvir falar de futebol.

...me apeteceu dedicar um post a um amigo que gosta de dança contemporânea.

13.6.06

Desabafos

O factor que mais contribui para o relativo mau funcionamento do país é a percepção geral e solidamente instalada que as instituições não funcionam, o que acaba por servir como conveniente desculpa ad hoc para os mais diversos comportamentos incorrectos ou até ilegais: há aqueles que se julgam no direito de não pagar os seus impostos simplesmente por terem um vizinho ou conhecido que foge descaradamente e nunca é apanhado, há aqueles que encaram como normal meter ou aceitar cunhas já que toda a gente faz o mesmo, há aqueles que entendem não ser grave conduzir a 180 à hora pelo prosaico motivo de verem ocasionalmente passar outros carros a 200. A mesma linha de raciocínio leva a que comece a ser normal que quando alguém ou algum grupo ou até uma determinada povoação se sente lesada ou ameaçada no que encara como sendo os seus legítimos direitos, acabe por usar como forma ilegítima de pressão o fechar estabelecimentos a cadeado ou bloquear a via pública ou basicamente qualquer outra coisa que garanta que o caso tenha direito a passar no noticiário televisivo do dia. Tudo porque quase ninguém diz ter fé nas vias normais de procedimentos, que ficaram reservadas para os crentes, para os papalvos, para aqueles que contra todas as evidências se recusam a aceitar que não há justificação para a esperteza saloia e para a atitude do salve-se quem puder que grassa por aí a olhos vistos.
A mim, uma das situações que me começa a revoltar é que a facilidade com que estamos prontos a invocar direitos e reivindicar benesses não seja minimamente acompanhada por um grau mínimo de cumprimento de deveres.
Tudo isto, este chorrilho de queixumes mal alinhavados, porque estou verdadeiramente farto de me cruzar com gente assim. Gente a quem a nossa depauperada (estará mesmo?) Segurança Social paga tratamentos médicos privados e que nem se dá ao trabalho de deles usufruir, gente a quem o Ministério da Saúde oferece consultas gratuitas (convencionadas com os privados) para os seus filhos e que é irresponsável ao ponto de não aparecer ou sequer telefonar a marcar consulta, gente que vai literalmente vivendo encostada ao rendimento social de inserção (RSI) e que se limita a fazer com a periodicidade mínima obrigatória um ou outro curso de formação ou requalificação profissional, não com o intuito de arranjar emprego mas sim de assegurar mais uns meses de subsídio estatal.
Há por ai um sem número de pessoas (cada vez mais?) que não só não merece os poucos apoios que o Estado vai dando como acaba por evitar que essas verbas cheguem a gente mais necessitada e infinitamente mais merecedora.
Ao ritmo a que vou ainda acabo daqui a uns meses a falar dos beneficiários do RSI (medida que sempre defendi) como “ciganos”, ou a fugir ao Fisco e à Segurança Social. E não duvido que também eu direi na altura que a culpa não é minha, mas sim do sistema que não funciona…

12.6.06

o selecionador do senhor da barbicha

No artigo de opinião do jornal "A Bola" da passada 3ª feira, Miguel Sousa Tavares escreve o que quanto a mim retrata, de uma forma muito aproximada, o que muitos portugueses - entre os quais eu obviamente me insiro - sentem pelo dito senhor.

"o selecionador nacional é um sujeito mal-educado, arrogante, ignorante e saudoso de regimes sem liberdade de imprensa. Até pode, por absurdo dos deuses, voltar da Alemanha com o título mundial na bagagem: nem por isso, a meu ver, o tornaria qualificado para representar e chefiar a selecção do meu país"

Diferenças

Mundial 2002- António Oliveira achava que encher o balneário de alhos dava uma vantagem extra à selecção.
Mundial 2006- Scolari prefere contar com o contributo de um amigo padre que benze equipamentos e água, pelo telefone!

Até ver, o método Scolari resulta melhor.

9.6.06

Histórias da rádio

Ontem ouvi na rádio uma peça deliciosa, pela fantástica voz daquele excelente contador de histórias chamado Luís Filipe Barros. Cá vai, em discurso indirecto, abusivamente entremeado primeiro e concluído depois com alguns comentários aqui do próprio:
Já depois da separação dos Beatles, Paul Mccartney e exma. esposa Linda foram até Nova York, a caminho de uma digressão no Japão, onde passaram algum tempo com John Lennon e exma. mulher Yoko Ono. Aí chegados, terão referido que durante a futura estadia em Tokyo iriam ficar alojados numa determinada suite de um determinado hotel (cujo nome confesso não ter fixado) que sabiam ser a suite preferida do casal Lennon-Yoko, ou Yoko-Lennon para ser mais cavalheiresco. No entanto, quando chegaram ao Japão foram imediatamente interceptados pela polícia que depois de descobrir 20 cigarros de erva nas malas, deteve Paul durante 10 dias e depois expulsou-o do país, estragando obviamente a tal digressão. Fica no ar a dúvida se terá sido Yoko Ono, preocupada com a eventual alteração do karma da sua suite favorita (já se sabe que o karma é uma coisa tão indefinida como instável), a denunciar o azarado casal à polícia japonesa. A verdade factual e indesmentível é que um dos agentes que foi ao aeroporto travar Linda e Paul era primo dela.

Dito isto, esta suposição pode não ser verdadeira, mas volto ao belo do ditado “porquê deixar a verdade estragar uma boa história?”. Pelo mesmo diapasão, deixo também para vossa análise a minha convicção, já velha de muitos anos e suportada apenas por uma boa dose de cinismo intuitivo, que a mesma Yoko Ono foi a cabra que acabou com os Beatles.

P.S.- para que não fiquem dúvidas esclareço que nunca gostei especialmente dos 4 de Liverpool, talvez porque lá por casa durante os meus anos de petiz sujeito ao gosto musical dos progenitores, outros valores cantavam mais alto: Leonard Cohen, Ellis Regina, Neil Diamond e principalmente Cat Stevens, hoje Yussuf Islam, ainda e sempre um dos meus favoritos.

7.6.06

...

Não tenho tido nem inspiração nem paciência para postar. Falta-me a vontade necessária para escolher os verbos e para decidir os advérbios que permitam encadear as ideias, que aliás também faltam. Não me apetece pensar em substantivos com mais ou menos substância e nos adjectivos com que os colorir. No entanto, olho para o blog e já lhe sinto a carência em crescendo, já lhe adivinho a sensação de abandono como se fosse um cãozinho na aproximação do Verão. Assim sendo, pesando os prós e os contras, os porquês e os portantos, decidi sacudir esta morrinha que se instala ao de leve (moving up slowly inertia creeps…) e falar de temas mais ou menos actuais:

Ponto 1 – 100% de acordo com a nova lei do tabaco. Aliás, confesso que me custa a entender o argumento da suposta “violação de direitos” dos fumadores, porque como não podia deixar de ser ninguém os impede de fumar. É uma escolha individual, mas que deve ser exercida sem prejudicar terceiros. Fumem nas varandas, à porta dos cafés, etc… mas não se achem no direito de impor a sua escolha aos que decidem em sentido contrário. É fundamentalismo? É o politicamente correcto? Até pode ser, mas tem toda a lógica como medida de civismo e acima de tudo como política de promoção da saúde pública.

Ponto 2 – já estarão carecas de saber que não gosto de Scolari nem suporto o Madaíl. Mas digam-me com sinceridade se alguém compreende a forma arrogante e mal-educada como a selecção de futebol, que deve representar o País lá fora e que tanta importância tem para os nossos imigrantes, os tem tratado. Desde o desdém na chegada ao aeroporto, à birra de acabar o treino mais cedo porque alguém no público não devolveu uma bola, até ao cúmulo de reduzir ao mínimo os treinos abertos ao público, multiplicam-se os exemplos de atitudes de prima-donas. Se a selecção só serve para jogar futebol, então serve para muito pouco, e não merece este folclore de bandeiras e cachecóis, que diga-se tresanda a patrioteirismo de pacotilha e encomenda.

Ponto 3- não surpreende, mas mesmo assim é difícil de aceitar a reacção de puro bota-abaixo dos sindicatos perante a proposta do Governo relativamente aos funcionários públicos a colocar no quadro de excedentários. Que um tipo possa estar sem fazer absolutamente nada, a receber 100% do salário original durante 2 meses, 85% (?) durante mais 10 meses, 66% durante 10 anos, etc... e que possa ainda por cima acumular isto com um outro emprego no sector privado é, no mínimo, muito generoso, especialmente se comparado com o que acontece a um trabalhador do sector privado quando perde o emprego. Haja termo de comparação e alguma vergonha.

6.6.06

Estou preocupado!

Não sei se será do merdoso seleccionador que temos - que a partir de agora designarei de "gajo" - ou da quantidade de trabalho que tenho pela frente, mas a verdade é que ando sem "pica" nenhuma para a participação da nossa selecção neste Mundial. Eu escrevi "nossa selecção"? Desculpem-me este erro... A "selecção do gajo" deveria eu ter escrito!

E a falta de "pica" é tal que até mudo de canal de tv/emissora de rádio quando ouço notícias da selecção do gajo... Parece que me tornei daqueles espécimes masculinos raros que não gosta de "bola"... Mas eu gosto e muito!! Conheço os craques estrangeiros como poucos protugueses... Será que apanhei uma overdose?

Não há pachorra nenhuma para as conferências de imprensa tipo cassete, nem para as entrevistas de rua ao "pobinho", nem para os fora... Estou a ficar preocupado... Será melhor marcar uma consulta para os AA (anti-futebólicos anónimos)?

Pode ser que a "pica" volte quando o mundial começar... Sinceramente nem sei o que espero deste Mundial para a selecção do gajo... Não costumo ser pessimista, mas este tipo a quem chamam Felipão, conseguiu deixar-me desorientado... Não estou optimista nem pessimista... Inerte parece ser a palavra mais indicada... A selecção não me entusiasma... Só mesmo o Deco, o Figo, o Tiago, o Ricardo Carvalho e o Cristiano Ronaldo me farão ficar em frente de um televisor... Estou preocupado!

Preciso de ajuda, amigos... Chamem-me para ver o jogo convosco... Ao menos sempre dá para pormos a conversa em dia e é uma boa desculpa para estarmos juntos... Pode ser que a vossa energia me "reanime"... Isto partindo do princípio que não estais como eu, claro... Se estiverdes, vai um King ou um Bismark ou um Blackjack ou um Risco, sempre com um olhar de esguelha e, claro, se a selecção estiver a perder por 2 de diferença... Alto lá!... Já estou a gostar mais!... É melhor terminar por aqui, senão ainda acabo este post a falar bem do gajo... Bem, também não exageremos!!!... Isso seria impossível por muito que me lembre que o gajo até tem umas taças dos libertadores e um campeonato do mundo no c.v. ...

1.6.06

Cada tiro cada melro, cada cavadela cada minhoca...

O desemprego está em níveis nunca vistos, a situação económica vai melhorando mas em ritmo de caracol em passeio, diversos sectores profissionais (agricultores, professores, pescadores,etc...) vão dando largas ao seu descontentamento pela acção do Governo.
Lá por fora agravam-se os sinais duma inevitável crise energética à escala mundial, Timor-Leste corre sérios riscos de entrar em processo de autofagia e o dossier das ambições nucleares do Irão ameaça desequilibrar de vez o já de si caótico cenário do Médio Oriente.
Enquanto isso num país à beira-mar plantado, dias depois de darem o seu contributo para evitar que uma coisa tão comezinha como o trabalho os viesse a impedir de ver jogar a sacrosanta selecção de futebol, os deputados do maior partido da oposição lançam uma proposta subscrita entre outros pelo seu inenarrável líder parlamentar, em que elegem como prioridade a criação de um Dia do Cão, para celebrar anualmente o melhor amigo do homem.
Fico honestamente na dúvida sobre qual destes animais será mais racional.



30.5.06

"Ripa na rapaqueca..."

Escaldados com a recente e merecida vergonha que passaram com o caso da falta de quorum, os deputados portugueses deram hoje mostras de uma capacidade de antecipação e de atempada resolução de problemas de que muitos não os julgavam capazes. E logo por unanimidade, mostrando que quando as causas são mesmo importantes eles conseguem deixar de lado as rivalidades comezinhas do jogo político. O plenário? muda-se para o horário matinal. As comissões parlamentares? começam lá para o fim da tarde. Tudo porreiro que o que a malta quer é ver a bola. Acham que estou a exagerar? E se os dois primeiros jogos não fossem ao fim de semana? E se passarmos aos oitavos de final? E aos quartos? Porque não fechar a Assembleia durante o Mundial ou pelo menos mandar instalar Sporttv no bar ou mesmo no próprio hemiciclo?

O homem moderno?

Depois de ter acabado de ver aquela que é para mim uma das melhores séries televisivas de sempre, eis que me deparo com uma das realidades actuais do meu dia-a-dia: a lavagem da louça. Hoje, ou melhor dizendo ontem, aquilo que é normalmente feito a bufar e a pensar raios me fodam se no próximo natal não peço uma máquina de lavar louça àquele tipo gordo da Lapónia, acabou por se tornar num momento zen. É que quando já me aprestava a dar início à função, tropecei visualmente no leitor de mp3 da A.. O resultado final foi um gajo semi nú mas de avental vestido, a lavar pratos, panelas e talheres, e a ouvir Peter Murphy, Bowie e Massive Attack (para não estragar a história decidi não referir algumas músicas de gosto duvidoso que tive de gramar pelo meio).

29.5.06

Calor em Évora...




Alguém sugeriu neste blogue qualquer coisa como: "Num blogue de gajos, convém que apareçam umas "gatas" de vez em quando"... Concordo e, por isso, cá vai a minha primeira contribuição...

Esta, pelos vistos, é uma jornalista mexicana que apareceu no treino da "selecção A" supostamente para fazer a cobertura para a televisão Azteca...

Lembrando-me da "noche de juegos" da televisão argentina, compreendo cada vez melhor a dedicação doentia dos adeptos do outro lado do Atlântico...

26.5.06

Just say no

Periodicamente, e quando a inspiração para abordar outros temas falha, volto aos meus ódios de estimação. Dito assim, admito que quem me conheça fique sem saber o tema deste post, porque eu sou de facto um gajo hiper-crítico e inclusivamente já ouvi alguém que me conhece bem dizer que nunca te ouvi dizer bem de ninguém, o que mesmo não sendo 100% verdade, me fez ponderar a minha postura perante o mundo que me rodeia.
Devidamente ponderada a postura e apesar de diversas tentativas de passar a ver os copos meio cheios, decidi não me conter, até porque medicamente não é bom guardar tanto fel cá dentro. Hoje, vou novamente falar dos Bush.

Tudo isto a propósito de um encontro de alto nível sobre SIDA/HIV, que se vai realizar na próxima semana nas Nações Unidas, para avaliar a evolução da situação desde a sessão especial da Assembleia Geral da ONU em 2001, sobre este mesmo tema.
Ora, a preguiça leva-me a não perder tempo a procurar estatísticas que permitam pintar um quadro mais real da pandemia, mas acho que é seguro dizer-se que temos ido de mal a pior.
Na África subsariana, tal como em alguns países asiáticos, o número de infectados não para de crescer. No mundo Ocidental, e apesar de impressionantes campanhas mediáticas de informação sobre a doença, não há uma alteração significativa de comportamentos de risco (como se comprova pela baixa taxa de utilização de preservativos) e pior ainda, começa a correr em sectores (felizmente minoritários) a noção da SIDA como simplesmente mais uma doença crónica com a qual se vive como se fosse uma diabetes ou uma hipertensão.
Bom, mas voltando aos Bush, ficarão certamente tão impressionados como eu fiquei por saberem que a delegação dos EUA (47 elementos) vai ser liderada pela 1ª dama a Exma. D.Laura. Só com esta informação, qualquer pessoa poderia dizer que isto seria uma forma de dar relevância política e mediática a este encontro. Mas Laura não vai sózinha. Com ela na comitiva oficial estarão também notáveis especialistas no tema como a sua filha Barbara, mais versada em álcool e festanças, e uma amiga dela cujo única característica marcante é ser por sua vez filha de um amigo de George W. Mas ainda há mais. A marcar a ideologia conservadora dos Bush e a sua versão do que deve ser o combate a este flagelo, estarão vários elementos que defendem a educação para a promoção da abstinência como o único caminho a seguir, contrariando não só o senso comum e os especialistas no fenómeno como também a própria declaração da AG da ONU de 2001.
Não sei se quem virá a seguir será muito melhor, mas já não há pachorra para esta família.

notícia tirada de: the nation.

24.5.06

Cortar o cabelo

Parte III- Onde a saga chega ao seu final, não sem antes ter um clímax apropriado.

Em meados do corrente mês o inevitável aconteceu, leia-se que o crescimento da melena chegou ao ponto de se tornar incomodativa e ocasionalmente já me obrigar a fazer aquele gesto tão típico do Nuno Gomes de ajeitar a bela da madeixa atrás da bela da orelhinha. Assim sendo, lá me decidi a voltar novamente ao local do crime. Menos inquieto mas ainda não à vontade, eis que pela 2ª vez na vida entrei no dito estabelecimento que nesta ocasião estava quase vazio. Havia uma cabeleireira (a minha!, expressão que nunca pensei vir a usar), um funcionário encarregue da lavagem dos cabelos (o já referido T.), uma estagiária em formação e uma cliente. A cabeleireira estava à conversa com a cliente e quando me viu ao balcão chamou o T. para me atender, assim comprovando o célebre ditado de que ninguém foge ao seu destino, ou na tétrica versão da família G., quem tem de morrer de um tiro não morre de uma facada. Como se de um filme de série B se tratasse, eis que surge então o momento por todos já adivinhado (pelo menos por aqueles se deram ao trabalho de seguir a série desde início), em que iria ser posta à prova a viril masculinidade deste amigo que ora vos escreve, um criado ao vosso dispor.
Começámos logo à grande, visto que em resposta à dose extra de vigor e de desbragada testosterona que propositadamente coloquei na minha metade do aperto de mão, o T. respondeu com um estilo de mão morta, viscosa e mole, que me deixou na dúvida se a ideia seria apertá-la ou osculá-la. Bom, mas passemos à frente…Tal como temia, o passo seguinte foi a lavagem do cabelo. Enquanto a cadeira em que me sentei se reclinava e lentamente dava instruções às suas molas para que me começassem a massajar as costas, cumprindo deste modo os desígnios do seu criador, ocorreram-me de forma quase simultânea 2 pensamentos:
O primeiro - que tanto a A. como outras amigas mulheres já me tinham dito que Ah, o T. é fabuloso! Aquelas mãos, aquela massagem…é quase orgásmico…;
O segundo: - aquele episódio do Seinfeld em que o George (claramente a personagem mais interessante) andava angustiado com medo de ser um homossexual reprimido porque tinha ido a um massagista e sentiu movimento lá por baixo (acho que as palavras dele foram I think it moved)
Animado por estas ideias e contrariamente ao usual aumento do peristaltismo intestinal vulgo vontade de cagar, que normalmente me acompanha numa situação de grande stress, fui literalmente assaltado por um violento ataque de riso que consegui controlar fincando, sem remorso ou piedade, os dentes superiores no lábio inferior. Alheio ao drama que se desenrolava, o T. continuava o seu trabalho. Diga-se por ser verdade, e também porque eu posso ser parvo e ter a mania que até tenho piada mas na realidade não sou homofóbico, que o tipo sabe da poda e tem de facto umas boas mãos. Mesmo assim, e após mais ou menos 300 segundos que me pareceram uma eternidade, a lavagem/massagem capilar lá acabou e eu lá me levantei da cadeira. Posso anunciar com indisfarçável orgulho, extrema felicidade e evidente alívio que passei incólume por este momento de provação. Não houve nenhum tipo de movimento lá por baixo. Nada. Zero. Niente. Nem uma agulha buliu na quieta melancolia dos pinheiros do caminho. Mais uma vez peço que compreendam que a alegria sentida não tem nada de homofóbico, apesar do meu longo historial de cinismo gratuito para com o fenómeno do rabetismo galopante que vem assolando a nossa sociedade. A questão é que com 30 anos, casado, pai de família e com cada vez mais contas para pagar, confesso que não tenho nem vida nem paciência para descobrir que olha, olha, afinal sou gay. Não seria propriamente o fim do mundo, convenhamos que seria pior descobrir uma súbita vocação para padre ou uma vontade incontrolável de aderir ao PP, mas que iria dar uma carga de trabalhos lá isso iria.
Para finalizar acrescento que o corte de cabelo em si não merece que com ele se perca muito tempo, mas ainda assim não deixou de ter o seu quê de incomodativo. Nos idos tempos das idas ao barbeiro, um tipo ou naturalmente falava de futebol ou naturalmente estava calado, sem que passasse pela cabeça do cliente e do barbeiro sentirem-se incomodados com eventuais momentos de silêncio. Aqui não. A cabeleireira está firmemente convencida que é essencial para a qualidade do atendimento que não haja tempos mortos. É preciso falar. Sobre o tempo, sobre a família, sobre o que for, mas é forçoso que o cliente não se aborreça. Como não tive a lata de lhe dizer olhe lá, eu até agradeço a sua simpatia e tal e coisa mas o que gostava mesmo era que se calasse um bocadinho para eu poder ler o meu jornal, fui obrigado a levar com uma ensaboadela de 20 minutos de conversa de circunstância de sentido único, que fui interrompendo com os ai sim e os pois é que julguei essenciais para não fazer figura de mal criado. Contrariamente ao que alguns poderiam esperar, não há lugar nesta história para madeixas, extensões, brushings (?) ou frisanços de cabelo. No fundo, ir ao estabelecimento é como ir ao barbeiro, só que com muito mais higiene.
De cabeça bem levantada e com as mãos naturalmente no prolongamento dos braços, por sua vez masculamente colocados ao lado do tronco, abri a porta e saí.

22.5.06

O Mister também sabe de bola...

A entrevista do mister no Ojogo de hoje é de quem percebe muito de bola... Entre outras estórias deliciosas para quem gosta de futebol, a parte em que descreve a relação com o Quaresma e como encara o seu desenvolvimento é imperdível

19.5.06

Cortar o cabelo

Parte II- Onde se fala da visita e se dá conta das sensações vividas. Onde se introduz na trama a personagem T.

Entrei no dito cabeleireiro, que doravante designarei como o estabelecimento, que é um termo mais neutro e não mexe com a minha já de si debilitada e ferida masculinidade. Ora então, já dentro do estabelecimento, dei por mim dirigindo-me para o balcão de atendimento, como um touro para a lide que desconhece ou um inocente a assobiar para o cadafalso. Parei e olhei em volta. Para início de conversa tudo o que era expositores e estantes estavam cheios de produtos como rimels (?), batons, ceras depilantes, geles fixantes e outras merdices tais. Como se isto já não fosse suficiente o estabelecimento estava cheio de mulheres. Havia altas e baixas e magras e gordas. Havia adolescentes e mulheres em idade parideira e mulheres pós-menopaúsicas com cara de fãs do Júlio Iglésias. Havia uma criança, também ela do dito cujo sexo, que corria impaciente de um lado para o outro espalhando as suas barbies(?) ao deus dará. Havia uma noiva, santo deus. Mulheres a fazer madeixas, mulheres a fazer permanentes, mulheres na manicure, na secagem do cabelo e enroladas em papel de prata como se fossem um legume no frigorífico. Lia-se a Caras, a Vogue, a Nova Gente, as televisões estavam todas sintonizadas no canal Fashion. Falava-se de roupa, de cabelo, de estilos de cortes e de produtos capilares. Estavam todas a olhar para mim. Todas! Até mesmo as que estavam aparentemente de costas. Elas disfarçavam daquela forma que só as mulheres conseguem disfarçar, mas eu, marinheiro viajado no imprevisível e tormentoso oceano que é a psique feminina, sabia que era o foco das atenções. Mas de uma forma negativa, como se tivesse arrotado à mesa num jantar de gala ou dado um sonoro traque no meio duma qualquer aula.
Estranhamente, não parecia haver cabelos no chão. Não havia jornais desportivos, não se ouvia falar alto, ninguém discutia a arbitragem do jogo anterior, o próximo reforço ou o eventual despedimento do treinador. Até me ofereceram um café. Estabelecimento unisexo? Nem por sombras. Era eu contra o mundo. Bom, em abono da verdade era eu e o T. O T.! Como classificá-lo sem incorrer num excesso de homofobia? Metrosexual, mas daqueles que gosta de homens? Maneirento? Demasiado cheiroso e claramente sobre-penteado? Saiu do armário, saltou a vedação, virou boiola, emveadou? Bom, deixemos o T. tranquilo por algumas linhas. Ele voltará. Esta 1ª visita (sim, sim, é verdade que já lá voltei…) não terminou sem que antes me tivessem tirado uma foto. Sal na ferida, meus amigos, sal na ferida. Sorria, disse ela quando viu a minha cara de parvo a olhar para a máquina. Tentei, ou pelo menos tenho a vaga noção que os meus músculos se contraíram com essa intenção. Ela disse que tinha ficado muito bem. Não era preciso. Uma imagem vale mesmo muitas palavras, mesmo que não sejam mil, e afinal a máquina só apanha o que tem à frente.
Como o difícil já estava feito, mergulhei de cabeça nesta nova experiência e dei o passo que me faltava. Comprei produtos! Um frasco de fortificante para aplicar de pipeta antes de deitar, vulgo estrume capilar, ao módico preço duma bela garrafa de vinho tinto e um champô ideal para o meu couro cabeludo. Suspirei fundo, cansado por este excesso de contacto com o meu lado feminino. De mãos nos bolsos e algo cabisbaixo, abri a porta do estabelecimento e saí. Cá fora estava sol.

(continua…)

17.5.06

Cortar o cabelo

Parte I- Onde se explica e contextualiza a coisa, e onde se levanta o véu sobre o que se vai seguir...

Durante grande parte da minha vida cortei o cabelo no Salão Luso, uma barbearia só para machos que ficava lá perto de casa. Desde cedo me comecei a habituar a ir sozinho. Chegava, alapava o cú no sofá, escolhia o desportivo que estivesse disponível e mal abria uma vaga em qualquer um dos 3 tipos que lá trabalhavam lá ia eu. Quando me perguntavam e então jovem como vamos cortar? eu, pequenino e ladino, respondia sempre da mesma maneira: curto mas não demasiado. Durante os anos da adolescência e do acne juvenil tive vontade de rapar o cabelo como os tropas que ia vendo em esporádicas viagens de comboio ou enquanto andavam à cata das melhores prostitutas nas esquinas da zona, mas quando me sentava e abria a boca para dizer ao que ia saia-me o mesmo curto mas não demasiado de sempre.
Já depois de sair da faculdade, homenzinho feito, casado de papel passado e tudo, quis o destino (e a minha mulher) que nos instalássemos noutra cidade, o que inevitavelmente contribuiu para me livrar do hábito/vício que era o Salão Luso. Assim sendo, numa atitude que teve tanto de coragem como de estupidez natural, pedi emprestado ao P. a sua máquina de cortar o cabelo. Confesso que ainda tive vontade de me auto-tosquiar, assinalando devidamente o meu capilar Grito do Ipiranga, mas acabei por ter juízo e pedi à A. que fizesse as honras. Aqui chegados, diga-se eufemisticamente falando que a coisa não correu bem. Inexperientes na difícil arte do manejo da dita roçadoura, nem eu nem a A. nos apercebemos que o corte estava a ser efectuado com a maquineta ao contrário, ou seja, sem as protecções e sem respeitar o tamanho desejado. O facto de imediatamente após o 1º contacto da máquina com o meu cabelo, a A. ter soltado um ai o que é que eu fiz? não augurava nada de bom e de facto, apenas 20 minutos depois e já com a entrada em cena da C., chamada qual 112 para tentar remediar o irremediável, eu tinha à minha frente no espelho da casa de banho um gajo com umas orelhas tipo dumbo e com uma semelhança gritante entre o tamanho da barba e do cabelo. Enfim, um ovo, um melão, um verdadeiro pêssego careca.
A verdade é que me habituei rapidamente ao novo estilo. Nunca estava despenteado, deixei de gastar dinheiro em champô e não havia caspa, piolho ou lêndea que me chegasse. Até que em Fevereiro do ano da graça de 2006 cedi finalmente a pressões de todos os quadrantes para que deixasse de me tosquiar e recorri pela primeira vez em 30 invernos (porque carga de água é que se há de dizer sempre primaveras?) a um cabeleireiro. Unisexo sim, mas cabeleireiro ainda assim. Engolindo em seco e ignorando aquela irritante vozinha, que todos os machos embebidos num espírito testosterónico ouvem, e que me dizia olha que isto é coisa de gajas ou de metrosexuais com dúvidas, olha que por este andar ainda acabas a cagar de esguelha e a levar na real bilha…, lá fui cabisbaixo e de mãos nos bolsos.

(continua…)

Uma boa notícia

Hoje, quarta-feira dia 17 de Maio, é o tax freedom day. Traduzindo por miúdos, a má notícia é que todo o trabalho que fizemos desde o início do ano foi para pagar a nossa fatia dos impostos relativos a 2006. A boa nova é que daqui para a frente começamos a trabalhar para nós próprios. Como termo de comparação, diga-se que em 2005 este dia foi assinalado a 14 de Maio pelo que se constata sem surpresa que vamos pagar mais impostos este ano.

15.5.06

Ontem comi dobrada. Mas o fim-de-semana também teve partes indigestas.

Ponto 1- Continuo sem saber muito bem como classificar Adriaanse. Ou seja, quando penso em algumas das opções que tomou ao longo do ano (despachar o J. Costa, apostar no Bruno Alves(??), deixar o Paulo Assunção esquecido durante meses) e quando olho para a equipa titular que escolheu ontem (Alan de início, Anderson a jogar mais recuado que o Lucho, 6 jogadores claramente de ataque contra um Setúbal que já se sabia ia defender com 11 no seu meio-campo e tentar o contra-ataque), inclino-me a pensar que o gajo é meio louco, mas a verdade nua e crua é que ganhámos. O campeonato e a taça. Assim sendo, sou forçado a conceder que ele deve ter razão e eu não. Bom, antes assim que ao contrário.

Ponto 2- a não ida do Quaresma ao Mundial, a confirmar-se, é uma vergonha. Num ano em que foi o melhor jogador português do campeonato e em que surpreendeu ao tornar-se um verdadeiro jogador de equipa, só 3 ordens de razões podem justificar esta apesar de tudo previsível decisão de Scolari: 1- não vai porque é do Porto e já se percebeu que Scolari precisa/prefere viver em guerrilha; 2- não vai porque não interessa à Nike e a alguns empresários; 3- não vai porque nunca fez parte do "plantel" de Scolari e ele não quer introduzir alterações de última hora.
Eu, Wolverine, que nunca gostei do homem, aposto em parte na 1ª mas essencialmente na 3ª razão. Scolari escolheu desde cedo alguns jogadores, formou um grupo de fiéis e daí não sai. O que importa que Quim, Maniche e Hugo Viana praticamente não tenham jogado nos últimos meses? Que Figo e Simão estejam em má forma? Que Costinha nem sequer tenha clube desde Janeiro? Que Boa Morte nunca tenha feito um jogo de jeito pela selecção? Como acima de tudo quero que Portugal ganhe, espero que não importe nada, ou por outras palavras, espero que tal como em relação a Adriaanse seja eu a estar totalmente enganado.

P.S. - a inclusão de Ricardo Costa na lista, a confirmar-se, é quase ridícula e tresanda a justificação pífia do estilo estão a ver como eu até convoquei um jogador do FCP? Teria muito mais lógica ir buscar Pedro Emanuel (pela experiência e com a vantagem de ser também do FCP) ou Tonel pela boa temporada que fez.

12.5.06

Tugas no Hospital

Um tipo alcoólico já com 2 ou 3 filhos e nada desejoso de ter mais algum, chega ao Hospital e diz ao médico que quer que "liquidem as trombas à mulher".
Um outro senhor diz que lhe fizeram um "clister ao papo".
Uma senhora está deitada numa maca à espera que lhe seja feito um exame radiológico interno que involve a introdução dum cone, emissor de rx, pela vagina. O médico conversa com ela para lhe explicar o procedimento e diz-lhe para não se preocupar que vai colocar um preservativo. Ela interrompe-o prontamente: "ò dr. esteja à vontade que eu já fiz laqueação de trompas".

Como dizia outro dia o Folha Seca (que me contou as duas primeiras situações), só entendemos as coisas à luz do que conhecemos.

9.5.06

A Francesinha- uma declaração de amor

Depois de algum tempo sem comer uma, tempo demais, anteontem aproveitei uma esporádica visita ao Porto e matei de uma vez só a fome e a saudade.
Qualquer pessoa que visite a Invicta, a minha cidade, a minha terra, as minhas gentes, não deve deixar de visitar Serralves, não pode perder a Casa da Música, a Foz e as suas esplanadas, a Ribeira e o Parque da Cidade, entre outras atracções mais ou menos turísticas.
Mas também não a pode abandonar sem experimentar os seus pratos mais típicos: as tripas à moda do Porto e a fabulosa francesinha, a nadar em molho e obrigatoriamente acompanhada por um ou mais finos bem gelados, de preferência sem camarões, ovos estrelados e outras merdas tais. Com o meu humilde saber de tripeiro comedor de francesinhas, deixo à vossa consideração aqueles que para mim são os 2 melhores locais para degustar a dita: o Capa Negra (na zona da Galiza) e o Bufete Fase (em Santa Catarina, com o seu balcão mínino e as suas 4 mesinhas).

Cadeiras voadoras na 2ª liga

Não deixa de ser curioso que em ano de redução do número de equipas na 1ª liga do futebol português, para a tornar mais competitiva, se tivesse conseguido isso na 2ª liga... Duas das equipas com mais história - Vitória de Guimarães e Belenenses - desceram ao escalão secundário... O tiro saiu pela culatra!...

Parece-me que os adeptos do Vitória conseguiram finalmente o que tanto ansiavam há anos. Eles já demonstraram demasiadas vezes que não gostam de cadeiras plásticas no estádio, preferindo sentar-se no betão frio das bancadas. Na 2ª liga devem encontrar muitos estádios ao seu gosto...

Espera sentado Loureiro!...

Não estou por dentro de eventuais problemas pessoais e nem sequer vi a maior parte dos jogos, mas, se só dependeu do falhanço do objectivo "competições europeias", considero que o Boavista FC acaba de cometer um erro de gestão do qual se irá arrepender no futuro.

8.5.06

Os novos guerrilheiros

As FARC são as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, uma guerrilha de inspiração marxista. Num esforço de adaptarem a sua luta aos tempos modernos as FARC têm aderido às novas tecnologias. Para além de filmarem as suas acções militares, legendadas em 14 línguas e distribuídas pela América Latina e Europa, também realizam desenhos animados em 3D, tendo criado um "superguerrilheiro" para seduzir os mais jovens. Apostaram ainda no lançamento de Cd's, DVD's e CD-ROM interactivos e preparam-se para lançar um jogo de vídeo, recorrendo a uma produtora especializada dos EUA.
Um caso típico de boa adaptação ao progresso e à globalização...

Resta-me esclarecer que não tenho nenhum tipo de simpatia pelas FARC e suas acções e que desconheço o contexto político-social vivido na Colômbia.

P.S.- Este post foi totalmente baseado numa notícia do Courrier Internacional.

Mais uma sugestão

Evitei até à última tomar este passo. Algo me dizia que seria um erro, um desperdício de tempo e dinheiro. Ontem decidi que não iria voltar novamente de mãos a abanar de uma ida ao clube de vídeo e, depois de meses de estóica resistência, lá me resignei por falta de outras opções a alugar o King Kong.
Fica a sugestão, não o façam. Não há pretexto ou circunstâncias que o justifiquem. Nem os efeitos especiais nem sequer a Naomi Watts valem a banhada.

7.5.06

Recordação de um fim de semana no campo

Faltava o Spiderman e a Spiderwoman, mas há muitos anos que não fazia um programa destes convosco. Foram apenas dois dias, mas valeu bem a pena. Foi um óptimo fim de semana, que nos permitiu voltar a estar um pouco mais perto uns dos outros, e a conhecer-nos ainda melhor. O Wolverine junior esteve em grande!

Parabéns ao pai Wolverine por ter organizado o evento, e por ter agarrado uma ideia que poderia muito facilmente ter ficado esquecida. Parabéns ao Corto pelo aniversário especial. Havemos sempre de lembrar-nos onde estávamos no dia em que completaste as tuas ***** primaveras. Parabéns a todos pela participação e pela boa disposição, um sinal claro de que viveremos muitos outros fins de semana como este.

6.5.06

Surpresa? Ou não!...

Fidel Castro aparece classificado na 7ª posição na lista elaborada pela Forbes referente aos governantes mais ricos do mundo... "Olha para o que eu digo e não para o que eu faço" parece assentar-lhe como uma luva...

Para além dos já esperados donos do petróleo, de admirar é a quase ausência dos Senhores de África...

Mais um palhaço

O Sr. Rui Alves, presidente do Nacional da Madeira, está todo indignado pelo facto do FCPorto ter dispensado 10 titulares para o último jogo do campeonato tendo em vista o compromisso que se avizinha - final da Taça de Portugal. Em causa está o facto de o BoavistaFC que é o adversário do FCPorto estar a disputar com os ilhéus um lugar na taça UEFA.

Fala como se fosse uma coisa nunca vista no mundo e vai mais longe ao afirmar que em qualquer outro país abrir-se-ia um inquérito judicial. Pergunto-me como é possível dizer tamanha atoarda estando numa posição de responsabilidade. Mas realmente não me devia admirar, pois parece que, a estes, tudo é permitido baseando-me no que se vai passando diariamente no nosso Futebol.

Se, como chegou a anunciar, o seu campeonato fosse o do título, não andava agora a fazer contas...

Por acaso o adversário do Nacional até é o outro finalista da Taça - Vitória de Setúbal - que já não tem nada a ganhar nem a perder neste campeonato... Será que ele se vai recusar a jogar se o Setúbal apresentar uma equipa "b"???

5.5.06

A paranóia continua

Quem me conhece sabe que há várias pessoas e várias coisas de que não gosto. Entre outras coisas, não gosto de cerveja quente, de reality shows, do João César das Neves, do Benfica, do Algarve em Agosto, de camarões na minha francesinha, de pipocas no cinema, do CDS-PP e do seu deputado clearasil, do Lucílio Baptista, de farinha de pau e do Rui Rio (que mais uma vez, e com inteiro mérito, se torna alvo dos meus maus fígados).
Já sabíamos há anos que durante o 1º mandato o Dr. Rio se revoltou contra o jornal Público, acusando-o de perseguição. Já sabíamos que, num acto revelador de um espírito democrático incomum, Rio decidiu que no seu 2º mandato os vereadores só responderiam a entrevistas por escrito (assim tipo carneiros a aguardar a aprovação do seu pastor para poderem balir).

Hoje vi na RTP o Dr. Rio a denunciar um campanha orquestrada contra a sua pessoa e levada diariamente a cabo pelo JN. A notícia em questão é relativa à ligação Rui Rio- chefe de gabinete- PDM- Boavista Futebol Clube, que estará a ser alvo de investigação policial.
Como é evidente não faço ideia quem tem razão, mas como o Público e o DN também publicaram a notícia podemos concluir que o polvo que pretende derrubar o Dr. Rio é formado por estes 3 jornais de referência do País.

O que me enerva ao ponto de me eriçar os pêlos (que como já disse várias vezes ainda para mais são muitos) é a postura de Rui Rio, um verdadeiro bastião de moral e rectidão nesse mar de lama e perversidade que é a cidade do Porto, isto a fazer fé nas teorias dele.

3.5.06

Pesadelo do Maradona

Vejam o pesadelo do Maradona.

Sugestão musical



Estou muito longe de ser um melómano. Nem sequer tenho muito o hábito de assistir a concertos ao vivo. Mas influenciados pela paixão e pelo entusiasmo da minha cunhada H., eu e a A. (ou de forma mais cavalheiresca, a A. e eu) lá tirámos os rabos do sofá, deixámos o puto nos avós e fomos ver este grupo com nome de arma de assalto.
Para além das 2 ou 3 músicas que conhecia da rádio, não sabia bem o que esperar nem como catalogar o género musical. Para tentar evitar o post tipo lençol posso dizer-vos desde já que o concerto foi excelente e que, numa comparação necessariamente simplista, "A Naifa" está para o fado como os "Gotan Project" para o tango. Uma abordagem desempoeirada, com base electrónica, de poemas fora do comum, sussurados, falados e cantados por uma vocalista (Maria Antónia Mendes) que é um portento de voz e interpretação. Em relação aos restantes elementos do grupo, e confirmando as suspeitas que se foram avolumando ao longo do espectáculo, descobri no final que o baixista é o Aguardela, aquele tipo dos Sitiados (???) que parecia estar constantemente speedado, e o guitarra clássica é o Varatojo, o dos Despe e Siga (???), grupos não propriamente sinónimos de música de alta qualidade.
Ora, esta situação força-me a ponderar com mais cuidado a forma excessivamente crítica como olho para alguns performers da actualidade. Quem me pode garantir que daqui a alguns anos não estarei a assistir com gosto a um concerto do João Pedro Pais? Ou dos EZ' Special? Confesso que isto me inspira algum medo...
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